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Home Desenvolvimento Pessoal

“Somos todos almas feridas”

by Sandra Xavier
Dezembro 18, 2025
in Desenvolvimento Pessoal, Em destaque, Saúde e Bem Estar
“Somos todos almas feridas”

Foto publicada no site de Maria del Mar Cervantes

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É psicóloga clínica, mas cedo percebeu que o ser humano precisa de um olhar mais abrangente, integrado, como um todo. Depois de casar com um português, a espanhola Maria del Mar Cervantes, fez de Portugal a sua casa, construiu carreira e foi onde se tornou pioneira ao abrir uma clínica e uma escola, a Mentara, dedicada à Psicoterapia Somática – profissão que luta para que seja regulamentada e independente. “É uma questão de tempo”, disse, em entrevista ao Integrall.
Enquanto tal não acontece, continua a desbravar caminho, certificando centenas de psicoterapeutas. Ao mesmo tempo, prossegue o seu propósito de levar a psicoterapia a todos, através da clínica social, com
consultas a preços acessíveis.

Integrall: A Mentara é um espaço certificado internacionalmente que se dedica à psicoterapia e ao bem-estar. Há quantos anos existe?

Maria del Mar Cervantes: Este espaço, como empresa e escola, existe desde 2006 e desde outubro deste ano, mudámos ara novas instalações. Nasceu com o propósito de oferecer algo, que tivesse uma coluna estruturada porque nestas áreas de desenvolvimento, o trabalho peca, às vezes, por não ter certificação, acreditação. Esse foi sempre o meu objetivo: ter um pé no sistema para poder cuidar dele – não é tudo mau, mas há muita coisa que precisa de ser cuidada-, e ao mesmo tempo, ter a liberdade de poder fazer aquilo em que eu acredito. Então, esta escola-clínica surgiu, em 2006, já com as acreditações necessárias, tanto nacionais como internacionais para poder oferecer às pessoas que nos procuram algo diversificado e alternativo, mas, ao mesmo tempo, com muita estrutura, tanto a nível académico como transpessoal.

Muitas vezes, digo aos meus alunos que gostava que tivessem uma linguagem, primeiro, para eles próprios, e depois para dar o mundo, em que pudessem falar com alguém que trabalha a psiquiatra, que trabalha na espiritualidade, com alguém que trabalha na neurociência, no fundo, para poderem ter uma via integrativa.

 Integrall: Porquê Mentara?

Maria del Mar Cervantes: Mentara surge como uma necessidade de transformar o nome que nós tínhamos, que era muito mais clássico – Centro de Psicoterapia Somática -, e que foi maravilhoso durante o tempo que durou para ser mais abrangente. Mentara é uma palavra que se pode dizer em qualquer idioma, não tem tradução, junta mente e ar, que fala de respirar, que foi como começou toda a psicoterapia corporal – com a observação da respiração. Aliás, tudo na vida começa com a respiração: a primeira coisa que fazemos é inspirar e a última é expirar. Por isso, Mentara surge de uma combinação simples – eu adoro coisas simples-, entre a mente, a consciência e o ar.

DR

Integrall: Porque decidiu vir para Portugal?

Maria del Mar Cervantes: Eu estou em Portugal desde 1994, casei-me com um português, o amor é assim, não é? Quando conheci o meu primeiro marido em 1990, tinha 19 anos –era muito aventureira -e achei que era interessante conhecer outras culturas e gostei imenso da portuguesa. Então, lancei-me a vir para cá e não estou nada arrependida, é um país muito amável. Assim comecei a minha carreira, construi-a desde muito cedo.

Integrall: Nessa altura, já se dedicava à psicoterapia?

“Fazia falta em Portugal uma escola que tivesse coluna vertebral na área da somática”

 Maria del Mar Cervantes: Sim, sempre fui psicóloga, sempre me dediquei à psicoterapia. Fiz muitas formações em PNL, em gestalt, em bioenergética, biodinâmica, biossíntese, naturopatia, homeopatia, osteopatia. Na altura, já trabalhava com grupos terapêuticos, mas como o trabalho consultório é muito solitário, eu ia, também, a congressos, dava aulas – fazia muita coisa – e fui-me dando conta que fazia falta, em Portugal, uma escola que tivesse coluna vertebral na área que eu seguia, que era a linha somática. Como não havia uma escola que se dedicasse a toda a vertente corporal, bioenergética, biossíntese – que foram grandes inspirações para mim – decidi criá-la. Comecei a dar espaço ao que é a escola, a clínica, a dar estágio aos alunos, a fazer todo um processo que demorou o seu tempo, até 2006, mas, digamos, que a escola funciona, desde 1999, só que, até 2006, funcionava de uma forma mais livre – os professores vinham de fora, nós arranjámos os hotéis, as salas, ou seja, não tinha ainda um corpo, como tem hoje.

