Já recebeu ameaças e foi acusado de ser um perigo para a saúde pública. Algo que não incomoda o cardiologista e especialista em nutrição brasileiro, Lair Ribeiro, que conta com mais de 50 anos de carreira. Conhecido por desaconselhar algumas práticas usadas em saúde pública, no seu livro: “Câncer – uma outra visão”, lançado em 2021, arrasa, mais uma vez, nas críticas.
Defende a biópsia líquida no tratamento personalizado do cancro, explica porque é que é contra a mamografia de prevenção e o PSA como diagnóstico, recomenda 20 minutos diários ao sol sem protector e remata: “o cancro tornou-se num grande negócio”. Palavra do médico que trabalhou, durante quase uma década, na indústria farmacêutica.

Integrall: Porque decidiu escrever este livro?
Lair Ribeiro: Em 2002, publiquei o livro “Cancêr de mama – Prevenção e Tratamento”. Nos últimos 20 anos, tenho vindo a aprofundar o meu estudo sobre o tema. Publiquei, também, sobre “Cancro – uma outra visão”. Além de ser cardiologista, sou médico especialista em nutrição e foi esta minha especialidade que me levou a interessar-me pelo tratamento do cancro
“Como o próprio nome indica, é uma indústria (farmacêutica). Não está preocupada com a saúde. Está lá para ganhar dinheiro.”
Integrall: Afirma que “o cancro é um grande negócio” e que a indústria farmacêutica factura milhões. Conhece-a bem?
Lair Ribeiro: Sim, porque trabalhei nela durante oito anos e meio. Como o próprio nome indica, é uma indústria. Não está preocupada com a saúde. Está lá para ganhar dinheiro. O cancro tornou-se num grande negócio. Se alguém descobrir algum tratamento que não dê dinheiro a ninguém, não vai para a frente, infelizmente.
Integrall: Em que é que o facto de ter trabalhado na indústria mudou a sua visão como médico?
Lair Ribeiro: Mudou radicalmente porque nós, médicos, passamos seis anos no curso a aprender a usar remédios. Mas o remédio, o próprio nome já diz, remedia, não trata a causa, trata os efeitos colaterais da doença.
Integrall: Porque é que saiu da indústria?
Lair Ribeiro: Saí por frustração porque, – eu cheguei a ser vice-presidente de uma empresa -, percebi, cada vez mais, que a indústria está mais preocupada com o lucro do que com a resolução do problema. A minha ética não me permitiu fazê-lo.
Integrall: Mas a indústria investe milhões na procura de tratamentos contra o cancro.
Lair Ribeiro: Quando eu falo em indústria, não me refiro a toda. Há indústrias sérias e outras que querem facturar. Temos que estar lá dentro para saber quem é quem.
Integrall: Apesar do forte investimento da indústria, os casos de cancro aumentam a cada ano. O que é que está a falhar?
Lair Ribeiro: Em primeiro lugar, é a causa do cancro. Até hoje, não se chegou a uma conclusão precisa sobre se o cancro é um fenómeno genético ou uma doença metabólica. Pode ser de origem genética, metabólica ou uma combinação das duas. Pode haver uma alteração metabólica, tratar-se o cancro como tal e como consequência, surge a mutação. Eu não estou a dizer que não há uma mutação genética, há, sim, mas não é a causa primária. A causa primária, na minha opinião, é uma falha na utilização do oxigénio pela célula. Perante este distúrbio, em vez de sobreviver, a célula muda de aeróbica (usa oxigénio) para anaeróbica (não usa oxigénio) e isso muda tudo porque obriga a mudar o foco no tratamento. Enquanto não se resolver a causa, o efeito não vai desaparecer.

“O primeiro passo para melhorar o cancro é diminuir, drasticamente, a ingestão de açúcar e de hidratos de carbono (que se transformam em açúcar), pois “mata-se a célula cancerígena à fome”.
Integrall: É na utilização do oxigénio que está a diferença no metabolismo de uma célula cancerígena quando comparada com uma célula normal?
