Uma doença autoimune levou-a a ser vegetariana, vegana, crudívora, a não comer glúten, a não beber álcool. A par da alimentação saudável, Sara Marilyn Jesus fazia ioga e meditação. A princípio melhorou, mas, depois, começou a sentir-se “cada vez pior”, sem perceber porquê.
Até que um dia, a mesma pessoa que a tinha inspirado a ser vegetariana, inspirou-a a comer carne vermelha e em apenas cinco dias, Sara Marilyn Jesus ganhou (nova) vida.
Formada em medicina dentária, com especialização em medicina integrativa e funcional, hoje em dia, a médica pratica biohacking e ajuda pessoas em todo o mundo, com o seu exemplo e conhecimento, através de mentorias, palestras, retiros e cursos online. O próximo está marcado para 9 de abril: o desafio é regenerar corpo e mente em 21 dias.
Integrall: Tu foste vegetariana durante sete anos, mas voltaste a comer carne. Porquê?
Sara Marilyn Jesus: Foram vários os motivos. Eu sentia-me muito doente e durante sete anos, literalmente, experimentei de tudo para estar bem, mas a minha saúde nunca melhorava. Durante esse período, fiz várias abordagens, desde uma alimentação plant-based, passando por vegetariana, vegana, crudívora – não correu bem -, voltei ao veganismo – não correu bem-, voltei ao vegetarianismo, separava o tipo de frutas que comia, enfim, era muito metódica. Não comia glúten, não bebia álcool, tinha uma vida saudável, praticava ioga, meditação, ou seja, fui atrelando a alimentação a um conjunto de coisasr mas a verdade é que estava cada vez pior.
Integrall: O que sentias? Foste detetando problemas de saúde?
Sara Marilyn Jesus: Eu comecei a veganismo porque tenho uma doença autoimune, chamada espondilite anquilosante, que é muito parecida com a artrite reumatoide, que é uma doença reumática, que me deu muitas dores de costas quando ainda era criança. Então, cresci já com esta fragilidade. Além disso, tive rinite, sinusite, laringite, estava sempre inflamada com gripes. Ia ao pediatra, mas nunca me diziam para mudar de alimentação. Davam-me sempre antibióticos, anti-inflamatórios, mas nunca curaram a raiz da questão, até que, aos 20 anos, comecei-me a aperceber que tinha vício por tudo que tivesse glúten: pão, bolachas, cereais, barras de cereais, também, chocolates, ou seja, açúcar e farinhas e eu achava que eu normal.
Entretanto, fui de Erasmus para Valência, em Espanha, fiquei amiga de um grupo de vegetarianos que me começou a falar de vegetarismo – uma dessas pessoas era vegetariana desde criança e eu achei aquilo o máximo. Como eu era curiosa, comecei a ler sobre o assunto e tornei-me vegetariana para me curar, para melhorar a minha condição de saúde. Além disso, comecei a perceber que podia ajudar os animais – era uma questão de ética. Então, tornei-me vegetariana por duas razões: de saúde e de respeito aos animais.
“Costumo dizer que curei uma doença autoimune para ganhar muitas outras”
No início, melhorei bastante as alergias – a sinusite e a rinite-, as dores de costas, mas, a verdade é que comecei a piorar muito, ou seja, eu costumo dizer que curei uma doença autoimune para ganhar muitas outras, entre elas, o hipertireoidismo: emagreci muito e não conseguia engordar, mesmo comendo bastante, ao ponto de chegar aos 38 quilos – e eu meço 1,73 m. Não tive anorexia porque comia, mas não estava a fazer bem a digestão, comecei a ter depressão – sempre fui uma pessoa muito apaixonada pela vida, muito ativa -, pouco a pouco, comecei a degenerar, não só fisicamente, mas mentalmente e perdi a menstruação durante quatro anos.
“Tentei tudo e mais alguma coisa, menos o básico: comer carne vermelha”
Integrall: Quanto tempo durou o período em que foste piorando?