Integrall: Pode dizer-se que a Maria del Mar foi pioneira na área da saúde integral, em Portugal?

Maria del Mar Cervantes: Eu acho que não sou a única, obviamente, há mais pessoas que fazem isso, mas a, realmente, juntar a psicoterapia, com o corpo, com a medicina, com a parte transpessoal, posso dizer que fui uma das primeiras, mas eu não aspiro narcisicamente a ter um pódio de coisa nenhuma, não estou nada interessada nisso. O que estou interessada é em fazer uma coisa interessante – nós vamos morrer, chegamos todos a uma finitude nesta existência-, portanto, mais do que eu considerar-me uma pioneira, quero considerar-me uma pessoa que ajuda a que as pessoas, de facto, cheguem a algum lugar.

“A medicina precisa de nós e nós precisamos da medicina”

 

DR

 Integrall: Mas desbravou o caminho e nesse aspeto foi pioneira.

Maria del Mar Cervantes Sim, no aspeto de dar uma estrutura, credibilidade, de criar uma ponte para dar seriedade a esta área, que às vezes era considerada – e ainda é – estranha, alternativa, sim. Não é alternativa, é complementar. Podem dizer o que quiserem. A medicina precisa de nós e nós precisamos da medicina, portanto, sim, podemos dizer, que nesse sentido, é complementar.

Integrall: Em que momento surgiu, na sua vida, essa vontade de olhar para o ser humano como um todo?

Maria del Mar Cervantes: Eu dedico-me a isto desde muito nova. Não tenho a história das pessoas que têm um percurso, uma profissão, algo acontece nas suas vidas, querem mudar e então, enveredam por outra profissão. Eu tenho esta vontade, esta visão desde sempre, não me lembro de mim de outra maneira. Aliás, quando era muito pequena – e ainda não entendia certas coisas-, lembro-me de querer fazer pontes. Lembro-me que lia livros estranhos, o meu pai era escritor, era muito culto e abriu-me muito a mente, eu tinha acesso, em casa, a livros sobre tudo. Como não me adaptei muito bem na adolescência, não foi muito fácil para mim, eu passava muito tempo sozinha, lendo e tentando perceber o mundo e porque me era difícil adaptar-me, isso deu-me um tempo maravilhoso para poder olhar para mim e perceber que tudo está relacionado. Então, o que fui encontrando foi para complementar, ampliar e ensinar-me aquilo que já estava dentro de mim.

“O (auto)conhecimento começa por um momento egoísta saudável”

 Integrall: Começou por ser uma autodidata?

Maria del Mar Cervantes: Sim e como qualquer pessoa, acho que temos de ser humilhados para entender tudo isto: somos todos umas almas feridas. Foi um pouco como a história do Quíron, o centauro que segundo a mitologia grega era um curador que, uma vez, ficou ferido e passou a vida inteira a tentar curar a sua ferida – algo que nunca acontece totalmente-, mas, enquanto foi tentando encontrar a cura, encontrou-se a si próprio, aprendeu a conhecer-se melhor e a superar-se. Ele foi muito mais rico pelo que encontrou no caminho do que pela cura da própria ferida. Então, para perceber-me a mim, para perceber o mundo – acho que o (auto)conhecimento começa por um momento egoísta saudável – comecei a interessar-me por estes temas e depois surgiu a possibilidade de partilhá-lo e de poder ajudar os outros como terapeuta.

“A Mentara forma profissionais e tem uma clínica social que atende pessoas a baixo custo (…) o mundo ficou muito individualista. É preciso dar, colaborar, criar comunidade, ajudar os outros”

 Integrall: A Mentara tem conseguido cumprir a missão de levar a psicoterapia a todos?

