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Home Desenvolvimento Pessoal

“Independentemente da idade, a mulher precisa ter uma sexualidade, o que não significa ter um ato sexual”

by Sandra Xavier
Dezembro 4, 2025
in Desenvolvimento Pessoal, Relacionamentos, Saúde e Bem Estar
“Independentemente da idade, a mulher precisa ter uma sexualidade, o que não significa ter um ato sexual”

DR

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Após décadas como ginecologista, obstetra e sexóloga, a brasileira Carla Queiroz abandou as especialidades para se dedicar à terapia sistémica e às constelações, ajudando mulheres, homens e casais a terem relacionamentos mais saudáveis.
Mas, depois de se ter mudado para Portugal, ficou chocada com forma como as mulheres na menopausa são (des)tradas e com as sucessivas grávidas a darem à luz a caminho dos hospitais. Por isso, aos 63 anos, sentiu o apelo para voltar ao ativo e ajudar o país a braços com a falta de médicos. Mas enquanto (des)espera pela validação da sua licenciatura em terras lusas, continua o trabalho presencial, em Paredes de Coura, online e a ligação ao sei país natal, através do Instituto Brasileiro de Consciência Sistémica (IBRACS), que dirige com o marido, o fundador e médico, Fernando Freitas.

Integrall: Ao longo dos últimos quase 40 anos, como é que a Carla tem ajudado mulheres e casais a sentirem-se seguros e emocionalmente independentes?

 Carla Queiroz: Eu comecei a trabalhar, há 40 anos, com o universo da mulher, porque eu entrei na faculdade de Medicina com 19 anos e engravidei logo – saí para comemorar a entrada na faculdade e voltei grávida e, por isso, o meu desafio foi muito maior, porque eu tive de decidir se eu ia continuar a fazer medicina, que é um período integral, é um curso muito difícil, ou se eu desistia para ir ter um filho e cuidar da casa. Na altura, disse para mim mesma: não, eu não vou abrir mão do meu sonho. Então, naquele momento, comecei a batalha da vida da mulher, que é uma batalha multidisciplinar, uma batalha onde a mulher é mulher polvo – ela tem de dar conta de fazer várias coisas ao mesmo tempo – e não foi fácil. Mas eu não desisti da Medicina e assim, segui a minha carreira de médica e, ao mesmo tempo, durante os seis anos de faculdade e os dois anos de estágio, eu tive três filhos, não só um, mas três filhos, ou seja, eu constituí uma família e quando eu terminei a licenciatura, isso foi muito positivo na minha vida, porque eu era uma recém-formada, muito jovem ainda, porém, com uma família e três filhos e isso dava-me credibilidade. As pessoas diziam que eu era “muito novinha” e eu respondia: “não, não sou novinha, sou uma mulher experiente, casada, com três filhos.” Daí para frente, eu decidi trabalhar com o universo do feminino, que é um universo que, há muito tempo, vinha a ser muito desvalorizado – a mulher trabalha muito e não é remunerada pelo trabalho doméstico- e foi fantástico pois acabei por me especializar em sexualidade.

Integrall: As mulheres merecem um olhar diferenciado pela positiva?

Carla Queiroz: Merecem, com certeza, mas esse olhar precisa de começar por elas mesmas. Muitas vezes, querem colocar a culpa de tudo no outro, quando, muitas vezes, a responsável por estar nesse lugar de “não empoderamento”, de inferioridade, é a própria mulher. Se ela se sente capaz, se ela se impõe no sistema, tanto familiar quanto profissional, é o primeiro passo para ela conseguir brilhar. Então, eu trabalho muito nessa área de autoestima, de autovalorizarão, de começar por si e não pelo outro.

“Uma mulher é capaz de levantar um carro para tirar um filho de baixo desse carro”

 Integrall: Como é que foi conciliar três filhos e um curso universitário?