Sara Marilyn Jesus: Sete anos. Além de perder a menstruação, comecei a ficar marreca, ou seja, até a minha postura começou a deteriorar-se, mesmo fazendo ioga e algumas atividades físicas. Não tinha força nem energia e tive anemia, mas nunca parei, nunca fiquei parada à espera da sorte. Fui tentando de tudo: melhorava a dieta, comecei a fazer jejum, fui a tratamentos de medicina convencional, fui a tratamentos de medicina holística, fiz limpeza de rins, limpeza de parasitas, intestino, tudo e mais alguma coisa, menos o básico, que era comer carne vermelha.
Integrall: Em que momento é que decidiste que tinhas de voltar a comer carne?
Sara Marilyn Jesus: Graças a um amigo inglês, o Danny Glass, que tinha um grande canal no youtube e que conheci na Tailândia. Ele publicava muito conteúdo vegetarianismo e vegano e eu acompanhava-o. Ele aparecia sempre muito magro nos vídeos, com a mesma fisionomia que eu: magro, com pouco músculo, pálido e com olhar vazio, que é algo que observei muito nos núcleos de amigos vegetarianos onde andei. Entretanto, ele começou a fazer outros vídeos, em que falava da dieta carnívora, mas não se limitava a falar, ele estava completamente mudado, aliás, em poucas semanas, estava mais musculado, mais moreno, com uma pele mais bonita, com uma fisionomia diferente e começou a usar argumentos de que eu nunca tinha ouvido falar.
“25 animais morrem para plantar cada meio quilo de arroz”
Integrall: Por exemplo?
Sara Marilyn Jesus: Por exemplo, que uma dieta vegana é responsável por muito mais maus-tratos do que uma dieta carnívora e que a dieta carnívora é a verdadeira dieta vegana, ou seja, o veganismo, por definição, é uma dieta que apela ao bem trato animal. De acordo com o jornal de ética ambiental dos Estados Unidos, 25 animais morrem para plantar cada meio quilo de arroz e não estamos a falar de minhocas, estamos a falar de toupeiras, ratos, raposas, peixes e pássaros, que são apanhados tanto em máquinas das operações agrícolas, como através dos pesticidas que desaguam nos rios e no mar e que são responsáveis por uma grande percentagem de peixes mortos. Há muitas teorias, mas eu gosto de resultados – sou uma pessoa muito prática. A teoria é muito importante, mas só a prática é que a confirma e a verdade é que eu estudei muito os dois lados da questão e no que respeita à ambiental, 82 por cento do planeta não é cultivável, ou seja, consegue-se pôr uma cabra ou uma vaca a pastar no monte e a limpar plantas, que podem atear fogos no verão. Os pastores, hoje em dia, têm uma das profissões mais conceituadas e maravilhosas para o bem-estar da natureza e do nosso país. Há muito lixo na natureza e as cabras são incríveis para a prevenção de fogos – este é um tema de que quase ninguém fala.
“As cabras são incríveis para a prevenção de fogos (…) este é um tema de que quase ninguém fala”
Não é o animal, em si, mas, a forma como foi tratado. Este é o lema do documentário “Secret Cow” – “vaca sagrada” -, que toda a gente devia ver, sobretudo, os vegetarianos. O filme é da norte-americana Diana Rogers, uma nutricionista incrível, que está a fazer um trabalho de luz e que me inspirou bastante. Ela explica como é que as vacas são a solução do planeta. Essa solução passa por colocá-las a pastar num deserto em que não há plantas, não há árvores e onde se faz pastoreio holístico, ou seja, as vacas não ficam todas juntas a pastar e por isso, as suas fezes – o fertilizante – não se acumulam todas no mesmo local. O que se observa, neste caso, é que, passados meses e anos, aquele sítio que era deserto, virou uma agrofloresta. Portanto, não precisamos de mais árvores, precisamos, sim, de vacas a serem bem cuidadas com pastoreio rotativo, que é uma prática holística e ancestral, para ajudar a cuidar o planeta. Com ele, estamos a sequestrar carbono, então, toda a gente ganha: ganha o ambiente, ganha a vaca e ganhamos nós, porque aquela vai ser uma vaca com uma carne muito mais nutritiva e ganha. É fantástico.