Maria del Mar Cervantes: Calculo que sim. Eu digo sempre que a Mentara é como se fosse o meu quarto filho. Tenho três filhos e a Mentara é como se fosse o quarto.

A Mentara tem como objetivo formar profissionais e tem, também, uma clínica social, que atende as pessoas a baixo custo, ou seja, garantimos estágios aos nossos alunos que, depois, ficam com o seu consultório – dá-me uma alegria enorme eles terem um futuro profissional aqui, sobretudo, se trabalharem bem – e, ao mesmo tempo, atentem as pessoas que nos vêm pedir ajuda, por um preço simbólico, muito menor do que o preço de mercado. Essas pesoas podem ser acompanhadas pelos nossos colegas, tanto a nível privado como da clínica social, através da qual prestamos um serviço à comunidade.

Portanto, o meu objetivo é formar pessoas que façam a diferença no mundo, na sociedade, nos grupos, nas suas diferentes valências, que toquem as pessoas e, ao mesmo tempo, ajudem aqueles que nos procuram, porque nem toda a gente quer ser psicoterapeuta e terapeuta. Nós temos uma clínica vastíssima, com cerca de 50 terapeutas. É terapia a baixo custo, mas com supervisão. É com base nessa terapia e nas horas de atendimento que os nossos alunos obtêm o seu diploma, no final do percurso. Eles têm de dar muito para poderem receber, não só a acreditação como, também, perceber que o mundo – que ficou muito individualista. É preciso dar, colaborar, criar comunidade, ajudar os outros.

“O objetivo da Psicoterapia, como área, é o de um dia ser uma profissão independente”

Integrall: Quando fala em formar profissionais são pessoas que já têm uma licenciatura em Psicologia, mas querem enveredar pela Psicoterapia Somática?

Maria del Mar Cervantes: Nós temos uma acreditação nacional e europeia. O objetivo da Psicoterapia, como área, é o de um dia ser uma profissão independente, como foi, um dia, a Psicologia, que se desligou da Medicina. Está em processo, mas, neste momento, é uma especialização, que dura cerca de cinco anos. São quase três mil horas de uma formação muito sólida, de transformação pessoal e de conhecimentos. Portanto, os requisitos para entrar são os de uma licenciatura, que pode ser em Psicologia, Medicina, Enfermagem, mas as pessoas que não têm uma licenciatura nestas áreas, com um currículo muito concreto e com uma entrevista, podem, também, candidatar-se, embora depois tenham de fazer, ad hoc, alguns exames à parte, de psicopatologia, teoria de desenvolvimento, técnicas de diagnóstico para poderem ter uma linguagem clínica. Se passarem na entrevista, poderão aceder ao diploma europeu. O que nós queremos é que sejam pessoas maduras, obviamente, maiores de 23 anos, que tenham por objetivo fazer um percurso extraordinário em que, para além da componente académica vão ser, elas próprias, o seu objeto de trabalho. É uma formação muito focada no desenvolvimento da consciência, do corpo, do que se tem para dar e aprender também a dar para os outros, mas onde o aluno é o principal objeto do estudo.

Integrall: Quantas pessoas já formaram ao longo destes 20 anos?

Maria del Mar Cervantes: Centenas. Temos alunos, aqui, em Espanha, e no Brasil.

Integrall: Quem são os professores que trabalham consigo na sua equipa? São das mais variadas áreas?

Maria del Mar Cervantes: Sim, são pessoas de várias áreas. Temos psicólogos, psicoterapeutas, médicos. Alguns deles até foram alunos meus durante algum tempo. Eu adoro caçar talentos, adoro, se eles crescem, eu cresço. Todos crescemos. Portanto, é uma equipa multidisciplinar, mas são, sobretudo, pessoas com uma formação e entrega muito sólidas.

DR

“O mundo mudou, mas o corpo não mudou”

 Integrall: É preciso ter uma formação séria na área de cuidar das pessoas?

