• Sobre mim
  • Porquê Integr_all?
  • Ficha Técnica Integr_all
  • Política de Privacidade
  • Política de Cookies
  • Termos e Condições
Quinta-feira, Março 26, 2026
  • Login
integrall.pt
  • Home
  • Saúde e Bem Estar
    A hidroterapia do cólon faz a limpeza de mucosa intestinal

    “A hidroterapia do cólon é uma higiene de vida”

    DR

    “Ioga é voltar a casa”

    A médica Sara Marilyn Jesus é biohacker

    “Biohacker é ser médico de si mesmo”

    Membros fundadores da SPPA/ DR

    “Carl Jung ficou o parente pobre porque rompeu com Freud”

    DR

    “A nova medicina germânica abre-se à possibilidade da autocura”

    DR

    “Os profissionais de saúde são os últimos a pedir ajuda”

  • Desenvolvimento Pessoal
    • All
    • Astrologia
    • Constelações Familiares
    • Educação
    • Feng Shui
    • Relacionamentos

    “A conjunção Saturno/Neptuno pede para sermos responsáveis pelos nossos sonhos”

    Créditos foto: Workmove

    “Evitamos as emoções porque são desconfortáveis”

    Luís Resina/DR

    “2026 vai ser o ano de todos os começos”

    Fátima Ponte/DR

    “O Jung permeia aquele lugar onde conseguimos ir além da superfície”

    Alexandre da Gama/DR

    “2026 vai ser um ano de regeneração à força”

    DR

    O que está escrito nas estrelas para 2026?

  • Biológicos
    • All
    • Agricultura
    • Alimentação
    • Restaurantes
    A médica Sara Marilyn Jesus é biohacker

    “Biohacker é ser médico de si mesmo”

    DR

    O FRASCO: “Queremos ser um fast healthy food”

    DR

    Um Natal doce e sem açúcar com a Pipa´s Healthy Cakes

    Créditos foto: Daniela Sousa

    “A Maria Granel faz parte de um consórcio que luta pela flexibilização do granel em Portugal”

    DR

    Chefs à Mesa reforçam biológicos

    DR

    “Se optássemos por fazer uma agricultura limpa conseguíamos exportar para todo o mundo”

    Trending Tags

    • Nintendo Switch
    • CES 2017
    • Playstation 4 Pro
    • Mark Zuckerberg
  • Sustentabilidade
No Result
View All Result
  • Home
  • Saúde e Bem Estar
    A hidroterapia do cólon faz a limpeza de mucosa intestinal

    “A hidroterapia do cólon é uma higiene de vida”

    DR

    “Ioga é voltar a casa”

    A médica Sara Marilyn Jesus é biohacker

    “Biohacker é ser médico de si mesmo”

    Membros fundadores da SPPA/ DR

    “Carl Jung ficou o parente pobre porque rompeu com Freud”

    DR

    “A nova medicina germânica abre-se à possibilidade da autocura”

    DR

    “Os profissionais de saúde são os últimos a pedir ajuda”

  • Desenvolvimento Pessoal
    • All
    • Astrologia
    • Constelações Familiares
    • Educação
    • Feng Shui
    • Relacionamentos

    “A conjunção Saturno/Neptuno pede para sermos responsáveis pelos nossos sonhos”

    Créditos foto: Workmove

    “Evitamos as emoções porque são desconfortáveis”

    Luís Resina/DR

    “2026 vai ser o ano de todos os começos”

    Fátima Ponte/DR

    “O Jung permeia aquele lugar onde conseguimos ir além da superfície”

    Alexandre da Gama/DR

    “2026 vai ser um ano de regeneração à força”

    DR

    O que está escrito nas estrelas para 2026?