 Carla Queiroz: A isso chama-se determinação. Quando temos determinação na vida, nada nos segura e o facto de ter filhos para criar, dá-nos uma força imensa. Uma mulher é capaz de levantar um carro para tirar um filho de baixo desse carro, se for preciso. Então, eu usei toda essa força, que vem naturalmente do instinto feminino de proteger a cria, para conseguir finalizar o meu sonho de me tornar médica e trabalhar, de forma adequada, a ajudar outras pessoas a também não desistirem diante de um primeiro obstáculo, de uma pedra no caminho e mostrar que, pelo contrário, como diz um ditado brasileiro, “do limão a gente faz uma bela limonada”. E foi isso que eu fiz no decorrer dos meus anos, graças a Deus e com a ajuda do meu ex-parceiro. Ele ajudou-me muito durante a faculdade de Medicina: muitas vezes, eu tinha que sair da aula para amamentar e à noite, quando as crianças dormiam, ele passava-me a matéria que eu tinha perdido e estudava comigo. Era quase um período de 24 horas.  Naquele período entre o fim da tarde e o começo da noite, eu ficava a cuidar dos nossos filhos e estudava pela noite dentro. Acostumei-me a dormir muito pouco.

Integrall: O pai dos seus filhos era seu colega de faculdade?

Carla Queiroz Sim, conhecemo-nos com 18 anos, quando entrámos na Universidade de Catanduva, no estado de São Paulo. Ele fez medicina como eu, mas eu especializei-me em ginecologia e obstetrícia e ele em ortopedia.

 Integrall: O que é que aprendeu do universo feminino ao especializar-se nessa área?

Carla Queiroz: Percebi que o problema das mulheres não é só hormonal. No início, quem trabalha na sexualidade médica, acha que tudo é culpa das hormonas. As hormonas são muito importantes, porque são a gasolina do carro. Sem hormonas, vamos diminuindo o ritmo e até parando, que é o que acontece quando a mulher entra na menopausa.

“Portugal tem uma mentalidade retrógrada em relação à aceitação da terapia de reposição hormonal e de outros tipos de terapia”

 Integrall: A Carla já não se dedica à ginecologia?

 Carla Queiroz: Estou num processo de validação do meu diploma porque tenho uma chamada interna para voltar para a área da ginecologia obstetrícia. Hoje, eu sou terapeuta sistémica e continuo a atender mulheres do Brasil e do mundo inteiro, mas sinto necessidade de voltar o olhar para a mulher, um olhar de valorização, de lhe dizer: “não é porque entrou na menopausa que acabou o seu gás, pode fazer uma reposição hormonal, tomar vitaminas, ter uma vida mais saudável e continuar produtiva”.
Aqui em Portugal, eu vi muitos médicos de família, que geralmente são jovens, a atenderem mulheres mais velhas, na menopausa, e quando elas abordam o facto de gostarem de resolver o problema de líbido ou de pararem de ter dores nas relações sexuais, eles olham incrédulos e dizem: “Ainda pensa nisso? Deus me livre, com a sua idade”. Isso chamou-me muito à atenção. Portugal tem uma mentalidade mais retrógrada, em relação à aceitação da terapia de reposição hormonal e de outros tipos de terapia. Por exemplo, na medicina integrativa, que trabalha muito uma dieta equilibrada, utiliza-se a reposição das vitaminas necessárias para o corpo andar de uma forma correta e é por isso que eu quero voltar a trabalhar aqui em Portugal na área da ginecologia.
Portanto, estou no processo de validação do meu diploma, mas, aqui existe um processo até injusto, diria eu, porque num país que precisa tanto de médicos, exigirem que façamos toda uma validação – uma prova desde o primeiro ano de faculdade de medicina para depois sermos aprovado numa prova prática, numa defesa de tese -, dificultam muito virmos a trabalhar em Portugal, ainda para mais, que estamos a falar de um país irmão como é o Brasil, com a mesma língua, com a mesma carga horária da medicina.

Integrall: Como se os seus quase 40 anos de carreira não lhe servissem para nada?

Carla Queiroz: Sim, é verdade e é com muito orgulho que eu digo que nestes 40 anos de carreira eu nunca, nunca perdi um paciente, nem mãe e nem bebé, nunca. Eu passei dias dentro de uma Unidade de Cuidados Intensivos (UTI) a segurar a mão de uma paciente, que teve um problema de saúde – uma coagulação intravascular disseminada -, em que a pessoa começa a criar anticorpos contra o sangue do bebé. O sangue do bebé entra em contacto com o sangue da mãe, começa a coagular o sangue inteirinho dela e é morte certa. Nessa vez, eu peguei na mão dessa mulher, orei, orei, orei e pensei: “eu não vou permitir que esta mulher morra”. Passei sete dias na UTI, deixando três filhos em casa, sem tomar banho, sem comer, mas não saí de perto dela e a mulher sobreviveu, incrível como sobreviveu.