Maria del Mar Cervantes: Sem dúvida e é o que eu acho que está a faltar porque o caminho do ser humano é questionar-se, questionar o que está a passar. O mundo mudou, mas o corpo não mudou, ainda vai lento. É mesmo preciso uma formação sobre como cuidar, como dar, mas também sobre como está o próprio aluno, a autoformação é importantíssima. Uma formação em que o aluno é passivo não me faz sentido há muitos anos. Ele tem de colaborar, tem de fazer terapia, supervisão, trabalhar em todos os temas. Esta coisa de decorar é muito importante – eu também adoro ler – é fundamental, mas há que fazer muito mais do que isso e há poucas escolas a fazê-lo no mundo.

“Só levar livros para casa e fazer exames é absurdamente pouco pedagógico”

Integrall: É nessa forma de ensinar que se distingue a Mentara?

Maria del Mar Cervantes: Sem dúvida. Uma coisa que fazemos aqui é que há muito estudo mas, também, muita prática desde o primeiro dia: os alunos começam a ouvir o outro, a ouvir-se a si próprios, a meditar, a observar-se, a fazer psicoterapia individual. Nós temos um sistema integrado em que as pessoas quando entram, entram para fazer um autodesenvolvimento profundo e um estudo profundo e para isso, nós damos-lhes as valências e as ferramentas necessárias. Não é só levarem livros para casa e fazerem exames, isso é absurdamente pouco pedagógico. Os exames, aqui, são dinâmicos, são mergulhos autênticos, há monografias, há trabalhos de investigação, há partilha entre colegas, há retiros, há viagens em conjunto. É muito importante darmo-nos conta que a forma de ensinar e de receber precisa de ser integrada, não aprendemos só cognitivamente, aprendemos porque somos tocados e porque tocamos, porque somos afetados e levamos isso para casa, para a nossa vida, o que se impregna fica experienciado.

Integrall: Devia haver regulamentação nesta área?

Maria del Mar Cervantes: A Federação Portuguesa de Psicoterapia (FEPSI), que fundei com outros colegas, está a lutar, já há vários anos, para a regulamentação da profissão de psicoterapeuta somático, que é uma área que inclui o corpo mas, também, outras psicoterapias – há mais de 21 modalidades – e que ainda não é regulamentada, em Portugal. Há uma luta como houve na época em que os médicos não queriam que os psicólogos fossem profissionais. Agora, são os psicólogos – têm as suas razões – que não querem que os não psicólogos sejam psicoterapeutas, mas acredito que é uma questão de tempo. Para mim, que sou psicóloga e psicoterapeuta, o que tem de haver não é um psicólogo ou psicoterapeuta, tem de haver uma formação em psicoterapia, suficientemente, sólida para dar seriedade, cuidado adequado, ética e uma formação estruturada para ajudar, realmente, as pessoas. A regulamentação vai permitir-nos continuar a oferecer tudo isto, com os padrões elevadíssimos da Sociedade de Psicoterapia e do Conselho Mundial de Psicoterapia. Às vezes, precisamos de explicar às pessoas – e até mesmo a muitos colegas psicólogos – que uma coisa é uma formação sólida em psicoterapia, que exige muitos anos de estudo e de dedicação e outra, é um curso de fim de semana, em que não há dedicação, compreensão, não há um processo de desenvolvimento de excelência, no sentido de criar bons profissionais. É precisa regulamentação e é isso que fazemos na Mentara – um curso de cinco anos -e trabalhamos em conjunto com a Federação Portuguesa de Psicoterapia e também com a Associação Europeia de Psicoterapia.

 Integrall: Que dificuldades têm sentido para conseguir a regulação da psicoterapia como profissão?

Maria del Mar Cervantes: As dificuldades têm a ver com desconhecimento, porque, muitas vezes,não se sabe o que é um psicólogo, quanto mais uma psicoterapeuta. A saúde mental e os processos são coisas difíceis de explicar porque vivemos numa sociedade de produtividade, de consumo, de dar o melhor, de liderança. Na FEPSI, fomos falar com políticos para lhes explicar a diferença entre a psiquiatria, psicologia e psicoterapia, dizer-lhes que não somos bruxos – nada disso-, e eles não faziam a mínima ideia de nada. Muitos ficaram supresos e encantados.  Portanto, é um processo que não está regulamentado, por um lado, por desconhecimento, e por outro, porque existem forças contra, sobretudo, da Ordem dos Psicólogos, que se sente ameaçada – em vez de olhar para isto como uma mais-valia, que podemos trabalhar em conjunto – e faz muita pressão para que sejam eles a coordenar, a liderar dentro da psicologia, quando esta é uma área que funciona desde 1994/1995. Na Associação Europeia de Psicoterapia (EAP), somos um grupo de milhares de pessoas, repartido por vários países, com escolas em psicoterapia, que, há muito tempo, chegámos a esta conclusão. Além disso, temos a Lei do Código de Estrasburgo, que diz que qualquer pessoa que não seja psicólogo nem médico pode ser profissional da psicoterapia, desde que esteja numa escola com padrões de ensino elevados.