  • Biológicos
    • All
    • Agricultura
    • Alimentação
    • Restaurantes
    A médica Sara Marilyn Jesus é biohacker

    “Biohacker é ser médico de si mesmo”

    DR

    O FRASCO: “Queremos ser um fast healthy food”

    DR

    Um Natal doce e sem açúcar com a Pipa´s Healthy Cakes

    Créditos foto: Daniela Sousa

    “A Maria Granel faz parte de um consórcio que luta pela flexibilização do granel em Portugal”

    DR

    Chefs à Mesa reforçam biológicos

    DR

    “Se optássemos por fazer uma agricultura limpa conseguíamos exportar para todo o mundo”

    Trending Tags

    • Nintendo Switch
    • CES 2017
    • Playstation 4 Pro
    • Mark Zuckerberg
  • Sustentabilidade
No Result
View All Result
integrall.pt
No Result
View All Result
Home Saúde e Bem Estar

“A psicossomática mostra que as doenças têm por trás um conflito emocional infantil”

by Sandra Xavier
Outubro 9, 2025
in Saúde e Bem Estar
DR

DR

Share on FacebookShare on TwitterShare on LinkedInShare on PinterestShare on WhatsApp

Com origem madeirense, o cirurgião gástrico brasileiro Fernando Freitas voltou às origens, em 2023, trazendo consigo para Portugal, a metodologia terapêutica “Consciência Sistémica”, que desenvolveu no seu país, depois de ter percebido que a medicina não podia existir desligada da psicossomática e que ambas não podiam existir desligadas dos antepassados de cada família.
Atualmente a viver em Paredes de Coura, o médico dá cursos online
aos alunos que tem em 46 países, com quem partilha a sua visão integrada da saúde, juntamente com a esposa, a também médica, Carla Queiroz. 

Integrall: Há quantos anos se formou em gastrocirurgia?

 Fernando Freitas: Eu formei-me na Escola Paulista de Medicina, em São Paulo, em 1980, onde fiz três anos de especialização em gastrocirurgia.

Integrall: Durante quantos anos exerceu gastrocirurgia?

 Fernando Freitas: Como médico cirurgião parei por volta do ano 2000. O último emprego que tive na área, que eu adorava embora já trabalhasse com constelações e psicoterapia corporal, foi a fazer plantões num hospital regional de Sorocaba, uma vez por semana.

Integrall: Em que momento da sua carreira é que começou a interessar-se pela psicossomática?

Fernando Freitas: Eu interesso-me pelas doenças desde criança. A minha família está cheia de gente doente, eu próprio tive uma série de coisas, como febre reumática e glomerulonefrite. Eu vivia doente, o meu pai também, a minha avó morreu de cancro, a minha mãe tinha um problema pulmonar. Eu vivia numa família cheia de doenças e questionava-me porque é que as pessoas adoeciam de coisas diferentes. Quando entrei na faculdade, fui estudar as doenças, mas quando cheguei ao estágio, onde fiz a especialização, tornou-se muito evidente a importância do mundo emocional e de como estava o ser humano em relação à sua própria doença, à sua vida; comecei a olhar com mais atenção para o ser humano.

Integrall: Foi a observação, em criança, das doenças da sua família que o fez ir para medicina?

Fernando Freitas: Eu estava cercado de gente doente, eu próprio estava doente, a minha família era um antro de pessoas doentes. Em criança, estava sempre a questionar-me: “será que vou morrer, será que não vou morrer, será que o meu pai e a minha mãe vão morrer disto?”. Estes questionamentos viviam dentro de mim.

Integrall: Mas foi durante o estágio que o tema “doença” se tornou mais forte?

Fernando Freitas: O tema ficou mais forte quando tive um contacto mais profundo com os doentes: acompanhava-os desde o começo até ao final do internamento e depois, no ambulatório. Esse contacto mais próximo fez-me aprofundar essa perceção.

 Integrall: Foi a observação dos seus doentes e dos conflitos internos que o levaram a procurar as verdadeiras raízes emocionais,  psíquicas e sistémicas que se tornam terreno fértil para o desenvolvimento das doenças?

Fernando Freitas: Exato. A partir daí começou tudo.

“Descobri que a medicina que estudamos nas faculdades não é hipocrática”

 Integrall: Onde é que foi aprender psicossomática?