“Se não olharmos para o lado emocional da mulher, se não valorizarmos esse ser que é a mais importante do sistema – todos os homens nasceram de uma mulher-, não vamos conseguir valorizar e dar o respeito que esse ser humano/mulher precisa de ter na sociedade”

 Integrall: Ficou chocada quando percebeu o olhar que os médicos de família têm sobre as mulheres na menopausa em Portugal?

Carla Queiroz: Muito chocada e eu não vou dizer que foi só com as mulheres na menopausa. A medicina de família é extremamente importante. Nos Estados Unidos e no Brasil, já está bem adiantada, porque trabalha a saúde básica, que é o mais importante. Quem tem uma saúde básica bem cuidada vai ter um envelhecimento mais saudável, mas não se pode parar e fechar o olhar apenas nisso: verificar se a pessoa tem diabetes, hipertensão, se tem problemas cardíacos, porque a mulher é muito complexa – o homem também-, mas a mulher ainda é mais complexa do que o homem. Então, se não olharmos para o lado emocional dessa mulher, se não valorizarmos esse ser que é a mais importante do sistema – porque todos os homens nasceram de um útero, todos os homens nasceram de uma mulher-, não vamos conseguir valorizar e dar o respeito que esse ser humano/mulher precisa de ter na sociedade.

“Falta uma rede de profissionais que dê um espaço de escuta à mulher”

 Integrall: Que mudanças é que se impõem em Portugal nesse olhar para a mulher, em geral e para a mulher na menopausa, em particular?

 Carla Queiroz: A mulher precisa de ter um espaço de escuta e hoje, com a falta de médicos em Portugal, a objetividade do atendimento, não permite que ela se queixe, que ela fale do que está a sentir. Segue-se muito o protocolo. Não. A Sandra é diferente de fulano, fulano é diferente de sicrano, mas não é o que se passa atualmente. Toda a gente é colocada no mesmo saco. Os médicos têm de seguir um protocolo, pedem aqueles exames e se estiverem normais, então, a mulher está bem – ela pode até estar com depressão, pode até estar a sentir-se a última pessoa no planeta, pode estar ansiosa, pode estar a viver várias situações que ela não é ouvida. Acho que falta uma rede – e o que isso significa –uma rede de profissionais, que deem um espaço de escuta à mulher.  Se temos tão poucos profissionais, em Portugal e tanta necessidade para conseguir acolher essas mulheres, então, um grupo de escuta multidisciplinar ajudaria muito essas mulheres a serem ouvidas e serem tratadas individualmente e não como toda a gente fosse igual.

“A mulher na menopausa pode e deve ser uma vida sexual ativa”

 Integrall: Uma mulher na menopausa pode ter uma vida sexual ativa?

 Carla Queiroz: Pode e deve. A vida sexual não é apenas para dar prazer nem para o parceiro nem para si, ela tem toda uma função dentro do sistema. Costumamos dizer que sexualidade é diferente de sexo, sexo é um ato prazeroso que Deus nos deu para continuarmos a reproduzir-nos, mas a sexualidade é algo muito maior, a sexualidade é uma energia de vida, que nos impulsiona para a vida. Independentemente da idade que a mulher tem, ela precisa ter uma sexualidade, o que não significa ter um ato sexual. A sexualidade tem três funções muito importantes: a primeira é cortar o vínculo com a família de origem, a segunda é entregar-se a um outro e fazer um casal para dar continuidade à vida, que é a terceira função da sexualidade: gerar descendentes ou projetos em comum para uma sociedade, que vão trazer e entregar para essa sociedade tudo o que eu receberam e aprenderam do seu passado, então, isso é muito mais importante do que entender que a pessoa quer uma vida sexual ativa como um ato sexual, porque não é um ato sexual, é um ato de amor e é um ato de emoção, é um ato de energia que impulsiona para a vida.

 “Dantes, a dificuldade de ereção acontecia com os homens idosos e hoje a está a acontecer com os homens jovens”

 Integrall: Hoje em dia, fala-se cada vez mais da menopausa. Além da quebra hormonal, por que outras alterações físicas passam as mulheres?