Integrall: Como é o caso da vossa?

Maria del Mar Cervantes: Como é o caso da nossa, que tem padrões até maiores do que os da EAP. Mas, de facto, a grande fronteira, além do desconhecimento, é da própria Ordem dos Psicólogos, que não nos conhece. Eu tenho convidado psicólogos da Ordem a virem aqui e a percebem o que nós fazemos e quando vêm, ficam encantados. Quando não se conhece algo, fica-se com a sensação de ameaça. Então, há uma guerra, de alguma forma política e também económica, porque sinto que se sentem ameaçados, mas temos como dialogante a FEPSI e esperamos que tenham uma abertura maior de mente – penso que, no futuro, aecontecerá -não para que nos regulem, mas para que não nos impeçam a regulação. Nós não queremos que sejam os psicólogos a regular-nos. O que queremos é que não impeçam a regulação e que sejam nossos parceiros, porque não estamos contra eles, mas eles estão um pouco contra nós.

 Integrall: A Maria del Mar é a presidente da FEPSI?

Maria del Mar Cervantes: Não, eu já não estou nos cargos diretivos, eu sou a delegada nacional da Associação Europeia da Psicoterapia – sou representante da Europa aqui e sou uma das fundadoras da Federação Portuguesa de Psicoterapia.

Integrall: Em que países é que já há regulamentação?

Maria del Mar Cervantes: Em Malta e Irlanda, os restantes estão em processo.

 “O psicólogo trabalha muito no comportamento, no que é visível e o psicoterapeuta trabalha no que é mais profundo”

Integrall: Qual é a diferença entre o que faz um psicólogo e um psicoterapeuta?

Maria del Mar Cervantes: Para além do que faz é também como se forma um psicólogo, que tem pouca prática clínica. É um trabalho mais de estudo, não é obrigatório que tenha psicoterapia individual, portanto, de alguma forma – eu própria o senti enquanto me formava-, o psicólogo conhece muitas teorias, é capaz de fazer algum tipo de diagnóstico, é como ele se fosse o clínico geral, que pode despistar e fazer alguns testes – e isso pode, sem dúvida, fazer a diferença -, mas um psicoterapeuta é alguém que acompanha a pessoa no processo inconsciente, na consciência, no corpo, que vai muito mais a fundo, ao nível do que se passa, não é só comportamental. O psicólogo trabalha muito no comportamento, naquilo que é visível e o psicoterapeuta trabalha naquilo que é muito mais profundo, na consciência, na inconsciência, nos valores, na parte orgânica, em como a pessoa adoece, como não adoece, que mecanismos tem de respiração, na linguagem do corpo, na linguagem transpessoal, na linguagem de sistemas, ou seja, tem uma formação muito sólida para ir mais fundo. O objetivo não é reduzir a sintomatologia, é fazer um caminho de vida, que é muito diferente de trabalhar com o comportamento visível.

Integrall: Onde é que entra o psiquiatra?

Maria del Mar Cervantes: O psiquiatra é um médico, tem um ato médico. Quando a sintomatologia da pessoa a perturba de tal forma que não consegue fazer uma vida normal, então, pode haver um psiquiatra. Nós temos isso, também, integrado aqui na escola. Eu não sou contra a medicação, sou contra o excesso de medicação. Acho que para medicar uma pessoa, ela tem de ter muito, muito, muito, muito sofrimento. O psiquiatra intervém, utilizando fármacos, para regular a parte química da pessoa e ajudá-la a reduzir sintomatologias, que podem ser insuportáveis para conseguir trabalhar ou dormir, que a impedem de ter uma vida normal.