Fernando Freitas: Eu sou um autodidata: comecei a estudar, fiz uma série de formações – gosto sempre de fazer formações -, e também, um curso de psicossomática, no Brasil, onde conheci a teoria de Galeno, que começou a seguir a linha hipocrática e abriu a minha mente. A partir daí, fui estudar Hipócrates, o pai da medicina e descobri que a medicina que estudamos nas faculdades não é hipocrática, mas, sim, galénica. Entretanto, comecei a estudar filosofia médica, as várias linhas de medicina e como é que essas linhas compreendem o que é adoecer,  as causas das doenças e o caminho de cura.
Quando comecei a estudar Hipócrates, apanhei um susto, porque Hipócrates, como pai da medicina – e as observações dele -, faziam muito sentido em relação à psicossomática, muito mesmo. Ele defende que não devemos olhar para a doença, mas, sim, para o doente. O problema não é a doença, é o doente e o poder de cura está dentro dele – o médico tem a função de ajudá-lo a curar-se, mas não aprendi nada disso na faculdade. Na faculdade, aprendemos que a doença é um inimigo que temos que identificar e debelar. Debelando a doença, a pessoa fica saudável. Foi Galeno que defendeu que se devia arrancar a doença para que a pessoa ficasse saudável, como se a doença fosse uma coisa estranha à pessoa. Não, a doença faz parte da pessoa. A doença é um sistema de alarme, é uma mensageira.

“A doença é uma mensageira”

Integrall: O curso de medicina não ensina nada disso?

Fernando Freitas: Não, nem no Brasil, nem no mundo ocidental. Eu amo a medicina, é uma coisa maravilhosa, mas, para mim, está manca, porque trabalha só de fora para dentro, vê o ser humano como uma máquina, que está partida e que é preciso consertar.

Integrall: O que é que o sistema de saúde tinha a ganhar em integrar a psicossomática nos cursos de medicina?

Fernando Freitas: Compreender o ser humano por dentro. De acordo com a base hipocrática, o poder de cura está dentro do ser humano.
Se tiver em conta que um ser humano que resolveu, de repente, morrer, desistir da vida, pode fazer o que quiser, usar todos os recursos da medicina, que não vai resolver nada. Quando parar de olhar para o ser humano como uma máquina, aí vai entender porque é que há pessoas que morrem por causa de tontarias. O que é que levou aquela pessoa à morte? A maioria vai dizer que foi um erro médico, mas quando se vai a ver, aquela pessoa tinha um destino estranho e se ela decidir desistir da vida, ela vai morrer.
Na outra polaridade, estão aqueles casos de curas milagrosas – que para a medicina são milagrosos – e em que nos questionamos como é que aquela pessoa se curou de um dia para o outro, mas, se olharmos através da psicossomática, é simples: a pessoa resolveu viver e acabar com a vida doentia que tinha. Portanto, o poder está sempre dentro dela.

Integral: O Fernando deixou a medicina no ano 2000 e passou a exercer psicossomática?

Fernando Freitas: Eu conciliava as duas. Eu terminei a minha especialização, em janeiro de 1984 e em 1985, comecei a estudar e a pesquisar estes temas e perto dos anos 90, comecei cursos, uns atrás dos outros, uma maluquice.

Integrall: Também estudou com Bert Hellinger?

Fernando Freitas: O Bert Hellinger surgiu na minha vida em 1997.

“O problema não é infância em si: a infância tem uma camada mais profunda, que é a família”

 Integrall: A psicossomática surgiu antes de estudar com Bert Hellinger?

Fernando Freitas: A linha que me chamou à atenção foi a psicoterapia corporal de William Reich. Eu sou médico cirurgião e por isso já observava o corpo, mas, naquele momento, comecei a colocar o corpo dentro da psicoterapia – o Reich colocava o corpo dentro da psicanálise e desenvolveu uma linha de análise do caráter. Ele também era médico e começou a observar uma série de coisas, como o mundo vegetativo, o sistema nervoso autónomo, uma linguagem que eu conhecia e que me fazia sentido. Não era algo estratosférico, era algo muito concreto. Então, comecei a entender as emoções infantis e como que é que os traumas infantis afetam o nosso corpo. A psicossomática mostra que as doenças, a somatização, têm por trás um conflito emocional infantil. Para entender esse conflito, fui estudar as três grandes linhas de psicoterapia corporal reichiana, em três formações internacionais: análise bioenergética, biossíntese e biodinâmica. A partir daí, comecei uma jornada maluca de questionamentos – eu sou movido a questionamentos-, sobre a origem dos traumas infantis e sobre como é que os pais criam esses traumas. Estes questionamentos levaram-me a investigar a abordagem sistémica – comecei a pesquisar o que existia dentro da família e a ver que o problema não era a infância em si, ela tem uma outra camada mais profunda: a família.