 Carla Queiroz: Em primeiro lugar, depende de como a mulher se comportou no decorrer da sua vida. Uma das coisas mais importantes para uma menopausa saudável, independentemente, da parte hormonal é uma dieta equilibrada, atividade física e a manutenção de um peso adequado. A mulher que descamba para uma obesidade durante a gravidez, engorda 50 quilos e não consegue retomar o seu peso, vai ter muitos problemas na menopausa. Ela vai envelhecer de uma forma bem menos saudável do que aquela que sempre fez atividade física, sempre cuidou da alimentação, não ganhou peso. Ela consegue sentir-se mais ativa como mulher na menopausa do que a outra. O que é que isso significa? Que o corpo humano é extremamente inteligente. A natureza fez com que o ovário, que é quem fabrica os estrogénios e a progesterona, ao longo dos anos, pare de fabricar, porque o objetivo da natureza é a produção de novas espécies, ou seja, reprodução da espécie. Porém, o corpo consegue compensar a falta dessa hormona, que deixa de ser fabricada pelo ovário, através de outras formas. Quando a pessoa tem uma vida muito desregrada e uma qualidade física de saúde comprometida, essa compensação natural do organismo deixa de acontecer. Por isso, é muito importante que as mulheres jovens comecem a cuidar desses problemas da menopausa, a partir dos 20 anos de idade, porque é, a partir daí, que vão garantir que, na menopausa, se tiverem, por exemplo, risco familiar de cancro de mama, que as impede de fazer uma reposição hormonal, tenham essa compensação natural do corpo, tendo uma vida saudável.

Não é que a reposição hormonal seja maravilhosa e é boa para toda a gente, é preciso ver quem pode e quem não pode utilizá-la, mas se eventualmente a mulher tiver uma carga genética de um cancro de mama, ela não poderá usar a hormona do estrogénio.

DR

Integrall: A pré-menopausa começa com que idade?

Carla Queiroz: A pré-menopausa pode começar entre os 35 e os 45 anos de idade. Por exemplo, no meu caso, geneticamente, a minha mãe entrou na menopausa muito tarde, com 56 anos de idade. É um absurdo. Então, eu achei que, geneticamente, também me aconteceria o mesmo. Porém, não só nós, como as minhas duas irmãs, entrámos na menopausa muito cedo. Eu entrei na menopausa com 43 anos.

Integrall: Aos 43 anos é cedo?

Carla Queiroz: Muito cedo, porque a partir dos 35 anos é quando algumas pessoas começam a ter sintomas de pré-menopausa, ou seja, diminuição de lubrificação vaginal, diminuição da própria líbido, diminuição da memória – porque também a função cognitiva da mulher é dependente de hormonas -, perda de equilíbrio emocional e não só. O nosso corpo é uma rede. Uma coisa depende da outra. É como se fosse uma corrente, um elo. Um elo que se rompe e a informação não passa para frente. Então, eu entrei na menopausa com 43 anos de idade, tinha acabado de casar pela segunda vez. Eu não podia simplesmente dar-me ao luxo de deixar acontecer. Eu separei-me do meu primeiro marido após 13 anos de casamento, fiquei 10 anos a cuidar dos meus filhos – não me casei de novo-, e, entretanto, conheci o, também, médico Fernando Freitas, há 20 anos e casámo-nos e é lógico que eu não ia deixar isso acontecer. Por isso, eu comecei uma reposição hormonal muito consciente, muito bem feita, sem riscos nenhuns, mas, repito, eu não tenho nenhum risco, na minha família, de cancro de mama ou de algum tipo de cancro, cujo recetor de estrogénio está ativo. É esse que se deve evitar. Não é toda a gente com cancro na família que não pode fazer reposição hormonal. Tem que se analisar cada caso. Eu fiz reposição hormonal durante muitos anos e isso possibilitou-me estar ativa como uma mulher normal, sem nenhum problema pelo facto de ter parado de menstruar.

Integrall: Se uma mulher não fizer a reposição hormonal, consegue estar ativa na mesma?

Carla Queiroz: Sim, se ela fizer atividade física, alimentação equilibrada, e muitas vezes, pode tomar alguns estrogénios fito idênticos, que são tirados da própria natureza, por exemplo, da soja, da amora. Há vários alimentos na natureza que nos repõem esses estrogénios, sem que sejam sintéticos e que possam entrar no recetor de um cancro e desencadear ou acelerar um processo cancerígeno.

Integrall: Na pré-menopausa, as mulheres podem ter outros desequilíbrios, para além do emocional. Podem, também, ter desequilíbrio físico?

Carla Queiroz: Sim, porque existe um centro de equilíbrio, que é o sistema límbico, que, muitas vezes, também entra nessa corrente hormonal. A pessoa começa a sentir tonturas, levanta-se e fica tonta e toda a gente pensa que é um problema hormonal. Não, não é. Existem outras causas, incluindo inflamatórias, do sistema límbico, que podem causar essa sensação de tonturas. Outro dos sintomas da pré-menopausa pode ser a falta de memória.