Lair Ribeiro: A célula normal recebe o oxigénio e liberta dióxido de carbono. Se perder essa habilidade, tem duas opções: ou morre ou muda. Se sofrer uma mutação, vai tornar-se numa célula cancerígena. Quando se torna cancerígena, o oxigénio torna-se veneno para ela. Ela passa a fermentar e vai usar o produto da fermentação. A melhor coisa para fermentar é o açúcar. Por isso, o primeiro passo para melhorar o cancro é diminuir, drasticamente, a ingestão de açúcar e de hidratos de carbono (que se transformam em açúcar), pois “mata-se a célula cancerígena à fome”. A dieta ajuda muito no tratamento do cancro, mas, hoje, os oncologistas – não todos -, não estão interessados na dieta do paciente. O doente pergunta:” doutor, o que é que eu posso comer? O que quiser. Posso comer gelados? Pode.” A partir daí, o paciente vai comer gelados todos os dias. Ele mata o cancro de manhã com a quimioterapia e estimula-o à tarde, comendo gelados.
Integrall: Porque é que diz que muitos oncologistas não estão preocupados com a dieta?
Lair Ribeiro: Porque nos seis anos da faculdade, não discutimos nutrição. Ninguém enfatiza a importância da alimentação, das vitaminas, dos minerais. Se for medir os níveis de vitamina D de pessoas com cancro, estão baixos.
Integrall: Quais são as fases do cancro?
Lair Ribeiro: O cancro tem três fases: a iniciação, a evolução e a progressão (metástases). A célula cancerígena, além de se dividir desordenadamente, também tem a capacidade de invadir as células vizinhas, ela gosta de viajar- apanha boleia no sangue e na linfa e vai para outra zona do corpo. Por exemplo, a célula cancerígena do pâncreas migra para o fígado. O que mata mais não é o cancro, são as metástases. Há medicamentos que podem prevenir o cancro, mas, após a fase de iniciação, já não servem para nada. Há remédios que podem ajudar na fase de iniciação, outros na evolução e outros na progressão. A curcumina (presente na curcuma), por exemplo, pode ajudar nas três fases. Há centenas de trabalhos científicos que o comprovam.
“O cancro é multifactorial. Um dos principais factores é a desnutrição. As pessoas estão alimentadas, mas não estão nutridas. Se eu como um hambúrguer com batatas fritas e bebo um refrigerante, estou alimentado – a fome desapareceu -, mas não estou nutrido.”
Integrall: Refere que 90% dos cancros são de origem epigenética: devem-se a factores ambientais e/ou ao estilo de vida.
Lair Ribeiro: Sim, o cancro é multifactorial. Um dos principais factores é a desnutrição. As pessoas estão alimentadas, mas não estão nutridas. Se eu como um hambúrguer com batatas fritas e bebo um refrigerante, estou alimentado – a fome desapareceu -, mas não estou nutrido.
Por outro lado, vivemos num mundo em que o ar, o solo e a água estão contaminados, o nosso corpo está contaminado. As crianças já nascem contaminadas. Um estudo da universidade de San Diego, na Califórnia, que analisou as toxinas no sangue do cordão umbilical de um recém-nascido, relevou que tinha mais de 100 substâncias que não deviam lá estar.
O conflito emocional também influencia. Por exemplo, uma mãe que perdeu um filho pode desenvolver com um cancro de mama, um ano depois. Um empresário, que foi sequestrado, pode vir a ter um cancro de próstata.
Outra coisa importante é que o cancro pode passar de uma pessoa para outra. O que é que é o HPV? É uma infecção (causada pelo papiloma vírus humano), que pode dar origem ao cancro do colo do útero. Como é que se apanha? Nas relações sexuais.
Integrall: Todos os anos são gastos milhões em tecnologia que se concentra em métodos de análises genéticas, mas se só dez por cento dos cancros têm esta origem, anda-se a investir no “cavalo errado”?
Lair Ribeiro: Fazer pesquisas genéticas dá dinheiro e cuidar do metabolismo é muito simples. Quem falar contra o sistema, é apedrejado. É uma luta de David contra Golias.
Integrall: As investigações e análises genéticas não ajudam a compreender o funcionamento das células?
Lair Ribeiro: As investigações e análises genéticas ajudam muitíssimo, a medicina como um todo, e não deixam de ajudar na terapia do cancro. Esse não é o ponto que estou a discutir. O ponto é se tudo começa na genética ou se também pode começar na epigenética. Qual é a causa primária do cancro? Há cancros que são de origem genética e nesses estamos de acordo. Naqueles que não são de origem genética, a toxicidade do mundo onde vivemos tem um papel muito importante, podendo tornar o genoma instável, levando a mutações.