DR

Intregrall: Porque é que os pais fazem isso?

Fernando Freitas: Provavelmente porque também eles passaram por isso e nem se apercebem, mas inconscientemente acabam por passar as mesmas coisas às próximas gerações. É aí que se começa a ver que aquela camada mais profunda, onde estão as raízes desses traumas.
Quando encontrei o trabalho do Bert Hellinger, percebi que a constelação sistémica é uma ferramenta de trabalho impressionante. Se se souber usá-la com boas bases, consegue-se compreender e sobretudo, ajudar o cliente a ver o seu próprio problema, porque ele vai olhá-lo a partir de fora. Na sistémica, tiramos o observador de dentro do problema e ao olhar de fora, ele consegue entender melhor as dinâmicas sistémicas, os emaranhamentos. O trabalho do Bert Hellinger agregou tudo o que eu já conhecia antes e por isso, acabei por criar uma nova abordagem.

Integrall: Como é que se chama essa abordagem?

Fernando Freitas: A abordagem, que eu criei em 2013, chama-se Consciência Sistémica.

 “Ao invés de fazer uma cirurgia no corpo, é como se eu fizesse uma cirurgia na mente, na alma”

 Integrall: Foi nessa altura que deixou a medicina?

Fernando Freitas: Eu nunca deixei a medicina. É muito interessante quando as pessoas me perguntam se deixei de ser médico. Não, agora é que eu me tornei médico, porque, no fundo, integro tudo o que aprendi, incluindo a medicina, numa visão hipocrática. Exercer medicina com foco em psicossomática, é uma linha da medicina. Aliás, nem a cirurgia eu cheguei a deixar, porque a sua essência continua dentro de mim. Eu continuo a abrir as pessoas, embora com outras ferramentas. Eu vou abrindo e vendo o que está lá dentro, só que, ao invés de fazer uma cirurgia no corpo, é como se eu fizesse uma cirurgia na mente, na alma. Na essência, continuo a ser cirurgião, só que o meu bisturi agora é outro.

 “A pessoa só muda quando a dor de não estar a viver a própria vida for maior do que a dor da mudança”

 Integrall: Qual é a função de uma doença?

Fernando Freitas: A função da doença é ajudar o indivíduo a ir para a vida, evitar que vá para a loucura ou para a morte. Por incrível que pareça, a doença vem para impedi-lo da sua autodestruição, porque é ele que faz mal a si mesmo.
Eu posso até dizer ao mundo que a culpa dos meus problemas é do meu pai, da minha mãe, do sistema, do governo, do país. Eu posso dizer o que quiser, mas, no fundo, sou eu comigo mesmo. Quando me ponho à procura de culpados fora, é para me dizer a mim próprio que sou inocente.

O médico alemão Georg Groddeck dizia que a doença é a nossa melhor amiga porque ela diz o que precisamos de ouvir. Ela não nos bajula, vai direta ao assunto. A doença, como mensageira, faz-nos entrar em contacto com as nossas dores, limitações e necessidades mais profundas, faz-nos entrar em contacto com a decisão de querermos continuar a viver ou não, porque só mudamos, sinceramente, quando estamos num processo de dor.
Freud tinha uma frase interessante:” a pessoa só muda quando a dor de não estar a viver a própria vida for maior do que a dor da mudança”, porque mudar dói, exige sacrifício, mudar implica matar um pedaço dentro de si. Que pedaço? O modo de viver que a pessoa desenvolveu durante anos e que rebentou com ela.

 “A doença é a nossa melhor amiga porque ela diz o que precisamos ouvir”

Integrall: A doença mostra que o caminho de vida não é por ali?

Fernando Freitas: Sempre. A doença tenta agarrar a pessoa à vida.

Integrall: Mas há pessoas que desistem?

