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Home Desenvolvimento Pessoal Constelações Familiares

“As constelações trazem à consciência padrões de família desajustados por traumas, conflitos ou exclusão para estabelecer o equilíbrio e dar harmonia às relações”

by Sandra Xavier
Setembro 4, 2025
in Constelações Familiares, Desenvolvimento Pessoal
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Terapeuta transpessoal ou da alma, como gosta de se apresentar, há décadas que Joaquim Parra Marujo se iniciou com as constelações familiares, antes mesmo de estarem em voga. Aliás, foi nos tempos em que era professor universitário que começou, para mais tarde, passar a utilizá-las nas suas consultas. Aprendeu com o fundador, Bert Hellinger e hoje, é um dos mais conceituados facilitadores, em Portugal e além-fronteiras. Parra Marujo leva o seu trabalho à Polónia, Brasil e Noruega. Tem duas obras publicadas: “A puta da evidência científica” e a “A cura da loucura ou a loucura que cura”.

Integrall: O Joaquim é mestre em Clínica de Saúde Mental, tem um doutoramento em Antropologia Social e Cultural e uma série de pós-graduações nas mais diversas áreas, mas há anos que se dedica às constelações familiares e que é terapeuta transpessoal. O que é um terapeuta transpessoal?

Joaquim Parra Marujo: Essa é a questão mais interessante porque não há muitos terapeutas que sejam transpessoais, não há mesmo. Em 1980, tive uma cliente que me disse que era um terapeuta da alma. Achei piada e nessa ocasião, perguntei-lhe o que é que ela entendia por terapeuta da alma. O que ela me disse foi que “um terapeuta da alma é aquela pessoa que esteve comigo e teve a capacidade de me curar, de curar a minha alma, ou seja, de curar todo este meu sofrimento”. Muito bom. Nos anos 80, não havia no nosso país alguém que tivesse a coragem de dizê-lo, em termos universitários.

 “Fui a primeira pessoa a montar uma licenciatura em Gerontologia, no nosso país (…) e consegui que a profissão fosse regulamentada”

 Integrall: O Joaquim também foi professor universitário?

Joaquim Parra Marujo: Até há cinco anos, dei aulas no ISPA, além de ter lecionado, em todas as universidades privadas, desde a Autónoma, passando pela Independente, até à Moderna, onde dei aulas de Psicologia e de Gerontologia. Aliás, fui o primeiro a montar uma licenciatura em Gerontologia, no nosso país, com muito sucesso e ainda consegui que a profissão fosse aceite e regulamentada.

“Para se ser terapeuta de pessoas tem que se ter uma visão holística e olhar para o ser humano, na sua totalidade, com um corpo, emoções, mente e espírito”

 Integrall: Mas voltando ao terapeuta da alma…

Joaquim Parra Marujo: Quando me disseram que eu era um terapeuta da alma, percebi uma coisa fundamental: para se ser terapeuta de pessoas, em primeiro lugar, é preciso ter uma visão holística, olhar para o ser humano, na sua totalidade, com um corpo, emoções, mente e espírito – energia da vida -no fundo, a alma, porque não há alma sem energia, porque a alma é a consciência desta e de outras vidas.
Na faculdade, eu perguntava aos alunos de Psicopedagogia e de Psicologia se sabiam o que era psicoterapeuta e eles – os de mestrado incluídos – faziam autênticas dissertações sobre o assunto, mas não alcançavam, porque não conheciam a etimologia da palavra: psique significa alma, theros significa nós e patheon significa Deus. Então, significa que é com a ajuda de Deus que retiramos os nós da alma e é, aqui, que entra a terapia transpessoal – o que está para além de mim? O que há de divino em mim? O que há no divino? O divino pode ser Deus, pode ser o supremo arquiteto deste universo, pode ser a ecologia ou pode ser o que tu quiseres. Eu sou um semideus, feito à imagem e semelhança de Deus. Portanto, a primeira coisa que precisamos de ter é uma visão holística, mas, durante muito tempo, se eu dissesse que era holístico a algum professor universitário, isso era considerado como uma heresia. Ainda hoje, na Ordem dos Psicólogos, dizem que não há alma. Eu gostava de saber, então, o que é que há – penso que estão todos errados.