Integrall: O abandono da investigação em genética não pode acabar por prejudicar a medicina funcional?
Lair Ribeiro: Em momento algum estou a sugerir que haja um abandono da investigação genética. Tem-se investigado muito sobre a causa primária ser a genética e os resultados são pífios. Não houve redução na mortalidade do cancro, nos últimos 50 anos. A investigação genética constitui um dos maiores avanços na medicina. A publicação do “Projeto Genoma”, em 2003, constitui um avanço inestimável. Tanto que hoje a medicina está a ser dividida em 2 fases: medicina pré-genoma e medicina pós-genoma. A causa primária, sendo genética, é que é a questão. Nos últimos 20 mil anos, o nosso DNA, de acordo com os geneticistas, quase não sofreu alterações. A alta prevalência de cancro é uma consequência da modernidade. Se o genoma é o mesmo, como se explica o cancro como sendo hoje a segunda principal causa de morte, quando há 100 anos era muito raro?
Integrall: Sendo a maioria dos tumores epigenéticos quer dizer que os tratamentos recomendados podem não ser os indicados?
Lair Ribeiro: O tratamento convencional consiste em matar o cancro. O problema é que quando se mata o cancro, acaba por se matar também o dono do cancro. É como ter um ratinho na cozinha e colocar dinamite para o matar: vai explodir a cozinha toda.
No caso do tratamento funcional, o que se faz é descobrir como actuar com as células para não se transformarem em cancerígenas.
Integrall: Afirma que se anda “a enxugar o chão para minimizar uma inundação da casa de banho, quando bastava fechar a torneira”.
Lair Ribeiro: Porque não se foi à causa. A causa é que a torneira estava a vazar. Eu tenho que reparar a torneira em vez de ficar a enxugar o chão.
Integrall: A nova esperança tecnológica, biópsia líquida, pode ajudar?
Lair Ribeiro: A biópsia líquida consiste em tirar 15 mililitros de sangue do paciente. Com essa amostra faz-se uma análise minuciosa. Em primeiro lugar, a biópsia vai ver se existe alguma célula cancerígena a circular no sangue, porque o paciente pode dizer: “estou curado”, mas se houver uma ou duas células cancerígenas em circulação, pode ter uma recidiva. Parecia que o cancro estava curado e não estava. É só uma questão de oportunidade de se manifestar de novo. Em segundo lugar, a biópsia vai permitir saber qual é a melhor quimioterapia para aquele tipo de cancro. Há mais de 100 quimioterapias diferentes, mas nem todas são adequadas para o mesmo tipo de cancro. A biópsia líquida vai permitir um tratamento personalizado da doença. É um instrumento de diagnóstico e terapêutico, que orienta a terapia.
Integrall: Para além da Suíça, que países já utilizam a biópsia líquida?
Lair Ribeiro: A empresa que faz a biópsia líquida é uma empresa suíça, mas os laboratórios ficam na Grécia. A empresa faz biópsias líquidas para o mundo inteiro. Em Portugal, alguns médicos já a utilizam.
Integrall: Quanto custa?
O exame mais completo custa cerca de dois mil euros.
Integrall: No livro fala de “outras abordagens terapêuticas eficazes”, todas com resultados promissores e sem toxicidade para o paciente. Porque é que poucas pessoas têm acesso a elas?
Lair Ribeiro: Para lhe responder com propriedade a essa pergunta tenho que lhe explicar como funcionam as patentes na indústria farmacêutica. Num laboratório, eu descubro uma molécula que acho que vai servir o cancro. Eu vou patentear essa molécula para a empresa em que eu trabalho. Eu só posso patentear uma molécula se ela não existir no planeta terra. Eu não posso patentear o oxigénio, porque ele existe, eu não posso patentear a curcumina, porque a natureza produz. Para eu patentear uma molécula, tenho que provar que ela não existe no mundo. Se eu conseguir patenteá-la, fico com a exclusividade dessa molécula durante 20 anos. Por isso, a indústria farmacêutica vai investir muito para a colocar no mercado. Agora, pergunta-me: “é possível patentear a curcumina?” Não. Ninguém ganha dinheiro com isso. É possível patentear ozono? Não. Ninguém ganha dinheiro com isso. Tudo o que não tem patente não vai para a frente.