 “A andropausa fica escondida debaixo do tapete”

 Integrall: As mulheres entram na menopausa e os homens entram na andropausa. Não há esse olhar sobre os homens?

Carla Queiroz: Existe esse olhar sobre os homens, mas o machismo da sociedade mundial não permite que ninguém fale da andropausa, a andropausa fica escondida debaixo do tapete. Sabemos muito bem que os homens, assim como as mulheres, têm uma queda hormonal e além disso, os homens têm muito mais índice de enfarto agudo do miocárdio, de diabetes, de hipertensão, eles cuidam muito menos da saúde do que a mulher e isso tem uma consequência imediata e lógica, que é a dificuldade de ereção. Além disso, para os homens, inventou-se um remédio, chamado de pílula azul, que resolve o problema imediato da ereção e eles ficam satisfeitos com isso, mas que não vai a fundo. Muito pelo contrário, existe um risco para o coração e para uma série de outras coisas no uso dessa medicação, por isso, deve ser usada com muito cuidado. Pior, dantes, a dificuldade de ereção acontecia com os homens idosos e hoje a está a acontecer com os homens jovens.

Integrall: E isso deve-se a quê na sua opinião?

Carla Queiroz: Stress. Stress, pressão emocional, dificuldades dentro da família, dificuldade de se tornar um homem, de facto, filhinhos da mamã, que ficam presos na família de origem e não se veem diante da sociedade, diante de uma mulher, diante de uma família com aquela autoridade que antigamente se via. Tudo isso tem trazido uma dificuldade muito grande na parte de ereção dos jovens homens.

 “Comecei a perceber o que faltava no meu atendimento: um olhar para o emocional dessas pessoas, de entender os traumas do passado, de perceber como aprenderam a relacionar-se”

 

 Integrall: Há 20 anos, casou com o cirurgião gástrico, Fernando Freitas, que, entretanto, se dedicou à consciência sistémica. A Carla também desenvolve esse trabalho. Há quantos anos decidiu dedicar-se a essa área?

Carla Queiroz: Há 20 anos, eu trabalhava em sexualidade médica, que envolve todo o processo físico, científico e hormonal da sexualidade e em tudo o que eu utilizava com os casais, que estavam em conflito na relação – esses conflitos são desencadeados por causas emocionais, traumáticas, individuais ou da própria relação do casal -, percebia que não conseguia ter um bom resultado no sentido de melhorar a qualidade do casamento dessas pessoas, não só de casais mais velhos, como dos mais jovens. Quando conheci o Fernando, comecei a perceber que ele trabalhava, exatamente, o que faltava no meu atendimento, que era um olhar para o emocional dessas pessoas, de entender os traumas do passado, pessoais, de perceber como essas pessoas aprenderam a relacionar-se, que foi com os seus próprios pais, e de como isso refletia no relacionamento que estavam a ter.

Uma vez o Fernando disse-se uma coisa que mudou os meus atendimentos e foi quando eu mergulhei na sistémica: ele disse-me: “experimente pedir às suas clientes que estão com problemas no casamento, uma roda das funções – que percentagem de energia colocam na função de filha dos próprios pais, como esposa do marido, como mãe dos filhos, como profissional e como mulher, consigo mesma. Foi uma virada de chave nos meus atendimentos, porque, de facto, quando eu comecei a aplicar essa roda das funções, eu vi que 90% das mulheres com problemas nos relacionamentos eram muito mais mães ou filhas do que esposas e mulheres.

 Integrall: A partir daí, a Carla foi estudar consciência sistémica?

Carla Queiroz: Sim, assim que eu comecei a namorar com o Fernando, como ele dá cursos todos os fins de semana, para poder estar com ele, eu acabei por assistir, também, aos seus cursos e, ao longo dos anos, as coisas começaram a fazer-me tanto sentido que eu mergulhei e comecei, juntamente com o Fernando, a escrever vários livros dos cursos que ele dava. A sistémica é uma ciência tão importante para a humanidade que não podia ficar só num curso para 20 ou 30 pessoas, dentro de uma sala, dado por alguém como o doutor Fernando Freitas, que é um génio da humanidade e o futuro vai dizê-lo. Perante material tão rico, eu comecei, nos meus plantões de ginecologia e obstetrícia, a transcrever os cursos do Fernando, dando-lhe ânimo de fazer os livros – atualmente tem sete publicados.