Em segundo lugar, na psicologia transpessoal, temos de olhar para a transcendência. Quando eu transcendo, eu tenho um estado alterado de consciência, que vai para além do meu ego individual. Esse estado só é possível se eu fizer uma respiração holotrópica – respiração controlada para aceder a estados alterados de consciência -, que Stanislav Grof explicava muito bem.

O terceiro aspeto é a integração das práticas espirituais – muitas do Oriente, outras, do Ocidente-, ou seja, tenho de saber incorporar, dentro da terapia, a meditação, o ioga, o tai chi, algo que faço desde 1980.

DR

Integrall: Porque é que há tanta resistência na Ordem dos Psicólogos em reconhecer que existe uma alma?

Joaquim Parra Marujo: Porque acham que a Psicologia tem de mostrar evidência científica, como se a evidência científica demonstrasse, seja o que for. Sabemos que a maior parte das investigações são compradas e outras, inventadas.

Integrall: Como é que as constelações entraram na sua vida?

Joaquim Parra Marujo: Na faculdade, eu ensinava “Psicodrama”, que depois acabou por sair do currículo, ficando, apenas, nos cursos de Coimbra e do Porto. Na ocasião, fiquei com uma disciplina chamada “Expressão Corporal e Dinâmicas de Grupo” e, naturalmente, eu tinha um pouco o vício do “Psicodrama”, pelo que, resolvi juntar um grupo para fazer expressão corporal, onde as pessoas colocavam problemas, escolhiam os representantes para esse problema e tinham meia hora para resolvê-lo. Numa das vezes, comecei a trabalhar com objetos e aconteceu uma coisa muito gira. As pessoas pegavam numa caneta de um colega, por exemplo, e sentindo a energia da caneta, teriam de dizer coisas sobre o colega. No fundo, tinham de tentar receber a informação dos objetos- todos eles a têm-, nós é que não temos ainda a capacidade de saber que informação é essa, mas conseguimos ter esta perceção do ponto de vista fenomenológico. Uma das alunas tinha um casaco e perguntou quem é que queria saber o que é que esse casaco queria dizer. Outra aluna pegou nele, vestiu-o, caiu imediatamente e disse: “estou morta”. Então, eu perguntei à aluna que lhe tinha dado o casaco o que é que se passava com ele e ela explicou que pertencia ao namorado, que tinha morrido num acidente de moto. Foi, a partir daí, que eu entendi que, se calhar, nós podíamos utilizar o “Psicodrama” em sessões muito curtas, de uma hora, e comecei a trabalhar com isso já em consultório.

Integrall: Na prática, o que fazia nas aulas é o que faz agora nas constelações.

Joaquim Parra Marujo: Eram pequenas experiências, dinâmicas de grupo.

Integrall: Passou a fazer com os seus consulentes o que, antes, já fazia com os seus alunos.

Joaquim Parra Marujo: Fazia consultas individuais semanais, e depois levava-os, uma vez por mês, a trabalharem em grupo.

Integrall: Ainda sem usar o nome constelações?

 Joaquim Parra Marujo: Chamava-lhe o “Teatro Holístico” – segundo a imprensa brasileira, fui o primeiro usá-lo. Mais tarde, passei para o “Teatro do Oprimido” – tenho até um artigo publicado sobre o tema no Congresso Mundial -, o qual cheguei, também, a utilizar com os meus alunos de Psicopedagogia, da Universidade Moderna, no Porto -fzemos trabalhos interessantíssimos com sem-abrigo e com travestis. Foi, nessa altura, que um colega psicólogo me disse que o psicoterapeuta e fundador das constelações familiares, Bert Hellinger, na Alemanha, fazia umas coisas que não tinham nada a ver comigo, mas que eu devia ir ver o trabalho dele. Fui e percebi que era maravilhoso.

 “Quando conheci Bert Hellinger percebi que precisava de saber os campos morfogenéticos do Shelldrake, o inconsciente coletivo do Carl Jung e a complexidade do Freud”

 Integrall: O Joaquim, sem saber, já usava o trabalho do Bert Hellinger, sem chamar lhe chamar constelações familiares.