“Eu não sou contra a mamografia de diagnóstico, sou contra a mamografia preventiva. A radiação de uma mamografia é 150 vezes superior à de uma radiografia ao tórax. Agora, imagine-se o que acontece a uma mulher de 25 anos – com uma probabilidade de 0,000001% de vir a ter cancro de mama -, que todos os anos se submete a uma mamografia preventiva?“
Integrall: Considera haver um equívoco na associação entre a realização de exames e a prevenção do cancro, nomeadamente o PSA (à próstata) e a mamografia preventiva (à mama). Em que é que se fundamenta?
Lair Ribeiro: Os exames não previnem, detectam. Eu não sou contra a mamografia diagnóstica, sou contra a mamografia preventiva. A radiação de uma mamografia é 150 vezes superior à de uma radiografia ao tórax. Agora, imagine-se o que acontece a uma mulher de 25 anos – com uma probabilidade de 0,000001% de vir a ter cancro de mama -, que todos os anos se submete a uma mamografia preventiva? Não sou só eu que sou contra. Inglaterra, Estados Unidos, Canadá, Suécia recomendam mamografia preventiva só depois dos 50 anos e de três em três anos, porque nessa faixa etária aumenta a incidência de cancro. Há imensos estudos que revelam que a mamografia preventiva prejudica mais do que ajuda. A radiação, recebida em mamografias preventivas consecutivas, pode causar cancro. O tiro sai pela culatra.
Em relação ao exame à próstata, a pessoa pode ter cancro de próstata sem ter o PSA alterado. Pelo contrário, a pessoa pode ter o PSA altíssimo e não ter cancro de próstata. Como se separa o trigo do joio? Se a pessoa andou a cavalo ou teve relações sexuais na noite anterior, tudo isso fará aumentar o PSA. O próprio Richard Ablin, cientista americano que desenvolveu o PSA, veio a público, há anos, dizer que se tinha arrependido de ter criado este exame, porque não foi feito para detetar cancro e estava a ser usado como tal, prejudicando muita gente. Porquê? Se o PSA de uma pessoa está alto, tem que se fazer uma biópsia, que fura a cápsula da próstata. Há uma série de problemas que surgem a partir daí, baseando-se num número de laboratório.
Lair Ribeiro: Há pessoas a morrer de cancro na próstata com um PSA normal. Como se explica isto?
Integrall: Que tipo de exames é que os homens deviam fazer para diagnosticar o cancro da próstata?
Lair Ribeiro: Uma ultrassonografia para ver se há algum tumor.
“Só 5% dos cancros são de origem genética. Por isso, o que defendo é a prevenção, que se baseia numa multiplicidade de factores: alimentação saudável, fazer exercício físico, dormir bem.”
Integrall: No caso das mulheres que tenham um historial de cancro de mama na família ou que devem fazer em vez das mamografias preventivas?
Lair Ribeiro: Só cinco por cento dos cancros são de origem genética. Por isso, o que defendo é a prevenção, que se baseia numa multiplicidade de factores: alimentação saudável, fazer exercício físico, dormir bem.
Integrall: Os tratamentos contra o cancro têm inúmeros efeitos colaterais?
Lair Ribeiro: Mais do que o cancro propriamente dito. A quimioterapia, em dose elevada, não prejudica só as células doentes, prejudica, também, as sãs e enfraquece o sistema imunitário.
Integrall: Mas há casos bem-sucedidos?
Lair Ribeiro: Claro que há. Se a pessoa tem um cancro no testículo, um linfoma, uma leucemia, eu diria que o primeiro remédio a ser usado, seria a quimioterapia, mas personalizada, ou seja, fazendo a biópsia líquida para ver qual é quimioterapia adequada. Agora, se tiver um cancro de pâncreas com metástases no fígado, nesse caso, eu não usaria quimioterapia porque não funciona.
Integrall: Se a quimioterapia não funciona, por que razão é usada para tratar vários tipos de cancro, como comprovado pela ciência?