“Fiz uma dieta carnívora e em apenas cinco dias comecei a sentir-me cada vez melhor”
Integrall: Portanto, voltaste a comer carne…
Sara Marilyn Jesus: Sim e fiz uma experiência. Fiz uma dieta carnívora, durante cinco dias, sem dizer ninguém e segui o conselho do meu amigo inglês e em apenas cinco dias senti-me melhor do que a fazer todas as 40 mil que fazia, diariamente, para estar bem, como banhos gelados, sauna ou ioga. Comecei a sentir-me cada vez melhor, a olhar para o espelho e a ver uma pessoa diferente, comecei a amar-me mais, a reconhecer-me.
Integrall: O que é que o teu amigo sugeria?
Sara Marilyn Jesus: Era comer carne, ovos e queijo, uma dieta sem plantas.
Integrall: Carne biológica?
Sara Marilyn Jesus: Carne. Aqui é que está o ponto. A nível nutricional, qualquer carne é melhor do que nenhuma, que era o que eu precisava, porque eu estava nas últimas, depois de muita tentativa e erro. Gastei muito dinheiro a fazer coisas que não me ajudaram em nada. Então, qualquer carne é melhor do que nenhuma, desde que seja carne, isto é, que não seja carne com soja, com sulfitos e conservantes. Não. Estou a falar de ir ao talho e pedir uma peça de carne do pojadouro, da vazia ou fígado, que também é a forma mais ética, mais responsável, ancestral, nutritiva, equilibrada, criativa e económica de comer carne, ou seja, é comer tudo o que o animal tem para dar – não é só a picanha e o filé mignon. Temos o fígado, os rins, os pulmões, ou seja, come-se tudo.
Integrall: E as teorias que defendem que não se come só a carne de vaca, mas todos os antibióticos que lhes são administrados para acelerar o seu crescimento?
Sara Marilyn Jesus: Há uma legislação muito apertada para este tipo de negócio. Não se acabar de dar uma vacina a uma vaca e ela é abatida no dia seguinte, tem que haver um compasso de espera. Eu teria mais cuidado com a indústria dos frangos, porque, hoje em dia, a maioria das pessoas acha que a carne branca é a melhor, mas, na verdade, é que é a carne vermelha porque tens mais vitamina B12 e como a vaca é um ruminante – mesmo que não coma pasto a vida toda e coma grão e farelo – como é um ruminante, ela consegue metabolizar melhor o que come. Então, não acumula, na sua gordura, perfil de ómega seis, ou seja, a gordura mais inflamatória. Em contrapartida, o frango e o porco, que são animais monogástricos – só têm um estômago -, acabam por não fazer bem a metabolização da comida. Agora, é preciso ter uma dieta variada e quem quiser comer galinha, tem que ser galinha de solo, que está no chão com biodiversidade e não num galinheiro ou num aviário a crescer a uma velocidade astronómica com luz artificial, que é o que acontece devido à elevada procura de carne branca e que obriga a que se produza em massa. Aqui que é que está o ponto: estamos no mundo capitalista, muito consumista.
Eu apelo sempre à produção e ao consumo de vaca, de cabrito, de borrego, que são uma carne muito pura e porque provem sempre uma pecuária extensiva ou regenerativa e não leva químicos. Aliás, é a primeira carne que os bebés comem porque tem nutrientes muito bons para o desenvolvimento cerebral e do intestino.
