Três anos depois, o Chefs à Mesa, em Lisboa, continua a inovar, reforçando a presença de biológicos, com refeições da marca O Frasco, um conceito plant-based, com produtos frescos e locais.
Na loja de Entrecampos, agora, além de poder levar para casa refeições confecionadas por vários chefs de renome portugueses, também pode almoçar no espaço.

Há mais uma marca que se junta às muitas presentes no Chefs à Mesa, um conceito pioneiro em Portugal e único no mundo, que, desde há três anos, tornou acessíveis pratos de diversos chefs portugueses.
De segunda a sexta-feira, já pode degustar, in loco, sopas, sumos, pratos e sobremesas do conceito O Frasco, baseado numa alimentação plant-based, local, com ingredientes biológicos, sem conservantes, nem aditivos e frescos.
Este foi (mais) um negócio cozinhado durante a pandemia, que viu a luz do dia em finais de 2022. A ideia partiu de dois amigos que gostam de conhecer sítios novos. “Caí nesta área de páraquedas em 2008”, recorda Rui Carmo, designer de interiores. O desafio de abrir um restaurante, juntamente com o chef Miguel Castro Silva, foi-lhe lançado pelo atual sócio, Carlos Fontão de Carvalho. Na altura, abriram o Castro Elias, um restaurante de petiscos situado na Avenida Elias Garcia, em Lisboa, que já não existe. Fontão de Carvalho, conta Rui Carmo, “também não é da área – é economista-, mas tem um gosto pela gastronomia como poucos. É um conhecedor e sempre que pode, vai a todos os restaurantes que abrem em Portugal e no estrangeiro”.
Quando surgiu o confinamento, os dois amigos pensaram: “isto vai ser um problema. Onde é que vamos jantar fora?”. A resposta surgiu naturalmente: “vamos fazer com que os chefs cheguem a casa das pessoas.” E assim nasceu o Chefs à Mesa, um conceito pioneiro em Portugal e único no mundo, tornado realidade em outubro de 2022, em Entrecampos, Lisboa. “Não fomos pioneiros na comida congelada, mas em reunir os chefs – o que não existe em lado nenhum do mundo”, esclarece Rui Carmo, avançando que “este conceito também só foi possível porque somos amigos de longa data dos chefes Bertílio Gomes, Miguel Castro e Silva, Paulo Morais, Vítor Sobral e Luccas Paixão, da equipa Asoka”, aos quais se juntaram, entretanto, Nuno Simões e João Pedrosa.
Ter um chef só para si
Mas não se pense que o facto de serem amigos facilitou o trabalho dos dois sócios: “ter tantos chefs, num só espaço, não é tarefa fácil porque não queremos beneficiar ninguém, nem dizer que um é melhor do que o outro. São todos nossos chefs – uns mais mediáticos do que outros -, mas no Chefs à Mesa são todos iguais”, enfatiza Rui Carmo.

Sobre o conceito, o proprietário explica que “para uns foi um desafio, mas outros já estavam familiarizados com este tipo de comida. Alguns, como Paulo Morais que trabalha com sushi, tiveram de fazer o exercício de adaptar a sua cozinha à comida ultracongelada. O mesmo se passou com Bertílio Gomes, que tem uma comida de conforto e andou em testes para ver o que resultava na loja. Mas, no final, “conseguiram responder muito bem ao nosso desafio: terem entradas, prato de peixe, prato de carne e sobremesa. Todos fizeram escolhas fantásticas”. Que o digam os clientes, cujo feedback sobre as refeições vendidas no Chefs à Mesa é “muito positivo”. Na prática, os clientes levam para casa refeições que também estão disponíveis na carta dos respetivos restaurantes dos chefes. Para take away ou entrega em casa, é possível optar por um leque de 90 receitas prontas ou pré-preparadas. “É possível adquirir somente um prato principal ou, por exemplo, compor um menu completo com propostas de diferentes chefs e ter em casa uma verdadeira experiência de cozinha(s) de autor”, explica Rui Carmo.
