Médico com mais de 50 anos de prática clínica e mais de uma dezena de livros publicados, Manuel Pinto Coelho é acérrimo defensor da importância de bons níveis de vitamina D para reforçar as defesas do organismo. Basta uma dose de 10 mil unidades internacionais diárias de vitamina D para um adulto fortalecer o seu sistema imunitário, defende o clínico no livro – O segredo do sistema imunitário, da Oficina do Livro -, onde cita inúmeros estudos científicos.
Controverso entre a comunidade científica, isso não o impede de ser campeão de vendas em Portugal. Aliás, sente-se orgulhoso de ter sido “o primeiro a falar do papel gigante da vitamina D”, em 2015, na obra Chegar Novo a Velho, que vendeu 140 mil exemplares e está traduzido em inglês e alemão. Na altura, a frase: “a radiação solar faz-nos mais bem do que mal” valeu-lhe muitas críticas, mas, hoje, diz que é “uma evidência”, apesar de, “infelizmente, a medicina não estar atenta a esta temática”.

A hormona chamada vitamina D
Na realidade, a vitamina D é uma “hormona” que tem como principal função regular o sistema imunitário, ou seja, as defesas do organismo. “Nós temos 23 mil genes funcionais. A vitamina D regula 10 por cento desses genes. Agora, imagine-se bem o que é que doses elevadas podem fazer em doenças tão graves como as autoimunes, o cancro ou outras patologias?”, alerta.
Mais de 70% das células imunitárias – o chamado GALT (gut associated linphoide tissue, em português, tecido linfoide associado ao intestino) -, estão na parede do intestino. O GALT produz imunoglobulinas (anticorpos), particular- mente, linfócitos T e B, macrófagos e células dendríticas.
Por isso, a chave é “respeitar a parede do intestino.” Como? “Com uma alimentação saudável, que evite alimentos que a inflamem – açúcar, cereais com glúten, a caseína dos lacticínios, toxinas e metais pesados –, um sono reparador, a prática de exercício fisco e claro, apanhar sol com os níveis de colesterol suficientes na pele e sem protector solar para que o corpo consiga sintetizar a vitamina D”, explica.
“Basta uma pessoa estar exposta ao sol a pique, ou seja, entre as 11 da manhã e as 3 da tarde, durante 20 minutos, sem protector, com 60 % do corpo exposto. Isto equivale a 10 mil unidades internacionais de vitamina D e, como tal, não se gasta um tostão”
E prossegue, questionando: “Como é que é possível não se avançar com esta medida que, ainda para mais, é baratíssima?”, desabafa, incrédulo. “Basta uma pessoa estar exposta ao sol a pique, ou seja, entre as 11 da manhã e as 3 da tarde, durante 20 minutos, sem protector, com 60 % do corpo exposto. Isto equivale a 10 mil unidades internacionais de vitamina D e, como tal, não se gasta um tostão”, repete, acrescentando: “A comunidade científica, normalmente, está virada para o agente agressor, mas deveria começar a investigar, a sério, os benefícios do estilo de vida saudável e da imunidade inespecífica, que é a imunidade inata, com que nós nasce- mos e que não é mensurável, ao contrário da imunidade específica, que é aquela que nos é trazida pelas vacinas.”
Manuel Pinto Coelho não tem dúvidas: “pessoas que tenham níveis de vitamina D elevados são pessoas com muito mais dificuldade em contrair qualquer tipo de doença. Com bons níveis de vitamina D, a pessoa nem se constipa”. Por isso, sol à parte, prescreve-a aos seus 16 mil pacientes – e apesar de defender a vitamina D como uma medida universal, pede que este e outros conselhos seus sejam discutidos com o médico assistente de cada um.
“Pessoas que tenham níveis de vitamina D elevados são pessoas com muito mais dificuldade em contrair qualquer tipo de doença”
Mas, afinal, o que significa ter níveis correctos de vitamina D?
“Até 30 ng/ml (nanogramas por mililitro de sangue), a pessoa pode ir parar ao hospital. Entre 30 e 50ng/ml, isso já não acontece, embora possa ter alguns sintomas e a partir de 50ng/ml, a pessoa nem sintomas tem, segundo um estudo do Instituto Superior de Sanitat de Turim” enfatiza.
Vivemos rodeados de micróbios
Apesar do papel “enorme da vitamina D”, nem todas as pessoas a absorvem da mesma maneira. “Não há uma regra, tal como em relação aos micróbios que (con)vivem connosco. Há pessoas que ficam doentes e outras não. Porque é que será? Porque há situações que provocam desequilíbrios e que fazem com que eles se virem contra nós, nomeadamente um estilo de vida pouco saudável. Temos 100 triliões de micróbios só dentro do nosso intestino, que constituem a microbiota (flora intestinal) e que pesam dois quilos. É uma realidade a que ninguém escapa. Nós não somos o que comemos, somos o que aqueles micróbios digerem. A doença surge quando aparece um distúrbio que transtorna o equilíbrio do organismo”, remata.

