Lair Ribeiro: A quimioterapia tem o seu valor. Se eu for acometido de um cancro de testículo, linfoma ou leucemia provavelmente considero a quimioterapia como uma opção. No entanto, se eu for diagnosticado com cancro de pâncreas com metástase hepática, a quimioterapia não seria uma opção. Quantas pessoas conhece que tiveram o diagnóstico de cancro de pâncreas metastático, foram tratados somente com quimioterapia e estão vivas após seis meses? Eu não conheço ninguém.
Integrall: Porque é que, na sua opinião, os estudos feitos sobre a eficácia da quimioterapia nunca a comparam com o tratamento com o placebo?
Lair Ribeiro: A explicação que nos é dada é que o cancro é uma doença tão séria que não pode ter placebo. Engraçado porque, na doença cardíaca, que mata mais do que o cancro, nós fazemos tratamento com placebo. Se na doença que mais mata no mundo usam placebo, não entendo porque é que na oncologia não pode usar-se? Sabe o que é que fazem? Comparam uma droga aprovada com outra.
Integrall: As formas como se desenvolvem o cancro e a doença cardíaca não são totalmente diferentes?
Lair Ribeiro: Nada mata mais do que doença cardíaca – causa número um de morte no mundo. No entanto, quando se estuda uma nova droga, ela tem que ser comparada com placebo, senão não há aprovação pelas autoridades. Porque é que isso não se aplica ao caso do cancro? Como vai determinar a eficácia de um medicamento sem saber como seria sem ele? O uso da quimioterapia, de acordo com o Instituto de Cancro Americano, não causou uma redução na letalidade oncológica nos últimos 50 anos.
Integrall: Qual é a grande diferença na meta do tratamento entre a medicina convencional e a integrativa?
Lair Ribeiro: A medicina convencional tem o cancro como inimigo e quer matá-lo, mesmo que mate o paciente. A medicina funcional preocupa-se mais com a longevidade da pessoa, garantindo-lhe qualidade de vida, mesmo tendo o cancro.
Integrall: A aposta deve ser feita na prevenção?
Lair Ribeiro: O melhor tratamento para qualquer doença é não a ter.
Integrall: Como prevenir o cancro?
Lair Ribeiro: Com o chamado efeito comitiva: dormir bem (oito horas por dia), fazer exercício físico, ter uma boa alimentação e fazer sauna seca para desintoxicar.
Integrall: Qual papel da vitamina D na prevenção da doença?
Lair Ribeiro: Para ter uma ideia, uma mulher com bons níveis de vitamina D (acima de 50 nanogramas por mililitro de sangue) reduz a probabilidade de ter cancro de mama em 83%.
“As pessoas devem apanhar sol, sem protecção, durante os primeiros 20 minutos, de preferência, entre as dez da manhã e as duas da tarde (para assimilar a vitamina D). Só depois é que devem pôr o protector.”
Integrall: Considera que há uma interferência do uso de protectores solares no desenvolvimento de cancro de pele. É uma ideia considerada peregrina por muitos colegas seus, sobretudo, dermatologistas.
Lair Ribeiro: Há três tipos de raios solares ultravioleta: A, B e C. Os do tipo C ficam lá em cima. 95% dos raios que recebemos são do tipo A e cinco por cento são do tipo B, que são os que produzem vitamina D. Os do tipo A não produzem vitamina nenhuma e estão presentes desde que o sol nasce até que se põe. Os raios do tipo B só estão disponíveis das dez da manhã às duas da tarde. Os protectores solares, que se compra na farmácia, só protegem contra os raios do tipo B, não protegem contra os do tipo A, que são os que causam o problema. Então, a pessoa aplica o protector, pensando que está protegida e fica o dia todo a apanhar sol. As pessoas devem apanhar sol, sem protecção, durante os primeiros 20 minutos, de preferência, entre as dez da manhã e as duas da tarde (para assimilar a vitamina D). Só depois é que devem pôr o protector.
Integrall: Qual a importância da higiene dentária na prevenção do cancro?
Lair Ribeiro: O médico vê um corpo sem boca e o dentista vê uma boca sem corpo. É preciso integrar as duas medicinas. Uma boca saudável ajuda na prevenção do cancro.
“O elixir tem produtos que matam as bactérias boas da boca e que podem desencadear pressão alta”
Integrall: Porque desaconselha o uso de pastas com flúor e de elixir?