Fernando Freitas: Sim. Cada pessoa tem de ter uma motivação. Se, de repente, para ela, o mais importante é ficar presa num emaranhamento e numa fidelidade oculta de família, segue o destino dos outros. Por isso é que cada ser humano é único, mas a medicina tradicional olha para cada um como uma máquina. A medicina é a arte da cura, embora as pessoas achem que é uma ciência exata. Não é, ela lida com o ser humano. Uma coisa que funciona para uma pessoa pode não funcionar para outra, mas na medicina tradicional ensina-se uma técnica que resolve tudo, usa-se a pílula mágica que resolve tudo. Isso é anestesia, é aliviar o sintoma e não a causa.

Integrall: Todas as doenças têm causas emocionais?

 Fernando Freitas: Sim. A questão é: quanta consciência a pessoa consegue abrir? Cada um vê de acordo com o seu nível de consciência. Esse nível pode iluminar o que a sombra não vê, mas não é por não se ver algo que não existe. Os cientistas estão sempre a pesquisar coisas que ninguém está a ver. Ampliar a consciência é como estar debaixo de um poste de luz numa noite escura: vemos o que a luz mostra, mas não quer dizer que a vida seja isto. A vida é tudo o que eu não vejo. É como o inconsciente: ele está escondido, não o vemos, mas ele existe.

“Antes de tratar alguém, pergunte-lhe se está disposto a abrir mão daquilo que o fez adoecer”

 Integrall: Como é que se pode curar esses traumas, mesmo quando não há memória deles?

Fernando Freitas: Existe uma memória consciente e outra inconsciente. Temos contacto com tudo o que aconteceu na nossa vida, mas de forma inconsciente. Dentro da neurociência, existe o hipocampo, que é a memória que evoco: por exemplo, lembro-me quando ia passear com o meu pai ou com a minha mãe num parque. Por outro lado, existe a memória de todos os traumas que eu carrego, que fica na amígdala cerebral e a que não temos acesso. Como é que a descobrimos? É parecido com que se passa com os astrónomos. Eles já viram um buraco negro? Mas, sabem que aquele buraco é negro porque atrai. Como é que eu vejo os traumas? É muito simples. Se eu olho para o corpo de uma pessoa, para aquele molde, existe um genótipo. A pessoa começa a ser moldada e algumas das características que vão ter seus órgãos e estruturas funcionam em défice ou em excesso e aí surgem as doenças. Há estímulos, na vida, que vão fazer a pessoa mudar o seu modo de sentir, pensar e agir. Quando eu vejo o comportamento, os medos, os conflitos, os problemas que a pessoa repete, o que a fez tomar determinado tipo de decisão, a programação que tem na vida, é possível mudá-lo. Mas quem é que tem de mudar? A própria pessoa. Hipócrates dizia: “antes de tratar alguém, pergunte-lhe se está disposto a abrir mão daquilo que o fez adoecer.”
A medicina tornou-se num jogo absurdo sobre o poder de cura. Se eu digo que o poder de cura está dentro do doente, acaba-se o sistema. No meu trabalho, eu ajudo a pessoa destravar o seu poder de cura, porque foi ela que o travou. Porquê? Porque quando surgem os traumas, a pessoa começa a fragmentar-se, perde a unidade.  O objetivo é ajudá-la a ir identificando e tratando esses traumas, embora eles nunca desapareçam completamente. Há uma fantasia que acha que sim, que se apagam, mas não. Tudo que passou na sua vida está dentro de si. A questão não é o que lhe aconteceu, é como é que olha para as coisas que lhe aconteceram e o que vai fazer com isso, a partir do momento em que ganha consciência. Como dizia Sartre: “não importa o que aconteceu comigo, o que fizeram comigo até hoje, e sim, o que eu vou fazer com tudo isto, a partir de hoje”. Há, aqui, um ponto de mutação. Eu mudo o meu modo de viver.

“Não é o que lhe aconteceu, é a forma como olha para o que lhe aconteceu e o que vai fazer com isso, a partir do momento em que ganha consciência”

Integrall: Não é a doença, é a forma como o doente olha para ela e se relaciona com ela?