Joaquim Parra Marujo: É interessante, porque o Bert Hellinger nunca lhes chamou Constelações Familiares, chamava-lhes: “colocar a família”. Os brasileiros é que o traduziram para Constelações Familiares e o nome ficou. Nessa altura, percebi que me faltava muito mais conhecimento. O Bert tinha três princípios fundamentais: a hierarquia, que eu não levava em linha de conta, porque entendia que era normal  respeitarmo-la; os excluídos, que têm de ser incluídos – há uma área de pertença – todos pertencemos a uma família e, finalmente, o dar e de receber, que têm de existir em igual proporção.
Percebi ainda que precisava de conhcer os campos morfogenéticos de Rupert Shelldrake, o o inconsciente coletivo de Carl Jung – aliás, foi por causa dele que, há 20 anos, fui fazer o mestrado em Clínica de Saúde Mental, num dos melhores institutos de Barcelona, e que desenvolvi uma tese sobre essa área. Ao estudar Jung, percebi que, não há constelações sem o inconsciente coletivo e depois percebi, também, que era importante entender, Freud.
O primeiro curso, em Portugal, sobre constelações familiares foi, há 25 anos, na Universidade Moderna, com um grupo de 60 alunos de “Psicologia transpessoal, hipnose e constelações”  e nenhum passava de ano se não tivesse estudado, pelo menos, 30 autores que o Bert tinha estudado -, eu começo as constelações, a partir daí. Cheguei a ter grupos de 120 pessoas, quando as constelações ainda não estavam na moda, porque agora são uma moda. As pessoas pensam que as constelações curam, mas eu costumo dizer que tem de se ter cuidado porque podem criar uma loucura – não é a primeira vez que alguém vem a uma constelação e sai de lá com um surto psicótico – houve uma pessoa que esteve 12 dias internada no Hospital Júlio de Matos, em Lisboa.

Integrall: Porquê?

Joaquim Parra Marujo: Porque, normalmente, estão a desempenhar papéis, no fundo, há uma manipulação e as pessoas podem estar a assumir o papel de alguém com uma doença mental e o outro não a sabe tirar de lá. Não sabemos, quando uma pessoa aparece numa constelação, se já teve algum surto psicótico, se está deprimida ou se está a tomar antidepressivos. Temos de ter cuidado.

 “As constelações são uma técnica que procura identificar e resolver problemas emocionais, relacionais e de identidade perpetuados de geração em geração”

 Integrall: Para que é que servem as constelações?

Joaquim Parra Marujo: Para já, é preciso entender que as constelações partem da premissa que os membros de uma família estão emocionalmente e energicamente ligados uns aos outros, através de gerações. São uma técnica que procura identificar e resolver problemas emocionais, relacionais, de identidade, que estão enraizados nas gerações anteriores e que estão a ser perpetuados de geração em geração – numa constelação, utilizamos representantes para simbolizar os membros da família e as suas relações.
O que é que nós procuramos numa constelação? Compreender quais são as lealdades familiares que estão ocultas, quais são os traumas que não foram resolvidos e que estão, no fundo, a influenciar a vida atual.  O grande objetivo das constelações é trazer à consciência padrões de família, que estão desajustados por traumas, por conflitos ou por exclusão, para estabelecer o equilíbrio e dar uma harmonia às relações familiares.

As constelações familiares são, de facto, uma ferramenta muito valiosa, primeiro, para o autoconhecimento, segundo, para a autodescoberta, terceiro, para a resolução de conflitos e, finalmente, para o desenvolvimento pessoal. Porém, eu digo sempre que é muito importante fazer uma consulta antes para perceber exatamente qual é o tema que se vai colocar. Após a consulta, deve-se escrever sobre esse tema, fazer a constelação e depois dela, a pessoa deve escrever sobre o que viu, o que sentiu e para que é que lhe serviu. Oito dias depois, deve fazer nova consulta, exatamente, para perceber o que é que mudou, o que é preciso trabalhar, e, às vezes, conclui-se que é preciso fazer terapia.

A pessoa pode não ter consciência de que é excluída no seu sistema familiar, por exemplo, e isso é-lhe revelado na constelação. Quando isso acontece, a pessoa pode, por exemplo, sentir-se excluída no trabalho ou nas relações, acaba por ter sempre o mesmo padrão de relacionamentos.

Integrall: É possível eliminar esse padrão?

Joaquim Parra Marujo: É possível tomar consciência do que se passa nessa relação, perceber a causa da sua problemática na relação amorosa.

Integrall: O que é que a pessoa faz com essa informação?

Joaquim Parra Marujo: Vai ter de fazer terapia para resolver o problema. A constelação ajuda a revelar um problema que pode estar escondido. A partir daí, é preciso trabalhar, ir resolver o problema, se quiser, claro. Não é a constelação que o resolve.

