“A medicina e qualquer ciência da saúde é filha da espiritualidade, porque é uma forma de exercer espiritualidade: sentir e ter empatia pela dor do outro permite-nos ajudar a criar estratégias para ajudá-lo a ultrapassar a dor”. Palavras de José Azantos, especialista em Medicina Geral e Familiar há cerca de uma década e meia, no 3º Congresso Internacional de Nutrição Integrativa Funcional (CINIF).
Toda a palestra do médico foi pautada pelo amor a começar pela própria profissão: “ser médico é para quem sabe de medicina e ser curador é para quem sabe de amor”, salientando que “a medicina é o amor pelo paciente”, mas que “um médico não pode amar o seu paciente se não se amar, primeiro, a si”.
José Azantos enfatizou a importância do amor-próprio pois, “é o cordão umbilical que liga a espiritualidade à medicina” e referiu que “falar de hábitos saudáveis é falar de amor-próprio”, mas esclareceu que “amor-próprio não é gostar de si mesmo– isso é auto-estima –, porque tal implica uma avaliação. O amor-próprio é reconhecer o amor que cada um é”.
Não fosse ele o autor do livro “o Médico que fala da Alma” , o especialista lançou à audiência a pergunta: “sabemos da alma diariamente?”, respondendo que “existe a tendência a achar que somos mente e corpo e na corrida do dia a dia, esquecemos que somos alma”. Além disso, afirmou que “todos somos amor” e explicou que “ninguém” tem falta de amor-próprio. “É como o ar que respiramos. Ninguém tem falta de ar, tem é uma falha na respiração – o que falta, muitas vezes, é consciência disso”. Mas, como desenvolver o amor-próprio? Para o médico, o amor-próprio não se desenvolve, expressa-se ,“é destapar a nossa alma”, afirmou.
“Porque é tão difícil amarmo-nos a nós próprios?”
José Azantos foi mais longe ao dizer que não é difícil ter amor-próprio, só o é se “colocarmos as vendas do ego. O ego é como o colega de turma que está mais preocupado em anotar aquilo que ele próprio faz do que com o que o professor ensina, ou seja, o ego está mais preocupado com as suas interpretações do que lhe acontece na vida”.
Quanto às críticas e julgamentos, explicou que “nós somos os nossos próprios porteiros, ou seja, nós é que decidimos o que deixamos entrar. Os julgamentos não podem arrancar nem uma ínfima parte da nossa essência. Não há críticas destrutivas porque nenhuma pode destruir quem somos”, reforçou.
O especialista adiantou, no entanto, que “é possível ter amor-próprio e mesmo assim querermos mudar algo em nós” e que isso se deve “à necessidade de amar e de expressar o que somos”, sublinhando que “as grandes mudanças na nossa vida acontecem quando queremos ser mais do que já somos e não ser uma pessoa diferente da que somos”.

Amar-se e cuidar-se antes de ajudar os outros
O médico de família, não esqueceu, no seu discurso, as pessoas que são naturalmente cuidadoras, frisando que devem, em primeiro lugar, tratar de si mesmas: “quando queremos muito ajudar os outros antes de cuidarmos de nós, não estamos a colocar ninguém à nossa frente, mas, sim, a colocar-nos atrás dos outros”.
José Azantos avançou, também, que os relacionamentos são “sobre partilhar e sobre exprimir os nossos talentos aos outros e não sobre dar e receber. Quando cada um partilha o seu talento há um relacionamento saudável”.
Quanto aos relacionamentos tóxicos, diz que o amor-próprio é o remédio, uma vez que “coloca cada um de igual para igual. Ninguém tem nada para completar ao outro – todos somos seres completos” e concluiu que “amor próprio não significa ser sempre feliz, mas estar sempre inteiro”.
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