Fernando Freitas: A doença faz parte de mim. Segundo Groddeck, só os saudáveis adoecem, porque têm a capacidade de ouvir seu o corpo. Quem está desconectado do corpo, não o escuta. Se pegar num indivíduo que nunca adoece, frequentemente, ele morre, porque ele não está atento. Por outro lado, há imensa gente que está sempre doente e não morre. Existe a fantasia de acreditar que ser saudável é não adoecer, quando ser saudável é ter a capacidade de adoecer. A doença mostra que alguma coisa precisa de mudar dentro de si. É uma comunicação com o corpo, com o inconsciente, com alguma coisa que está dentro de nós. Se bloquearmos a doença, ela não nos alerta. Desligamo-nos do corpo com a vida ou da mente com a vida. A doença faz-nos ficar presentes, entrar em contacto com a dor, olhar para ela e tomar atitudes adequadas.

“Não é a doença que nos está a matar, o que nos está a matar é a nossa forma doentia de viver”

 Integrall: As doenças são processos de cura?

 Fernando Freitas: A doença acorda para realidade. Aparentemente, está tudo bem na sua vida e de repente, aparece uma doença, que quebra a sua realidade? E agora? Agora, não consegue trabalhar, fazer aquilo que  queria, não pode sair, pronto. O que fez a doença? A doença fê-la entrar em contacto com algo que não queria ver, mas que existia dentro de si. A doença não cria nada novo, ela avisa-a do que está dentro de si e para que não quer olhar, mas que precisa de ver. A doença é uma mensageira, mas, muitas vezes, não gostamos da mensagem. É o chamado princípio da alternância somática, de que falava Hipócrates: “se o médico tirar uma doença, o doente inventa outra, porque precisa disso”. A doença vai aparecer noutro lado até a pessoa escutar a mensagem. Se não a escutar, vai entrar num destino final: a morte.
Não é a doença que nos está a matar, o que nos está a matar é a nossa forma doentia de viver, a nossa cabeça louca, que toma as decisões completamente desligadas da realidade, mas que achamos normais. De onde trouxemos esses conceitos loucos de viver?

“A personalidade cancerígena é a de pessoas que não sabem dizer ‘não’ aos outros e passam a vida a cuidar deles”

 Integrall: O Fernando diz que existe uma personalidade cancerígena. Que personalidade é essa?

 Fernando Freitas: Quando estudamos as doenças, percebemos que há um terreno certo para algumas delas. Neste caso, falamos do famoso co-dependente e do salvador, que é aquele que que não sabe dizer “não” aos outros e que, por isso, diz “não” a si mesmo  e cuja vida é cuidar dos outros. Este é o tipo de personalidade cancerígena. São pessoas que não olham para si mesmas, que têm dificuldade de olhar para dentro, procurando e tratando o problema dos outros para não olhar para os seus. Todos os indivíduos com cancro precisam de aprender a dizer “não”, a colocar limites.  Passa-se o mesmo com o sistema imunitário. Ele olha para uma célula minha, que é doente e que vai destruir-me, identifica-a e bloqueia-a. Todos temos células cancerígenas dentro de nós, que o sistema imunitário caça. O que é que acontece a partir do momento em que não consegue identificá-la, não consegue impor-lhe limites? O cancro é uma doença invasiva e invade, precisamente, porque não lhe foi colocado um limite.
No caso dos indivíduos, eles têm relacionamentos invasivos, as pessoas invadem-nos, rebentam com eles e eles ainda cuidam dessas pessoas. Ao fazer tudo isto, o que está a acontecer? Estão também a bloquear o seu sistema imunitário, porque quando não se consegue olhar e pôr limites fora, não se consegue olhar e pôr limites dentro. Então, essas células que se passeiam pelo corpo e que, de vez em quando, sofrem uma mutação, podem acabar por originar um cancro. O cancro é uma célula que resolveu desrespeitar as regras do corpo, se multiplica e vai para onde quiser.

Integrall: Como é que se ajuda um doente com cancro a olhar para a doença e tratá-la?