 “A visão da pessoa não pode ser por partes. Eu não vou ao médico com uma queixa do fígado e deixo a minha cabeça ou o meu coração em casa”

Integrall: Voltando à Mentara, a vossa escola aborda a pessoa como um todo, tem um olhar integral do ser humano.

Maria del Mar Cervantes: Sim, sem dúvida. Aliás, foi uma das coisas que me chamou desde muito cedo, é que nós não podemos trabalhar com a pessoa só por aquilo que pensa, diz ou emocionalmente expressa. Não podemos deixar de lado o porquê de adoecer de cancro, ou de ter dores, ou de ter problemas na visão, de pele, e o que, habitualmente, lhe acontece quando está mais stressada, o que lhe provoca emoções mais explosivas, porque se contém, porque se expressa, porque tem aquele tom de voz, porque se veste daquela forma, porque tem aquele gesto, qual é a sua família, a sua origem, a sua cultura, como se relaciona com o transpessoal, com a morte, com a vida. O que podemos saber da sua biologia? Adoro Biologia, eu fiz um doutoramento em Psicossomática e Biologia Neural para juntar a todo este conhecimento. Portanto, a visão da pessoa não pode ser por partes. Eu não vou ao médico com uma queixa do fígado e deixo a minha cabeça ou o meu coração em casa. Eu vou com o meu fígado, com o meu coração. Então, é muito importante que o médico me pergunte como está a minha vida, mas não o faz. Eu não posso ir ao psicólogo queixar-me que tenho problemas com a minha sogra e ele não me perguntar quais são os meus valores, não trabalhar comigo a respiração, o corpo, não perceber de biologia, de vinculação, de campo seguro, de trauma. Portanto, o ser humano é muito complexo e incluir tudo, é mais simples do que parece. Temos de estar atentos.

“Não se sabe se é o corpo que contém a alma ou se é a alma que contém o corpo, mas é o corpo que concretiza o abraço, a angústia, a raiva”

 Integrall: O corpo fala?

Maria del Mar Cervantes: Sem dúvida.

 Integrall: Como é que o corpo fala connosco?

Maria del Mar Cervantes: O corpo fala aquilo que a mente mente. A mente mente. O corpo não mente. O corpo está constantemente a dizer-nos como é que nos sentimos: quando ficamos mais irritados, quando estamos num sítio em que não nos sentimos bem, quando temos um ataque de tosse numa reunião, que é uma forma de nos dizer que estamos a ouvir uma coisa que não queremos e não conseguimos engoli-la. Nós temos movimentos inconscientes no corpo, como as crianças quando, por exemplo, estão muito irritadas e batem as pernas porque querem sair a correr naquele momento, mas não podem. O corpo está constantemente a dizer como é que estamos a sentir-nos no mundo. Quando eu estou triste, é no peito que eu coloco a mão. Quando eu me esqueço de algo, é na cabeça que coloco a mão. O corpo está sempre a falar connosco e não se sabe se é o corpo que contém a alma ou se é a alma que contém o corpo, mas é o corpo que concretiza o abraço, a angústia, a raiva. A todo o instante estão a acontecer coisas dentro de nós e as doenças são a expressão de tudo isso.

DR

Integrall: Como é que interpretam as mensagens do corpo?

Maria del Mar Cervantes: Nós temos uma formação, que se chama Psicossomática e Epigenética para psicoterapeutas. É outra formação para percebermos a linguagem dos sintomas. Não fazemos uma intervenção médica porque não é esse o objetivo, mas, percebemos como é que chega a doença até nós, o que nos quer dizer, o que nos obriga e não obriga a fazer. O que é que a fibromialgia obrigada a pessoa a fazer? Obriga-a a parar e a perceber o que está a acontecer na sua vida. Por exemplo, em pessoas com fibromialgia, vamos encontrar padrões parecidos: mentes muito rígidas, muito exigentes, em que lhes é muito difícil alterar a flexibilidade de pensamento e o seu corpo termina a gritar – obviamente, que esta é uma explicação muito simplista, mas estou só a fazer uma analogia. Por exemplo, em pessoas com cancro, se observamos como estava a sua vida três anos antes, vamos descobrir muitos gatilhos. É muito interessante. Há muitos anos que faço isto na psicossomática com os meus pacientes- que é um ambiente seguro, em que baixam as defesas – e quando lhes pergunto porque acham que ficaram doentes, todos sabem.