“Se não tomar essa decisão, o seu corpo vai tomar a decisão por si, vai acabar por adoecer de alguma forma para ter de a tomar”

 Integrall: Hoje em dia trabalha com ele?

Carla Queiroz: Hoje em dia, eu trabalho com ele, porque, há uns sete anos, eu estava, como diz o ditado, “com um pé em cada barco”, ou seja, com um pé na canoa da ginecologia e obstetrícia e outro na canoa da sistémica. Um dia o Fernando disse-me que eu precisava de tomar uma decisão – ou punha os dois pés num lado ou punha os dois pés no outro. Para mim, era muito difícil, porque as duas coisas estão ligadas, as duas coisas eram importantes juntas, mas, um dia, eu cheguei a casa muito cansada – atendia 40 pessoas por dia no Brasil -e disse ao Fernando: “eu não aguento mais atender mulheres em ginecologia”. Ele respondeu-me: “a vida está a colocar-te perante uma decisão, se não tomar essa decisão, o seu corpo vai tomar a decisão por si, vai acabar por adoecer de alguma forma, para ter de a tomar”.  Passado pouco tempo eu tive uma síndrome do túnel do carpo, que é uma lesão simples, muito comum em mulheres na menopausa e que faz com que os dedos comecem a formigar e que se perca a sensibilidade e a força nas mãos e, como ginecologista e obstetra, eu precisava das para operar, para tirar um bebé na hora de um parto, ou seja, aquilo começou a dar-me um sinal de que eu precisava tomar uma decisão. Nesse momento, o Fernando repetiu: “a sua mão já está a mostrar-lhe qual é a decisão que precisa tomar”, mas eu não quis ouvi-lo – fui operada à mão lá e o destino fez o seu papel. Acabe por ter uma neuropraxia – lesão leve e temporária do nervo periférico – e fiquei com o braço esquerdo paralisado por seis meses, ou seja, eu tive de fechar o meu consultório porque eu não conseguia operar mais, não conseguia mais atender as mulheres. Foi, nesse momento, há sete anos, que fechei o meu consultório e me entreguei de corpo e alma, literalmente, à sistémica.

 Intregall: Há quantos anos veio para Portugal?

Carla Queiroz: Há dois anos e meio. Foi também uma chamada do destino. O Fernando sempre gostou de Portugal, a família dele é da Ilha da Madeira e ele sempre teve vontade de fazer a experiência de morar fora do país. Com a pandemia, o Fernando conseguiu muitos seguidores aqui de Portugal e do mundo inteiro – atualmente, temos alunos em 46 países diferentes – mas como, aqui, temos a mesma língua, a nossa pátria-mãe, digamos assim, decidimos vir morar para Portugal e estamos a adorar este país maravilhoso que nos recebeu com tanto carinho e tanto amor.

Integrall: Apesar de ter abandonado a ginecologia e a obstetrícia, vir para Portugal fê-la querer voltar à especialidade. Porquê?

Carla Queiroz: Tenho sentido uma chamada muito grande desde que cheguei a Portugal. Cada vez que ligo o rádio sinto essa chamada quando ouço anúncios a dizer: “se é médico, se já se aposentou, volte a trabalhar, Portugal precisa de si”, quando ouço que mulheres em trabalho de parto têm de se deslocar para outra cidade, às vezes a uma hora de distância, sentindo as dores em trabalho de parto para conseguir ter aquele bebé.

 “Dói-me o coração quando ouço que mais uma mulher morreu no parto e saber que estou aqui e que poderia ajudar no sistema”

 Integrall: E a esperar que o bebé não nasça na ambulância como tem acontecido.

Carla Queiroz: E que dê tudo certo. Recentemente, ouvi, de novo, que uma mulher morreu na hora do parto por falta de assistência. Tudo isso me dá uma dor no coração, saber que eu estou aqui, que ainda tenho muito gás para trabalhar e que poderia ajudar neste sistema.

Integrall: Voltando à consciência sistémica, a Carla não acredita na exclusão do masculino com a finalidade de valorizar o feminino, até porque, como dizia há pouco, todos os homens nasceram de uma mulher. Que trabalho é que tem desenvolvido com os casais nessa área?

