Tal como Fernando Pessoa, o astrólogo Luís Resina frequentou a licenciatura de Filosofia, mas abandonou. Na senda do autoconhecimento, encontrou na astrologia aquilo que procurava não só na Filosofia, como também na Psicologia.
Foi no estudo dos astros, a par de outros saberes tradicionais, que descobriu as respostas, que, hoje em dia, ajuda a dar aos outros, seja em consulta, cursos ou workshops.
Apesar de não se mover pelas previsões astrológicas, Luís Resina explicou, ao Integrall, o que se espera dos próximos tempos, a começar, já por esta sexta feira, 20 de fevereiro, com a conjunção exata de Saturno/Neptuno a zero graus do signo de Carneiro.
Integrall: Frequentou Filosofia na Faculdade de Letras de Lisboa, altura em que começou a dedicar-se à prática astrológica. Foi o estudo da de Fernando Pessoa que lhe suscitou o interesse pela astrologia?
Luís Resina: Sim, eu já me interessava por Fernando Pessoa, mas quando soube que ele tinha estudado astrologia pensei que, se ele teve interesse por isso, é porque, realmente, havia qualquer veracidade nesta linguagem e então, aproveitei. Houve um dia, em 1975, que abri o jornal vespertino, “A Capital” e o centro de Rosa Cruz, em Lisboa, ia, pela primeira vez, abrir ao público, um curso de ensino da astrologia. Era um curso para ensinar como é que se fazia um mapa astral – naquela altura fazíamos tudo à mão, não havia computadores, era tudo à mão – e eles ensinavam a fazer esse trabalho à mão. Começou aí e depois, gostei, interessei-me e fiz o resto por mim próprio, fui um autodidata, tal como o Fernando Pessoa, mandava vir livros de fora e foi assim que eu desenvolvi o estudo desta linguagem cósmica.
“Se Fernando Pessoa teve interesse na astrologia, é porque, realmente, havia qualquer veracidade nesta linguagem”
Integrall: O que é que em concreto em Fernando Pessoa lhe despertou o interesse? Foi o heterónimo Rafael Baldaia?
Luís Resina: Não, isso só vim a saber muito mais tarde. No início, interessou-me mais perceber a linguagem astral e depois, quis perceber porque é que o Fernando Pessoa distribuiu aqueles mapas dos principais heterónimos: o Alberto Caeiro, o Ricardo Reis e o Álvaro de Campos. Fui desenvolvendo o estudo e só mais tarde, percebi que havia, realmente, um Rafael Baldaia por trás disso.
Integrall: Como é que foi o seu percurso profissional até ter descoberto a astrologia? Chegou a terminar a licenciatura em Filosofia?
Luís Resina: Não, não, foi como o Fernando Pessoa. Pessoa também se matrículou em Filosofia e abandonou e eu abandonei o curso a meio, também.
Integrall: Não chegou a terminar. Começou logo a exercer astrologia?
Luís Resina: Não. Fui estudar cinco anos por mim próprio e depois é que a vida me empurrou para ser astrólogo.
Integrall: Como é que foi esse empurrão?
Luís Resina: Tinha um amigo, que também era astrólogo e trabalhava na TAP, o Mário Filipe, que já desencarnou, e que um dia me telefona e diz: “convidaram-me para um programa na televisão – o ‘Bom dia Portugal’ com o Raúl Durão-, mas eu sou introvertido. Tu não queres vir?”. Eu disse que não era bem aquilo que eu gostava de fazer, mas aceitei. O objetivo era ver os aspetos e os principais trânsitos (astrológicos) da semana e entretanto, comecei a ir a esse programa todas as semanas fazer as previsões. Depois, conheci pessoas que me começaram a enviar outras pessoas e comecei a dar consultas.
Integrall: Em que momento é que surge o Quíron – Centro Português de Astrologia, do qual foi fundador com a Maria Flávia de Monsaraz?
Luís Resina: Foi em 1987 que fundámos o Quíron – éramos 12 fundadores -, mas a Maria Flávia era fundadora principal e foi ela que começou a dar os primeiros cursos – eu dava ao segundo ano – e depois, vieram outros professores convidados como o José Augusto e o Nuno Michaels.
Integrall: Entre muitos outros projetos, em 2020, retoma o “Projeto Urânia”, a fim de partilhar com o público o vasto conhecimento nas áreas do saber tradicional e moderno.
Luís Resina: Retomei esse projeto, sim.
Integrall: Em 2021, junta-se ao projeto iniciado por Pedro Gomes para a criação de uma Escola Esotérica de Astrologia, a Escola Trígono de Fogo.