Integrall: E porque é?

Maria del Mar Cervantes:  As pessoas dizem: “foi quando me separei, foi quando me despediram, foi quando a minha mãe adoeceu, foi quando perdi a minha amiga”, porque é quando prestam mais atenção a si mesmas, é quando olham menos para fora e mais para dentro. Nessa altura, elas sabem tudo. É quando há um choque no corpo, que é insuportável, é inesperado, é quando se vive em solidão e não se tem uma solução, quando se vive de forma isolada, absolutamente dramática – sobretudo, dramática -, que o corpo sofre um impacto e tem de dar uma resposta. Então, começa a produzir medo, raiva, os órgãos começam a produzir de forma exagerada ou a deixar de produzir coisas que fazem falta, desenvolvendo doenças. É como dizia Carl Gustav Jung, “a doença vem para curar o homem, vem para dizer coisas”. É bom que façamos algo com isso.

“O que não é expresso, fica pervertido”

 Integrall: Qual é a importância de as pessoas viverem as emoções, em vez de as taparem, no processo de evitar uma doença?

Maria del Mar Cervantes: A emoção é uma energia. Se uma pessoa tem uma emoção muito forte, por exemplo, tristeza e a engole, não fala, não pede ajuda, não faz um mergulho para perceber como está, quando não expressa, o que não expressa fica perverso. É uma das primeiras frases que os alunos aprendem aqui:” o que não é expresso, fica pervertido”. O que não é dito, fica por dentro, perturbado. Uma energia que não se expande, que não se encontra uma forma de partilhar, fica, como qualquer outra, implodida e há órgãos que têm similitude: a tristeza, habitualmente, vai para as vias respiratórias, a raiva vai mais para o fígado e para a vesícula, a impossibilidade de movimento e rigidez, vai para os ossos – de uma forma muito simples, é isto que trabalhamos aqui. Ao não ser expresso, o organismo tem de dar uma resposta, tem de lidar com aquilo a que não está a conseguir dar vazão e é aí que o corpo se expressa e fica a sintomatologia.

Integrall: A Mentara e a Maria del Mar -e a sua visão integrativa da saúde-, já ajudaram muitas pessoas?

Maria del Mar Cervantes: É o que mais alegria me dá: as milhares de pessoas que temos seguido na clínica e na escola. A minha maior alegira é saber que isto está a acontecer, há muito tempo e que há muita gente a vir ter connosco.

Integrall: A que transformações já assistiu na vida das pessoas?

Maria del Mar Cervantes: Transformações de pessoas em relações ou em trabalhos, onde estavam a adoecer e tinham uma sintomatologia gravíssima, de queda de cabelo, problemas de pele e que começaram a fazer um percurso e a sentir mais energia, mais vontade de viver, mais erotismo. A profissão é o que me vem à cabeça, mas já vi pessoas em que o que era impossível se tornou possível, pessoas que foram a viver para outros países e se dedicam, agora, a viver num sítio mais simples.

Lembro-me de um paciente que, com a crise financeira de 2008, com a crise do subprime, perdeu tudo: a mulher, o dinheiro e foi temendo, porque ele estava muito stressado, com muitas questões e chegou aqui numa situação muito dramática, praticamente sem dinheiro -, claro que o atendemos -, para ele, o mundo estava horrível, queria matar-se, tinha um impulso para o suicídio muito grande. Fomos trabalhando para que percebesse que todas as crises têm perigo e oportunidade e pouco a pouco, foi entendendo que tudo é passageiro. Um dia, ele estava sentado com o seu filho num jardim e compraram um gelado barato – ele que habitualmente comprava coisas caríssimas – e então, o seu filho de cinco anos disse-lhe: “tu perdeste a idade” -que foi a forma de dizer ao pai que parecia mais jovem – e acrescentou: “gosto muito mais de ti agora, podemos fazer isto sempre”.

Integrall: São essas as coisas que a marcam?

Maria del Mar Cervantes: São coisas que me marcam porque é o coração, é a abertura da mente e é perceber que a vida exige muito mais do que aquilo que parece, mas podemos ser muito mais felizes sendo muito mais profundos e simples.

Tags: Maria del Mar CervantesMentaraPsicoterapia somáticaSomática

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