Integrall: Voltando ao teu caso, melhoraste ao fim de apenas cinco dias a comer carne…
Sara Marilyn Jesus: Foi uma melhoria imediata, parecia milagre. Claro que eu estava nas últimas e já um bocado desacreditada depois de tentar tantas coisas, mas parecia que faltava o elefante no meio da sala. Entretanto,m esses cinco dias passaram a duas semanas de dieta carnívora, ou seja, estamos a falar de uma dieta eliminativa, sem vegetais, sem fruta – foi uma experiência –, eu sentia-me mesmo muito bem e já não tinha o vício por açúcar, nem por chocolates. Na altura, apetecia-me fruta, sentia que estava a comer muita e isso provocava-me gases, o que era um problema, porque eu tinha a síndrome de intestino irritável – a doença de crohn -e fiquei muito mal, ao ponto de fazer jejuns muito longos porque não conseguia estar bem.
Então, com a dieta carnívora eu comecei a ir à casa de banho como nunca tinha ido na vida devido a toda àquela série de complicações.
Integrall: Que idade é que tinhas quando reintroduziste a carne?
Sara Marilyn Jesus: Foi há sete anos, tinha 29.
Integrall: Desde aí para cá, ajudas pessoas a vencer doenças modernas com hábitos ancestrais medicina integrativa, através de mentorias, palestras, retiros e cursos online…
Sara Marilyn Jesus: Sim.
“Biohacking significa otimizar a nossa biologia”
Integrall: Acompanhas as pessoas graças ao teu exemplo e conhecimento e através do biohacking. O que é?
Sara Marilyn Jesus: Biohacking é uma palavra nova para dizer algo antigo, que é o que estamos a fazer agora: a apanhar sol – a receber as propriedades incríveis do sol -, a fazer aterramentos, a descalçarmo-nos e ir para a relva. Eu gosto muito do biohacking ancestral, que, no fundo, significa otimizar a nossa biologia. Com este sistema, conseguimos suprimir ou despertar genes. Um biohacker é médico de si mesmo, é o cientista de si mesmo: consegue conhecer-se, sabe aquilo que lhe faz bem e mal, evita hábitos negativos e concentra-se no que é bom, promovendo, assim, a sua saúde e longevidade. O biohacking não é só para quem está doente, é para quem quer viver mais e melhor, sem depender de medicamentos, sem depender de comida inflamatória e viciante, de tabaco ou álcool. É ser uma pessoa livre e lúcida com energia para viver na sua melhor versão.
Integrall: Após recomeçares a comer carne, foste fazer exames?
Sara Marilyn Jesus: Sim, porque um biohacker é, também, alguém que quantifica as coisas. Não basta dizer que se bem, tem de perceber como estão as coisas, através de exames laboratoriais e eu fui fazê-los e nunca tive os exames tão bons na minha vida: o PCR, que é o marcador de inflamação, o perfil lipídico, o hemograma, as hormonas sexuais.
Integrall: Voltaste a menstruar?
Sara Marilyn Jesus: Sim.
“O que eu como e aconselho a comer é comida de verdade, tudo o que não tenha rótulos”
Integrall: Hoje em dia, o que é que tu comes?
Sara Marilyn Jesus: O que eu como e aconselho a comer é comida de verdade. Tudo o que não tenha rótulos. Carne vermelha, sobretudo, ovos, fruta e tubérculos.
Integrall: Biológico?
Sara Marilyn Jesus: Se possível, claro. Eu falo para pessoas com diferentes budgets (orçamentos) e por isso, depende do orçamento de cada um, mas, claro que o ideial é orgânico e sem pesticidas.
“Não é só a carne branca que está a ser alterada. Há muitos pesticidas, glifosato em tudo”
Integrall: E da estação?
Sara Marilyn Jesus: Sim, comer comida da estação, comer o que há na terra. Portanto, se estamos no inverno é normal comer laranjas e não bananas, que vêm de estufas. Esta questão, também, é muito importante. Não é só a carne branca que está a ser alterada. Há muitos pesticidas, glifosato em tudo. Eu evito grão, lentilhas, leguminosas, cereais – já evitava quando era vegetariana -, porque sinto que é ração de gado e não é bom para o intestino, é muito difícil de digerir. Foi uma comida de sobrevivência, nós comemo-la, no passado, porque tínhamos de sobreviver com alguma coisa, à falta de melhor.