Lair Ribeiro: O elixir tem produtos que matam as bactérias boas da boca e que podem desencadear pressão alta. Quanto ao flúor, muitas nações do mundo nunca deixaram colocá-lo na água, como a Suécia ou a Noruega e os países que colocaram flúor na água, estão a retirá-lo. A história de que o flúor previne cárie dentária é um mito.
Integrall: Recomenda os dentistas biológicos. Em que se distinguem dos outros?
Lair Ribeiro: São dentistas que não põem metal na boca do paciente. Eles trabalham com cerâmica.
Integrall: Qual é o papel que o intestino exerce no desenvolvimento do cancro?
Lair Ribeiro: Temos muito mais bactérias no intestino do que células no corpo e 99,9 por cento dessas bactérias são amigas. Um dos problemas de se tomar antibióticos é que se pode matar parte da flora intestinal. Quanto mais limpa for, mais forte é o sistema imunitário.
Integrall: Defende o consumo de uma boa água potável.
Lair Ribeiro: Ser água potável não significa que seja pura. Pode ter uma água pura e ela ser má. Há águas, no mercado, com um PH de 2,5. São águas limpinhas, mas têm um PH tão baixo que não são águas, são refrigerantes. O PH do nosso sangue é 7,35. Tudo o que tomamos abaixo desse valor, obriga o corpo a fazer um esforço para compensar. Vamos ter que correr atrás do prejuízo. Por isso, é que o PH da água é importante.
“Como cardiologista, digo que é um mito que a gordura faz mal. Não. Agora, há boas e más gorduras. As boas fazem muito bem e não aumentam o colesterol.”
Integrall: Defende também a importância de consumir boas gorduras.
Lair Ribeiro: Esse é outro problema sério porque a maioria das pessoas tem o conceito de que a gordura faz mal. Não é verdade. Como cardiologista, digo que é um mito que a gordura faz mal. Não. Agora, há boas e más gorduras. As boas fazem muito bem e não aumentam o colesterol.
Integrall: As suas posições públicas sobre o colesterol diferem das da maioria. O colesterol é ou não é uma gordura?
Lair Ribeiro: O colesterol é um lípido, não é uma gordura. Esse é outro erro muito grande.
“Mais de 50 por cento dos pacientes com enfarte, em Portugal, têm colesterol normal. Se o colesterol é tão importante, como é que se explica que pessoas com colesterol normal tenham enfartes?”
Integrall: Todos os pacientes com enfarte agudo do miocárdio têm o colesterol elevado?
Lair Ribeiro: Mais de 50 por cento dos pacientes com enfarte, em Portugal, têm colesterol normal. Se o colesterol é tão importante, como é que se explica que pessoas com colesterol normal tenham enfartes?
Integrall: O que tem a dizer sobre a teoria da dieta cardíaca de que a ingestão de gordura saturada irá aumentar o colesterol no sangue e com isso levar à aterosclerose?
Lair Ribeiro: Isso é uma teoria. Nunca foi provada. Eu desafio qualquer pessoa que leia esta entrevista a encontrar um trabalho científico que prove que, se uma pessoa comer gordura saturada, vai aumentar o seu colesterol e que esse aumento causa aterosclerose.
Integrall: É verdade que colesterol é um dos mais importantes nutrientes do corpo humano?
Lair Ribeiro: Todas as hormonas são produzidas à base de colesterol. Se o colesterol está muito baixo, o corpo não as produz. Sabia que sem colesterol, o corpo não produz vitamina D3? O colesterol faz parte da membrana celular dos 38 triliões de células do corpo. O cérebro pesa dois por cento do corpo, mas armazena 25% do seu colesterol. Se o colesterol fosse uma coisa má, acha que o criador (Deus), ia pegar nele e colocá-lo no órgão mais nobre do corpo? Não é o colesterol que faz o estrago. O que faz o estrago principal é o açúcar.
“Baixar o colesterol diminui a mortalidade?” Não vai conseguir provar-me. Pode estudar o resto da sua vida. Não existe um trabalho, na literatura, que diga que baixando o colesterol se prolonga a vida.
Integrall: É verdade que colesterol é um dos mais importantes nutrientes do corpo humano?