Carla Queiroz: Eu e o Fernando já fizemos vários trabalhos de sexualidade como casais e explicando como “o amor pode dar certo”, em cursos e palestras. O amor de um casal, para dar certo, precisa dos dois, independentemente de ser um casal hétero ou homossexual, porque é o nos dá uma força para seguir em diante, para fazer projetos para a sociedade e isso é o mais importante. Agora, na função e não no género, mesmo num casal homossexual, um faz papel yin/feminino e outro faz o papel yang/masculino, como se fossem as duas pernas para andarem para a vida. A união dessa energia do masculino com a energia do feminino é que causa a força do todo para conseguirmos mudanças no nosso planeta, no nosso mundo. Então, eu incluo os homens, sim, no sentido de eles valorizarem, não a mulher-mãe principal que os colocou no mundo, mas a função da mulher, que, no sistema, como um todo, é tão importante, independentemente do género.

“O diálogo entre um casal é a chave (…) é a porta mais importante para se encontrar uma solução em comum”

Integrall: Quais são as maiores lacunas que tem encontrado nos casais com quem tem trabalhado?

Carla Queiroz: Muita falta de diálogo. O diálogo entre um casal, repito, de dois géneros, do mesmo género, não interessa, o diálogo é a chave. O diálogo é a porta mais importante para se encontrar uma solução em comum e o respeito. São duas palavras: diálogo e respeito.

“Os casais não dialogam muito por causa do machismo, que é muito maior em Portugal do que no Brasil”

Integrall: Porque é que os casais não dialogam?

Carla Queiroz: Muito por causa do machismo, que é muito maior em Portugal do que no Brasil. A mulher não tem direito à opinião própria. Os homens acreditam que as mulheres não entendem nada de política, da sociedade e que elas têm de entender é da família e isso é uma crueldade. As mulheres são seres com uma capacidade multidisciplinar como nenhum outro no planeta, nem animal nem humano. As mulheres conseguem, ao mesmo tempo, preocupar-se com os filhos, saber o que está a acontecer casa, preocupar-se com o marido, resolver um problema no trabalho. Elas fazem tudo isto, ao mesmo tempo e com uma capacidade incrível. Então, que as mulheres não aceitem essa submissão, essa inferiorização dos seus parceiros e que, de facto, elas estudem, porque, no dia a dia corrido, elas deixam de ler um jornal, deixam de entender o que está a acontecer na política, em detrimento desse conhecimento e para terem tempo de fazer o que a família precisa: cuidar de um filho, manter a casa em ordem, fazer uma refeição, deixar tudo organizado. Que elas encontrem hoje um espaço para estudarem, para entenderem o que está a acontecer no planeta e abrir esse diálogo com os homens.

 “Cada um tem a sua realidade porque cada um interpreta o mesmo facto de formas diferentes”

 Integrall: O que é que beneficia os casais que fazem terapia em conjunto?

Carla Queiroz: Exatamente olhar para o outro com esse respeito, olhar para o outro entendendo que são diferentes, mas que podem ter um objetivo em comum. Existe uma fórmula da realidade, que o Fernando me ensinou e que utilizo muito com os casais – realidade é igual a facto e à forma como cada um interpreta esse facto – e muitas vezes, nos relacionamento, os homens e as mulheres querem convencer o outro do seu ponto de vista, que têm razão. Não existe isso. Cada um tem a sua realidade, porque cada um interpreta o mesmo facto de formas diferentes. Então, perceber isto ajuda muito os casais com quem eu trabalho: deixar de tentar convencer o outro que ele está errado e aceitar que ele pensa de forma diferente e respeitar essa diferença. A partir daí, os casais vão olhar para a frente, sem ficar a discutir um com o outro. Vão olhar para o que têm em comum e para como cada um pode colaborar para que esse projeto em comum possa acontecer.

 “O relacionamento é como um banco de três pés: os projetos pessoais da mulher, os do homem e o projeto do casal”

 Integrall: Quais são as principais mudanças a que tem assistido nos casais que acompanha?

Carla Queiroz: Voltando um pouco aos relacionamentos, eu costumo fazer a analogia, dizendo que são como um banco com três pés: o primeiro são os seus projetos pessoais, da mulher, o segundo são os projetos pessoais do homem e o terceiro pé é o projeto do casal. A mulher precisa colocar 50% e o homem 50% de energia no terceiro pé do banquinho que é o projeto do casal. O amor que faz o relacionamento é chamado amor eros. É o único onde existe um equilíbrio de dar e receber – 50/ 50. Se o casal se separou é 50% de responsabilidade de cada um, se o relacionamento deu certo, é 50% de responsabilidade de cada um. Se tiveram um filho é 50% de responsabilidade de cada um.