 Intregrall: Em constelações costuma falar-se em emaranhamentos. O que são?

Joaquim Parra Marujo: O emaranhamento era uma coisa que o Bert falava. Às vezes, emaranhamo-nos uns com os outros. O que é que isso nos quer dizer? São padrões de comportamento, pensamentos ou emoções, que se repetem de geração em geração e que são transmitidos de forma muito inconsciente.

“Muitas vezes, estamos a carregar culpas que não são nossas, a repetir traumas ou destinos muito trágicos porque temos de honrar a nossa família”

 Integrall: Pode-se quebrá-los?

Joaquim Parra Marujo:
Pode.
São ligações invisíveis, que afetam negativamente os membros da família, são lealdades invisíveis. Vamos imaginar que uma família tem uma mulher muito matriarcal. O que é que terá acontecido? Numa constelação, vemos que a filha já está a ir pelo mesmo caminho, escolhendo homens mais fracos e que a avó já o tinha feito. Provavelmente, temos uma geração cujo homem morreu cedo. O que é que é mais comum num emaranhamento? Um filho assumir o papel de pai numa relação ou uma filha assumir o papel de mãe, ou seja, cuidar dela. Muitas vezes, estamos a carregar culpas que não são nossas, a sentirmo-nos culpados de tudo – estamos a repetir traumas ou destinos muito trágicos – porque, por conta da constelação, temos de honrar a nossa família.

Integrall: Como é que se resolve um problema através da representação do sistema familiar?

Joaquim Parra Marujo: Na constelação vamos ter vários representantes: um que vai representar o conflito, outro, o próprio e outro a pessoa com quem se tem o conflito. Nessa triangulação, podemos perceber inúmeras coisas: micro expressões de raiva, de tristeza, de nojo; os processos de vinculação que houve, se foi uma vinculação segura ou insegura. É a partir daqui que, de facto, podemos olhar para a constelação e que ela começa a desenvolver-se.

 Integrall: Quanto tempo dura uma constelação?

 Joaquim Parra Marujo: Por norma, entre meia hora a hora e meia. Não quer dizer que não haja constelações que não demorem mais tempo. Mas há um ponto importante: as constelações têm de terminar bem, sem a manipulação do facilitador, ou seja, é preciso deixar que possa fluir.

 

DR

Integrall: Uma sessão basta ou as pessoas precisam de constelar mais vezes?

Joaquim Parra Marujo: Normalmente, a constelação é como se fosse uma cebola. Por vezes, é preciso mais do que uma, se houver outras coisas para descascar.

Integrall: Além das constelações familiares, trabalha com organizacionais e pedagógicas. Como funcionam?

Joaquim Parra Marujo: As pedagógicas são muito parecidas com as  familiares. Se nos aparece uma criança com insucesso escolar, agressiva, com défice de atenção, vamos tentar perceber o porquê, colocando, na dinâmica, representantes da escola e dos professores a escola pode representar o pai e os professores podem representar a mãe.

 “A constelação fornece ‘insights’ muito rápidos sobre questões complexas, promove soluções muito criativas e inovadoras e aumenta a compreensão sistémica da empresa”

Integrall: E as organizacionais?

Joaquim Parra Marujo:
Nas empresas, que são uma organização, há vários departamentos, e cada um tem dinâmicas ocultas  – grande problema são os padrões de relacionamento. Além disso, é preciso perceber os fluxos de informação e as hierarquias.
Numa empresa, podemos trabalhar os departamentos, os líderes e os problemas que são colocados. Primeiro, temos de identificar os bloqueios e os conflitos ocultos, melhorar a comunicação e a colaboração, otimizar os processos e as estruturas organizacionais, e depois, podemos ajudar na resolução de conflitos entre departamentos, melhoria dos processos de tomada de decisão, facilitação de fusões e aquisições, alinhamento dos valores e da cultura organizacional, daí a importância de eu ter um doutoramento de Antropologia.

Integrall: Quais são os benefícios?