Integrall: Tu não te limitas só à alimentação. As tuas recomendações passam por óculos bloqueadores da luz azul, desparasitante natural, manta pesada para dormir e sapatos barefoot, entre outros. Que sapatos são estes?
Sara Marilyn Jesus: São sapatos respeitam a anatomia do pé, são largos e não são rijos, ou seja, permitem que o pé se mova bem. Então, previnem joanetes, problemas nos pés e também na coluna.
Integrall: Aconselhas suplementos?
Sara Marilyn Jesus: Na verdade, eu não sou muito focada em suplementos, acho que a comida já nos dá tudo, mas há pessoas com muita deficiência em iodo por causa do excesso de cloro, de flúor e de pesticidas, que competem com iodo, então, para quem tem problemas de tiroide, sobretudo, hipotireoidismo, seria bom suplementar com iodo lugol, mas acompanhado dos cofatores, nomeadamente, selénio, zinco, cobre e outros minerais.
Integrall: Aconselhas suplementação de vitamina D ou basta o sol?
Sara Marilyn Jesus: Basta o sol, se o tivermos. Eu sou mais apologista de dormir bem no inverno, evitar as luzes azuis e também, a exposição ao frio, que é uma forma de nos adaptarmos à estação.
“A crise de visão hoje em dia deve-se ao facto de as pessoas não terem acesso à luz solar durante o dia, sempre que vão para o sol põem óculos escuros”
Integrall: Porque são importantes os óculos bloqueadores da luz azul?
Sara Marilyn Jesus: Durante o dia, não devemos usar óculos de sol, porque recebemos informação solar na nossa pele, que é fotossensível e produz a vitamina D, que ajuda na produção de hormonas sexuais, serotonina e dopamina, mas, também, recebemos informação nos olhos. A crise de visão que está a acontecer hoje em dia – miopia, astigmatismo, vista cansada – deve-se ao facto de as pessoas não terem acesso à luz solar durante o dia, sempre que vão para o sol põem óculos escuros ou estão entre vidros, onde estão expostas à luz azul, que não é saudável.
“A luz azul impede a libertação de melatonina e por isso, impede um bom sono e a regeneração celular”
Então, os óculos bloqueadores do azul são óculos de lente amarela, laranja ou vermelha que bloqueia desde 75 a 100 por cento de luz azul, que é aquela que deveríamos evitar.
Somos seres diurnos, solares e por isso, durante o dia, devemos estar expostos ao sol e à noite, devemos estar na escuridão. Se não for possível, devemos ter uma luz que imite o fogo – luz das velas, uma luz incandescente, que era antigamente a que tínhamos nas ruas – e quem vê televisão, usa telemóvel, computador, abre o frigorífico, está exposto à luz do hotel, do centro comercial, deve colocar os óculos que bloqueiam uma grande percentagem de luz azul, que é aquela que impede a libertação de melatonina e por isso, impede um bom sono e a regeneração celular. Se uma pessoa vai para cama e mesmo cansada, não consegue dormir, significa que foi exposta a um stress que, são luzes fora de horas e que lhe provocaram um segundo pico de cortisol, também fora de horas.

Integrall: Onde é que se compram esses óculos?
Sara Marilyn Jesus: Eu cofundei uma marca, a Super Sapiens, que é a primeira empresa portuguesa a vender este tipo de óculos. Eu juntei uma falha no sistema a algo que vai, realmente, à raiz da questão. Não é só tomar medicamentos para dormir – que eu não aconselho-, é preciso ir à raiz do problema: o excesso de luz azul à noite.
“Usar óculos é como usar muletas para o resto da vida”
Integrall: Pessoas que usem óculos graduados podem usar os óculos bloqueadores da luz azul?