Yakisoba de camarão e ouriço do mar, de Paulo Morais, canja de lingueirão à taberna, de Bertílio Gomes, bochecha de porco preto em vinho do Porto, de Vítor Sobral e rolo mediterrânico vegetariano, de Luccas Paixão, são algumas das sugestões disponíveis no Chefs à Mesa. Entre os pratos mais procurados, que variam sazonalmente, “estão o arroz de pato, de Vítor Sobral, a finger food de Miguel Castro e Silva por não ser necessário fritar e a canja de lingueirão, de Bertílio Gomes”, acrescenta o responsável, que salienta: “este conceito foi pensado para todos e com preços acessíveis. No início ficámos um pouco assustados porque as pessoas entravam e ficavam também elas um pouco assustadas porque viam os nomes dos chefs e achavam que era tudo caro. Não é. É possível fazer uma refeição para uma pessoa por sete euros”.
Biológicos entre as marcas que se sentam no Chefs à Mesa
A loja conta com uma oferta complementar de mercearias, recomendada pelos chefs, com frescos, conservas, molhos, condimentos, compotas, chutneys, queijos e patês, além de vinhos, licores e chás. Ao todo, são mais de 30 as marcas presentes no espaço que, além de sugeridas, são usadas pelos seis chefs nos seus restaurantes. Aliás, ao lado do frigorífico de cada chef estão prateleiras com produtos dessas insígnias. “O chef Vítor Sobral sugere, por exemplo, o azeite Oliveira da Serra, o chef Miguel Castro Silva usa a própria marca de mercearias – a Nostra-, o chef Paulo Morais usa a comida asiática do seu fornecedor, o chef Bertílio Gomes sugere os doces e licores feitos pelo próprio e ainda uma morcela vegetal”, descreve Rui Carmo. Além das sugestões dos chefs, estão ainda à venda na loja “o azeite Santillana, feito de oliveiras centenárias e que os especialistas dizem que ‘não é para temperar, é para comer e saborear’, as conservas “Bem Amanhado”, feitas só de peixe de rio, a marca de escabeches Tombalobos, a Limontejo – uma espécie de limoncello com a assinatura de uma família italiana que vive no Alentejo e usa limões portugueses, a Pipa´s, marca de doces sem açúcar ou glúten e os Sabores de Santa Clara.
Entre as opções presentes, além da comida vegetariana do chef Luccas Paixão, também existem alguns produtos biológicos, como os gelados do chef Bertílio Gomes . Para os apreciadores da alta gastronomia, o Chefs à Mesa tem também uma secção de livros que podem ser adquiridos no próprio espaço ou online, que vão desde os petiscos à cozinha portuguesa, passando pelas sobremesas, como é o caso de “Na cozinha de Miguel Castro e Silva” ou “Receitas lá de casa”, de Vítor Sobral.
Internacionalizar o Chefs à Mesa
Além da compra de refeições, no Chefs à Mesa há workshops com os próprios chefs. O preço dos workshop varia e dá direito a provar a comida.
Entre as novidades recentes, o espaço passou a contar com os croquetes da “Croquette Maison”, do chef Diogo Manzoni.
A loja abre de segunda-feira a sexta-feira das 10h30 às 19h30 e aos sábados das 10h às 14h.
Três anos depois de abrir, na Rua Sanches Coelho, o Chefs à Mesa já tem clientes regulares: “uns vêm só à procura de um chef, outros vêm à descoberta”, refere Rui Carmo, que faz um “balanço positivo, embora queiramos sempre mais e que tudo aconteça rápido, mas tenho vindo a ganhar consciência que estes conceitos demoram algum tempo”.
A maioria das pessoas, adianta, “prefere vir cá, gosta de ver”, mas quem não quiser deslocar-se à loja tem disponível o serviço de delivery (entrega). O Chefs à Mesa tem um serviço próprio de entregas na área metropolitana de Lisboa, às quintas-feiras e aos sábados. Os pedidos diários são entregues pela Uber.
Para já, o conceito está apenas disponível na capital, embora quando o projeto foi pensado, a ideia fosse tê-lo também no Porto e no Algarve – o que não está descartado -, e além-fronteiras. Rui Carmo admite: “penso sempre em grande e sonho levar o nome dos nossos chefs para fora”, mas re- conhece que a logística não é fácil. “Espalhar o nome dos chefs pelo mundo é o nosso sonho”.
