Joaquim Parra Marujo: A constelação fornece insights muito rápidos sobre questões complexas, promove soluções muito criativas e inovadoras e aumenta a compreensão sistémica da organização.
Qual é o princípio-chave? O respeito pela hierarquia organizacional e pela ordem, o reconhecimento da contribuição de todos os membros da organização e ter muito cuidado entre o dar e o receber dentro da organização. Temos de ter sempre facilitadores experientes porque a constelação numa empresa pode ser vista com algum ceticismo pela administração e nós temos de explicar, muito bem, que há ciência dentro da constelação organizacional, mas pode, também, haver alguma subjetividade, a qual necessita de uma validação adicional. O que é que eu costumo dizer numa empresa? Que temos de preparar as pessoas para um coaching executivo, para poder trabalhar todas essas questões e nunca esquecer, como na Psicologia Transpessoal, que há apenas uma única perspetiva, que é holística.
Enquanto que na constelação familiar podemos ir tentando resolver o problema com alguma orientação, na organizacional, nós não orientamos, deixamos que as coisas aconteçam com explicações muito simples. Nós não somos o dono da empresa e o dono pode não estar interessado em mudar.

“É preciso conhecer Física Quântica para saber constelações”

 Integrall: O que é preciso saber para fazer constelações?

Joaquim Parra Marujo: Ninguém pode fazer uma constelação sem saber o que é fenomenologia, porque a constelação é um método fenomenológico, não é um método científico. Qual é a nossa abordagem? Observamos os fenómenos, que são os acontecimentos, tal como eles se nos apresentam. É proibido fazer julgamentos, é proibido fazer intervenções – deixamos de lado as nossas opiniões, os nossos preconceitos. Eu tenho de ter o mesmo respeito pela vítima e pelo perpetuador. A minha observação direta é saber como é que a constelação está a atuar, sem analisá-la e, muito menos, explicá-la. Permitimos, sob o ponto de vista fenomenológico, que o representante entre em contacto direto com as sensações, com as emoções e que as suas intuições sejam ditas por palavras. É importante perceber o campo morfogenético de que fala o biólogo e parapsicólogo britânico, Rupert Shelldrake, que é um campo não físico de informação, que molda e organiza os sistemas biológicos e sociais e que contém memórias coletivas e padrões de comportamento. Qual é sua a relação com a constelação? É que os representantes podem aceder a essa informação pelo inconsciente coletivo do Jung e pelo inconsciente familiar do Freud. Significa que há uma memória coletiva acessível na constelação. Então, estes padrões de cultura vão influenciar, no tempo e no espaço, as famílias. Como é que se acede à informação? Eu entendo que se acede através de baixas frequência – como aquelas em que os cães ouvem os apitos da polícia. Nós, também, recebemos esta informação e somos capazes de sintonizá-la através das microexpressões faciais utilizadas pelos representantes nas constelações – é interessante porque é neste campo, no fundo, que vamos trabalhar todas as informações. Naturalmente que é uma teoria muito pseudocientífica e muito pouco académica para explicar nas dinâmicas, mas, o que, se calhar, as pessoas não têm noção é que é preciso saber de Física Quântica para saber de constelações. Se eu não perceber de Física Quântica, eu não sei o que é uma doença e não sei como é que eu curo uma pessoa. Além disso, é preciso estudar Psicologia, Antropologia, Terapia e Desenvolvimento e principalmente, o que é uma terapia sistémica, o que é uma abordagem vivencial e participativa, o que é uma reflexão crítica, o que é criatividade, como se aprofundam conceitos.

Integrall: A que mudanças que já assistiu na vida das pessoas que ajudou?

Joaquim Parra Marujo: Eu digo sempre, com um ar muito satisfeito, que nunca tive ninguém que viesse a uma consulta minha que não resolvesse o seu problema.

“É urgente colocar as constelações dentro da Psicologia”

 Integrall: Considera que as constelações deviam ser contempladas no nosso sistema de ensino?

Joaquim Parra Marujo: Devia ser urgente colocá-las dentro da Psicologia, se a Ordem (dos Psicólogos) não tiver uma miopia intelectual.
Em Espanha, há duas associações sobre constelações e no Brasil, há três, onde sou membro da comissão científica do Centro de Excelência em Constelações Sistémicas (CECS), que tem milhares de associados e posso garantir que ninguém é associado se não tiver, pelo menos, um curso de mínimo de 400 horas de formação. Quem faz 450 horas de formação, em Portugal, sou eu.

Integrall: É um ano letivo?

Joaquim Parra Marujo: São dois anos letivos, com 200 horas de prática.

Integrall: Onde dá aulas?

Joaquim Parra Marujo: Em Lisboa e a Leiria e além do curso de constelações, tenho um outro fundamental para todos: “Conhece-te”, que dura um ano e tem 120 horas.