Sara Marilyn Jesus: Sim, temos uns clips que a pessoa coloca por cima, são uma adaptação.
A minha mãe com 76 anos e o meu pai com 80 deixaram de usar óculos à conta de usar estes óculos e de fazerem biohacking, jejum, sauna e desintoxicação. Usar óculos é como usar muletas para o resto da vida.
Integrall: Sauna seca ou húmida?
Sara Marilyn Jesus: Seca é melhor porque, na húmida, não sabemos se há cloro na água e podemos estar a intoxicar-nos com cloro.
Integrall: Onde é que é possível as pessoas fazerem consultas contigo de medicina integrativa?
Sara Marilyn Jesus: Eu estou cada vez mais focada em cursos para chegar a mais pessoas. Eu lanço desafios e faço cursos online. Tenho um programa de aulas ao vivo e gravadas e acaba por ser muito melhor, porque eu gosto muito de grupos, sejam de trabalho ou retiros presenciais. Já fiz mais de 40 retiros em Portugal, Angola e São Tomé e Príncipe e gosto muito desta visão de comunidade, que é um pilar base do biohacking. A forma como nos relacionamos influencia as nossas hormonas. Como é que me encontram? No instagram, no youtube, no TikTok e também, no meu site, em: drasarah marilyn.com.
Integrall: Para quando o teu próximo curso?
Sara Marilyn Jesus: No dia 9 de abril, vou lançar um desafio regenerativo de 21 dias para corpo e mente. É um curso online, com aulas diárias e pequenas, com desafios diários. Ter um grupo de pessoas a fazer a mesma coisa é algo muito prático.
Integrall: Quanto custa o curso?
Sara Marilyn Jesus: Não chega a 100 euros.
Integrall: A que mudanças já assististe nas pessoas que acompanhas?
Sara Marilyn Jesus: Assisti a pessoas a perderem 40 quilos, sem medicamentos para emagrecer, sem bariátricas e que já tinham experimentado muita coisa, pessoas que deixaram de tomar antidepressivos, assisti ao tratamento de bipolaridades esquizofrenia, de doenças mentais graves, de depressão suicida, de autismo, de transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDH), insónias, problemas intestinais, cancro e também, infertilidade, que é um problema do século XXI, uma doença moderna provocada por hábitos modernos.
“Os sintomas são apenas sinais, são os nossos amigos, servem para nos dizer que alguma coisa não está bem e que temos de olhar para nós”
Integrall: Permite-me uma provocação: tu nunca prevaricas na alimentação?
Sara Marilyn Jesus: Claro, por isso é que somos seres anti frágeis. Um copo é frágil, cai ao chão e não volta à sua forma original. A pedra é resiliente, cai ao chão e fica igual, não ganha superpoderes , não se parte, mas também não ganha vida. Agora, o nosso DNA é anti frágil, assim como a estrela-do-mar -ela parte um braço e regenera, porque tem muitas células estaminais e nós, também, temos a habilidade de ativar as nossas células estaminais. Os bebés nascem com muitas células estaminais – são células indiferenciadas. Então, quando fazemos as coisas 80/90 por cento bem, no dia-adia, quando temos um estilo de vida regrado, quando temos rotinas – o nosso corpo precisa muito rotinas -, como dormir e acordar à mesma hora, se houver um dia diferente, está tudo bem. A questão é quando começamos a descarrilar. Não podemos ser de extremos. O problema é que as pessoas não sabem bem o que é que é moderação. É preciso equilíbrio e cada um tem de saber o que, realmente, é o equilíbrio para si.
Integrall: Ouvir o corpo?
Sara Marilyn Jesus: Ouvir o corpo e as suas necessidades. Muitas vezes, negligenciamos os sintomas, mas eles são apenas sinais, os sintomas são os nossos amigos, servem para nos dizer que alguma coisa não está bem e que temos de olhar para nós.

