Luís Resina: Sim, sobre astrologia.
Integrall: O Luís procurava uma via de autoconhecimento. Foi na astrologia que a encontrou?
Luís Resina: Eu procurava essa via há muito tempo, senão não tinha ido para Filosofia. Também estudei Psicologia de uma forma autodidata, por isso, esse autoconhecimento já vinha de trás – comecei (essa busca) muito antes da astrologia, mas foi a astrologia que veio dar-me respostas e foi na astrologia que juntei aquilo que procurava na Psicologia e na Filosofia.
“Comecei a conhecer-me melhor com a astrologia”
Integrall: O que o procurava na Filosofia e na Psicologia que só encontrou na Astrologia?
Luís Resina: Procurava, exatamente, uma chave para o autoconhecimento: comecei a conhecer-me melhor com a astrologia.
“Foi na Astrologia que juntei aquilo que procurava na Psicologia e na Filosofia”
Integrall: Que respostas é que encontrou?
Luís Resina: A lidar melhor com os outros, comigo próprio e a perceber a diferença que há entre os outros e eu. Por isso, ajudou-me a perceber melhor a minha identidade e a diferença -que é uma coisa muito importante – para nós respeitarmos os outros e a nós próprios. Tudo ficou muito melhor integrado. Eu percebi que, realmente, as pessoas são diferentes, que cada pessoa é um mundo e ao mesmo tempo, esse mundo que é cada pessoa, pode ser partilhado.
“Se as pessoas não se transformarem (com a astrologia) não tem sentido”
Integrall: Com que tipo de astrologia trabalha?
Luís Resina: Com todas. Desde o início da astrologia na Suméria, passando pela Grécia – fiz o historial todo. Eu tenho um nome para minha astrologia que é alquímica. Não há nenhuma corrente de astrologia alquímica no mundo a não ser que se crie e eu criei.
Integrall: O seu método é uma soma de tudo?
Luís Resina: Não é uma questão de ser uma soma. Para mim, por exemplo, uma consulta de astrologia – e o ensino também – é para transformar as pessoas, se elas não se transformarem, não tem sentido. Por isso, é num sentido de transformação.
“Não são as previsões (astrológicas) que me movem”
Integrall: Trabalha com a astrologia no sentido desse autoconhecimento e não tanto das previsões do que é que vai acontecer na vida da pessoa?
Luís Resina: Claro que eu sei fazer previsões, mas não é isso que move. Não é isso que me move.
Integrall: O Luís dá curso e workshops, não só de astrologia, também de tarot, numerologia, Cabala. Usa todos estes saberes tradicionais. Uns complementam os outros?
Luís Resina: Sim, mas, claro que são linguagens tradicionais, que têm como função, também, falar das energias que estão presentes na vida.
Integrall: Quanto tempo dura, em média uma consulta sua, em recorre a todos esses saberes?
Luís Resina: Em média, demora uma hora e meia.
Integrall: O Luís também faz visitas guiadas e conferências relacionadas com o espírito da nova era.
Luís Resina: Sim, faço visitas guiadas, em Sintra, com o Miguel Campos Reis. Fazemos visitas à Quinta da Regaleira, à Quinta de Monserrate, ao Palácio da Pena e ao Convento dos Capuchos. Fazemos, também, ao Palácio-Convento de Mafra, ao Mosteiro de Alcobaça e ao Convento de Cristo, em Tomar.
Integrall: O novo ano astrológico 2026 só começa a 20 de março com o equinócio da primavera, mas um mês antes, vamos assistir a algo que nunca ninguém assistiu nos últimos 2000 anos e que é a conjunção exata de Saturno/Neptuno a zero graus do signo de Carneiro. O que é que isto significa?
Luís Resina: Zero graus é o ponto vernal e é o ponto de contagem das Eras – por isso, é um ponto muito importante-, é o ponto dos equinócios e é o ponto da contagem astronómica e astrológica para os dois aspetos. Aliás, as efemérides da NASA partem sempre do ponto de zero graus de Carneiro, porque é a junção da eclíptica – plano orbital da Terra ao redor do Sol – com o Equador e isso é fundamental: para vermos um objeto num espaço ou o fazemos eclíptica ou no Equador. Então, é a medida standard (padrão), chamemos-lhe assim.
“Vamos abrir um novo ciclo onde tudo é possível”
Integrall: Mas astrologicamente, o que é que significa a conjunção exata de Saturno/Neptuno no grau zero do signo de Carneiro?