 Integrall: O que é que a sociedade teria a ganhar com a introdução das constelações no sistema de ensino?

 Joaquim Parra Marujo: As pessoas perceberem que a subjetividade é a coisa mais importante, não é a objetividade; aprenderem a retirar os rótulos, imediatamente, e depois, a trabalhar com a fenomenologia.

 “Se a Ordem dos Psicólogos permitisse que os psicólogos fizessem constelações familiares, isso melhoraria a compreensão das dinâmicas de grupo, permitiria desenvolver a inteligência fenomenológica e emocional e permitiria oferecer ferramentas, a todos os estudantes, para a mediação de conflitos”

 Integrall: Há psicólogos que alertam que as constelações são um método pseudocientífico, que ignora as Ciências Sociais e a Psicologia e para o risco do seu uso como uma solução milagrosa. Como é que reage a estas críticas?

Joaquim Parra Marujo: Por um lado, de facto, a Ordem dos Psicólogos tem razão, porque temos, em Portugal, cursos de fim de semana, de 40 horas, onde as pessoas são mal preparadas. Muitas nem sequer percebem a diferença entre uma depressão e uma tristeza, entre uma esquizofrenia e uma psicose. Por conseguinte, ninguém pode fazer um curso de constelações sem saber o que é Psicopatologia, sem conhecer o processo de vinculação da criança.  Ser terapeuta implica ter passado pela Psicologia ou por uma terapia, que o tenha validado como Psicoterapeuta.

Agora, o que posso garantir é que se a Ordem permitisse que os psicólogos fizessem constelações familiares – não como um perigo para a saúde pública, mas com cabeça, tronco e membros -, isso melhoraria a compreensão das dinâmicas de grupo, permitiria desenvolver a inteligência fenomenológica e emocional – uma área de empatia – e permitiria oferecer ferramentas, a todos os estudantes, para a mediação de conflitos. No fundo, permitiria trabalhar o holismo, que trata as pessoas no seu todo: biológico, psicológico, social, emocional, cognitivo, transpessoal, espiritual. Era uma oportunidade única de autoconhecimento.

Integrall: O que é que encontrou nas constelações que não encontrou na Psicologia?

Joaquim Parra Marujo: Na Psicologia, não se faz uma abordagem sistémica, não se analisam os padrões da Psicogenealogia dos antepassados – como se os nossos antepassados não servissem para nada.
Na Psicologia, não fazem a mínima ideia do que é um campo morfogenético, do que é a dimensão transpessoal, só estão preocupados com o diagnóstico da doença, com a estruturação cognitiva, -são demasiadamente reducionistas, porque não foram ensinados a observar o fenómeno, em si, como é que ele emerge no processo, sem fazer um julgamento ou uma interpretação prévia.
Uma vez tive um consulente médico, cujo pai tinha morrido e ele não conseguia perdoá-lo. Perguntei-lhe porquê? Explicou-me que o pai nunca estava em casa, que tinha um restaurante, que estava sempre a trabalhar e que, às vezes, era agressivo verbalmente, ou seja, não tinha nenhum contacto com o pai e quando tinha, ele era muito agressivo. Nesse momento, perguntei-lhe simplesmente quem é que lhe tinha pago o curso de medicina e expliquei-lhe que a sua criança interior queria ser amada e que aquela era uma exigência dessa criança. Quando se critica o pai em adulto, ainda é a criança a falar – a criança quer aquilo que o pai não lhe deu ou porque não tinha capacidades ou porque não o sabia dar. Acrescentei que, se fosse capaz de amar a sua criança interior, seria um bom médico, porque isso significava que também se amava. Um mês depois, quando voltou à consulta, disse-me que tinha chorado, que aprendeu a ter compaixão pelo pai, que o tinha perdoado e que, naquele momento, gostava de o ter vivo para o poder abraçar, pois nunca o tinha feito, nem na hora da sua morte.

Integrall: É com compaixão que se ama a criança interior?

Joaquim Parra Marujo: É. Com compaixão.

Tags: A loucura que curaA puta da evidência científicaauto conhecimentoBert Hellingercampos morfogenéticosCarl Jungconstelações EducacionaisConstelações FamiliaresConstelações OrganizacionaisFísica QuânticaFreudholismoJoaquim Parra Marujolealdades familiaresnews-secondaryParra MarujoRupert ShelldrakeStanislav Grofterapeuta da almaTerapeuta transpessoaltraumas familiares

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