Integrall: E os outros 50%?

Carla Queiroz: Os outros 50% a mulher precisa de usar com ela, no feminino dela, fazendo coisas que abasteçam a energia do feminino, para ela depois voltar para o casamento e descarregar no homem e homem precisa dos outros 50% para abastecer no universo do masculino, porque senão eles vão-se exaurindo, vão-se esgotando e depois começam as discussões. A energia do terceiro pé do banco, não é a prioridade, a prioridade é o pessoal de cada um. O projeto do casal é secundário, mas muitos casais colocam como os projetos do casal, que são os filhos, como prioridade e aí, essa energia vai perder a força, porque, quem dá energia e força ao terceiro pé do banco, que é o projeto do casal, é exatamente o projeto pessoal de cada um. Então, respondendo à pergunta sobre o que eu tenho feito para ajudar os casais que acompanho e como tenho visto isso influenciar a melhoria dos relacionamentos? É exatamente os dois deixarem de colocar o projeto do casal como foco principal e respeitar que cada um precisa de pôr a energia no seu projeto pessoal. Isso é fantástico para fazer o banco ter de novo os três pés do tamanho certo, iguais, para poder haver um equilíbrio no relacionamento. A analogia funciona muito bem porque o banco não fica em pé com dois pés, nem se um dos pés for grande e o outro for pequeno.

“De ciclo em ciclo, é preciso refazer o contrato do relacionamento, como em qualquer parceria”

 Integrall: É este o trabalho que tem feito com os casais que acompanha?

Carla Queiroz: É isso, para além de tantas outras coisas.
A mulher tem uma capacidade maior do que o homem de fomentar a relação, de ter uma atitude mais amorosa, mais carinhosa, mais delicada. O homem é mais focado, mais objetivo. Então, primeiro, eu digo aos casais: “não tente fazer com que o seu marido se transforme numa mulher, ou que o seu parceiro faça aquilo que faz, porque aquilo é seu e aceite que ele seja como ele é e que seja complementar àquilo que é”.

Uma vez, fiz um curso que se chamava “Apimente a sua relação”. Apimentar uma relação não é sexo, não é usar vibrador ou gel, nada disso. É acordar de manhã com o maior amor do mundo, com o maior carinho do mundo, de coração aberto e preparar um pequeno-almoço diferenciado para o parceiro e fazer uma brincadeira pelo meio – essas brincadeiras apimentam muito a relação-, fazer um jantar romântico de 15 em 15 dias, tirar férias só os dois, sem os filhos, com um novo contrato de relacionamento. Uma das coisas que também ajuda muito os casais é novos contratos de relacionamento para novos ciclos da vida. Um casamento é um contrato, é um ciclo da vida, só com duas pessoas. Depois, quando vem um filho, tem de se refazer o contrato, vai haver um período desse casamento onde o casal vai ter de olhar mais para aquela criança, que precisa de atenção, mas é por um período. O problema é que, às vezes, o casal fica nesse período para o resto da vida. Então, de ciclo em ciclo, é preciso refazer o contrato do relacionamento, como em qualquer parceria. Se há um funcionário que entrou como porteiro e um dia, lhe pede aumento e resolve dar-lho, mas ele é de confiança e de porteiro passa a secretário, vai fazer um contrato de secretário. Não vai mantê-lo secretário com um contrato de porteiro. A escalada da vida precisa ser pontuada com novos contratos de relacionamento. O momento de refazer o contrato é o momento de abrir o seu coração e não de apontar o dedo, acusando o outro de não ser o que queria que ele fosse, mas, sim, de perguntar-lhe:” Amor, o é que que eu poderia fazer para melhorar a nossa relação?” Abrir o seu coração para ouvir o que o outro tem para falar antes de acusá-lo porque fez ou não fez alguma coisa. Depois de abrir o seu coração, deve perguntar-lhe se lhe permite também dizer o que gostaria que para que a relação pudesse melhorar nesse novo contrato, nesse novo ciclo. Aí, sim, com amor, a palavra é essa, com amor, os dois conseguem refazer um novo contrato de relacionamento e passar por mais um ciclo da vida até ao próximo ciclo.

Tags: Consciência SistémicaConstelações FamiliaresMenopausasaúde femininasexualidade

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