Lair Ribeiro: Todas as hormonas são produzidas à base de colesterol. Se o colesterol está muito baixo, o corpo não as produz. Sabia que a vitamina D3, que o corpo produz, vem do colesterol? Sem colesterol, o corpo não a produz. O colesterol faz parte da membrana celular dos 38 triliões de células que temos no corpo. O cérebro pesa dois por cento do corpo, mas armazena 25 por cento do colesterol que temos no corpo. Se o colesterol fosse uma coisa má, acha que o criador (Deus), ia pegar nessa coisa má e colocá-la no órgão mais nobre do corpo?
Integrall: Porque diz que correlação não é o mesmo que causalidade?
Lair Ribeiro: Vamos imaginar que lê no jornal que, nos últimos dez anos, a venda de ténis em Portugal duplicou. E depois lê outra notícia que diz que, nos últimos dez anos, o número de diabéticos em Portugal duplicou. Acha que as pessoas que usam ténis vão tornar-se diabéticas? Há correlação, mas não há causalidade. Nem tudo o que correlaciona é causa-efeito.
Dou-lhe mais um exemplo: em todos os incêndios há um bombeiro a apagar o fogo. Só falta agora dizer-me que foram os bombeiros que causaram o incêndio, porque nunca viu um incêndio sem bombeiros. O colesterol está lá para salvar, o colesterol cura, tal como os bombeiros.
Integrall: Mas ouvimos que o colesterol é mau.
Lair Ribeiro: Não é o colesterol que faz o estrago. O que faz o estrago principal é o açúcar.
Integrall: Porque é que na sua opinião as publicações, muitas vezes, nos trazem uma visão distorcida da realidade?
Lair Ribeiro: As publicações enganam-nos com a estatística. Ora repare. Eu divido 200 pessoas em dois grupos de 100. Vou tratar um grupo com a droga “x” e o outro, com placebo, a quem vou dar uma pílula de açúcar, durante 12 meses. Ao fim de um ano, no grupo que tomou a droga “x”, morreu um paciente e no grupo do placebo, morreram dois. Como é um em cem, eu vou dizer que é um por cento, certo? Como são dois em cem, eu vou dizer que são dois por cento, certo? Então, a droga “x” salvou um por cento. Mas se eu disser que, no grupo da droga “x” a mortalidade é 50% menor do que no grupo do placebo, não estou a mentir. Um não é metade de dois? Se eu disser que houve uma redução de 50 %, não estou a mentir. Mas, afinal de contas, a droga “x” salvou 50 % ou salvou um por cento? Salvou um por cento, mas a publicação vai dizer que salvou 50%, logo, as pessoas (enganadas) vão comprar aquele remédio.
Integrall: Qual é a sua opinião sobre o uso estatinas para reduzir os níveis de colesterol?
Lair Ribeiro: Em primeiro lugar, o colesterol não deve ser reduzido. É como estar à procura da minha carteira onde eu não a perdi. Em segundo lugar, se as estatinas não tivessem efeitos colaterais, tudo bem. Temos é que perguntar: “Baixar o colesterol diminui a mortalidade?” Não vai conseguir provar-me. Pode estudar o resto da sua vida. Não existe um trabalho, na literatura, que diga que baixando o colesterol se prolonga a vida. Não existe um. Todos os que o tentaram fazer, não conseguiram. Para que é que eu vou baixar uma coisa que não leva a nada? Se não tivesse efeitos colaterais, tudo bem.
Integrall: Então, o que é que se deve fazer em relação ao colesterol?
Lair Ribeiro: Deixar o colesterol quieto ou, se querem, realmente, baixar o colesterol há uma opção muito mais simples: tomar vitamina D3.
Integrall: As suas posições já lhe valeram muitas críticas entre a comunidade científica.
Lair Ribeiro: Eu tenho uma fórmula para não ser criticado: não falar nada, não fazer nada, não ser ninguém. Se alguém me criticar, digo para mim: “que bom, estou a fazer o meu trabalho”.
Integrall: Não tem receio de falar?
Lair Ribeiro: Não, mas não me exponho. Fico em casa. Faço a maior parte do meu trabalho online.
Integrall: Já recebeu ameaças?
Sim.

