Luís Resina: Do ponto de vista astrológico, para já o ponto o grau zero é o potencial, é como o zero na numerologia, que é tudo em potencial, tudo é possível, por isso, vamos abrir um novo ciclo onde tudo é possível.
O Carneiro, como é o primeiro signo do zodíaco é também o ponto de partida. Se imaginarmos um estádio é a meta, começa-se a partir da meta, é o início – é o início da viagem de um grande ciclo de conjunções Saturno/Neptuno, que se dão de 36 em 36 anos, mas, no grau zero de Carneiro, dão-se de milhares em milhares de anos.
“Saturno representa responsabilidade, livre-arbítrio, disciplina e autodomínio, Neptuno representa grandes ideais coletivos os nossos sonhos, a nossa noção de paraíso, a nossa noção divindade (…) todos queremos ser felizes”
Integrall: O que é que as pessoas podem esperar?
Luís Resina: Saturno representa responsabilidade, livre-arbítrio, disciplina e autodomínio, Neptuno representa grandes ideais coletivos representa os nossos sonhos, a nossa noção de paraíso, a nossa noção divindade, por isso, todos queremos ser felizes.
Carneiro é cada um por si a encontrar esse caminho, que (nos) leva ao paraíso. Se todos o conseguem? Cada um tem esse propósito e essa busca. Carneiro é um signo de começos, de começamos novos ciclos e de desbravarmos o caminho do herói, do ser individual.
Esta conjunção é fundamental para a descoberta do que é que estamos aqui a fazer e para onde é que vamos.
Integrall: Se tivesse de escolher uma frase para definir o ano 2026, que frase escolheria?
Luís Resina: Um ano de todos os começos e um ponto de partida para nos podermos reconectar com o nosso, como lhe chamou Carl Gustav Jung, Deus imanente, que está em cada um de nós.
“Plutão em Aquário são 20 anos de transformação das grandes ideias sociais, coletivas”
Integrall: Além da conjunção Saturno/Neptuno, 2026 vai também ficar marcado por Plutão em Aquário e pela entrada definitiva, a 26 de abril, de Urano em Gémeos.
O que é que se espera de Plutão em Aquário?
Luís Resina: Plutão em Aquário são 20 anos de transformação das grandes ideias sociais, coletivas, mas que mexe, também, na política, porque a última vez Plutão entrou em Aquário aconteceu a Revolução Francesa e as grandes transformações na Europa. É um ciclo bastante grande e nessa altura Plutão não era conhecido. Ele foi descoberto, em 1930 e por isso, agora, vai ter um poder ainda mais forte sobre as grandes massas coletivas.
“Com Urano em Gémeos, se calhar vamos todos finalmente poder falar a mesma língua”
Integrall: E o Urano em Gémeos?
Luís Resina: Urano em Gémeos é o que já estamos a assistir: ao desenvolvimento das tecnologias de comunicação, da inteligência artificial, tudo isso em termos tecnológicos e de comunicação. Se calhar, vamos todos finalmente poder falar a mesma língua, porque a inteligência artificial vai traduzir in loco e em simultâneo, várias línguas, ao longo desses sete anos de Urano em Gémeos. Vamos dar grande passos nesse aspeto, perdemos essa relação com a Torre de Babel, quando as várias raças e povos começaram a falar línguas diferentes e agora, estamos no ciclo ao contrário, estamos no ponto oposto, de confluência das línguas feitas pela inteligência artificial, o que é fantástico, realmente.
Urano em Gémeos vai trazer grandes mudanças nos meios de comunicação social, no sentido em que a linguagem só do hemisfério esquerdo não chega – os media querem quantificar tudo, mas isso é um pensamento circular – temos de abrir o hemisfério direito, trabalhar com a intuição e ir para além da quantificação. Os próximos grandes jornalistas são aqueles que conseguirem fazê-lo. O Fernando Pessoa já falava disso: dizia que na Era da Aquário iria ser necessário juntar os dois hemisférios do cérebro. É o que se espera agora.
Integrall: Um conselho astrológico para quem nos está a ler.
Luís Resina: Para quem gosta destas matérias sobre os saberes tradicionais é realmente investigarem, se querem ter mais autoconhecimento e não ficarem só à mercê daquilo que é informação dos media, que andam a “navegar muito na maionese”. A minha sugestão é que as pessoas façam uma busca de autoconhecimento.
Integrall: Por falar em autoconhecimento, quais são os seus próximos eventos as suas próximas palestras?
Luís Resina: A 20 de março vou dar uma palestra no equinócio da primavera, presencial e online, sobre o início do ano astrológico.

