Fernando Freitas: Não é olhar para a doença, é olhar para a vida. A doença vem para o acordar para a realidade. Eu digo uma frase que é: “ou acorda para a realidade da vida, ou a vida acorda-o para a realidade”. Se não quiser acordar, não acorde, mas alguém vai tocar o despertador. O quê? A doença. Quando a pessoa acorda e há algo que não está bem, ela precisa de tomar consciência e perguntar-se o que está a acontecer consigo e perceber se continuando assim, vai viver ou morrer. Esta é tomada de consciência – e ela é progressiva e infinita. A partir do momento em que a pessoa ganha consciência, surge dentro dela uma motivação para continuar assim ou para mudar, porque quando se ganha consciência, ela vai ver uma quantidade de dores e de traumas que não queria ver, mas que estão dentro de si. No momento em que vê, não o pode ignorar mais. Como dizia Einstein: “uma mente que se abre nunca mais volta ao tamanho original” porque a pessoa ampliou a consciência. Não dá mais para não ver. O meu trabalho é ajudar a pessoa a ganhar consciência de coisas dolorosas, as verdadeiras.
A última etapa é quando a pessoa se questiona e procura sair daquela situação. Esta é a chave. A chave são ferramentas que pode utilizar para fazer essa transição. O meu trabalho é ajudar a despertar para ganhar consciência e encontrar ferramentas para levar as pessoas a sair desse lugar.

Integrall: Muitas doenças também têm origem na família?

Fernando Freitas: Não são muitas, são todas. As causas são familiares e emocionais. Tudo está ligado.

Integrall: Qual é a mensagem que uma doença num bebé ou numa criança transporta?

Fernando Freitas:  Sempre que há uma dinâmica familiar doentia, em que os pais estão cheios de mecanismos de defesa e não o veem, quem é que é o elemento que entra em contacto? A criança. Quando surge uma doença numa criança, é porque é preciso avaliar o sistema. Essa doença vem despertar o sistema familiar, revelar os seus problemas. Quando se entende o sistema, percebe-se que a doença nunca é um elemento isolado de tudo, é o sistema inteiro que está doente.

DR

Integrall: Olhando para todo o seu caminho, o que é que aprendeu e descobriu sobre si, a sua família e as doenças do seu sistema?

Fernando Freitas: Eu faço parte de uma família que fez o melhor que pôde diante de todas as confusões que lhe aconteceram e essa família não são só os meus pais: são os meus avós, os meus bisavós. Quando eu olho para trás, vejo uma multidão de pessoas. Milhares e milhares e cada decisão que tomaram, mudou o destino da minha família. Eu sou fruto de tudo isso. Faço parte de um sistema enorme, absurdo e nesse sistema, algum familiar seu está lá também. No fundo, somos uma mesma família. Então, eu olho para tudo isso e faço uma reverência profunda a todos eles, porque, cada decisão que tomaram na vida, fez com que eu existisse hoje. Se eles mudassem uma qualquer decisão, eu não existiria. Eu sou a consequência dessa força de vida: eles sempre acreditaram na vida e sempre colocaram os descendentes a ir para a vida, passando-lhes o melhor que puderam. Eu costumo dizer: eu amo os meus pais profundamente, mas odeio os problemas que eles carregam, porque atrapalharam a vida deles,  a família. Então, eu amo a minha vida e odeio os meus problemas, mas se não fossem esses problemas, eu não tinha chegado aonde cheguei. A questão é que odiar os problemas não significa fazê-los desaparecer, mas, sim, aprender com eles para não os repetir. Quando eu olho para um problema e o observo, ele torna-se num desafio. Os meus pais aprenderam uma série de coisas e passaram-me tudo o que aprenderam. Agradeço-lhes profundamente porque eles fizeram o melhor que podiam e eu passo, também, o meu melhor aos meus filhos.

Tags: Consciência SistémicaConstelações FamiliaresFernando Freitas

Pesquisar Categorias

Contacto: integrall.geral@gmail.com

Pesquisar Categorias

Artigos recentes

  • “A hidroterapia do cólon é uma higiene de vida”
  • Sobre mim
  • Porquê Integr_all?
  • Ficha Técnica Integr_all
  • Política de Privacidade
  • Política de Cookies
  • Termos e Condições

© 2025 Copyright Integrall.

Welcome Back!

Login to your account below

Forgotten Password?

Retrieve your password

Please enter your username or email address to reset your password.

Log In
No Result
View All Result
  • Home
  • Saúde e Bem Estar
  • Desenvolvimento Pessoal
  • Biológicos
  • Sustentabilidade

© 2025 Copyright Integrall.