O Parque de Jogos 1º de Maio, no Inatel, em Lisboa, volta a receber o Festival de Bem-Estar nos próximos dias 11, 12 e 13 de setembro. Em entrevista ao Integrall, Jorge Coelho, que o organiza desde que surgiu, há 22 anos, antecipa o que se espera do maior evento nacional de desenvolvimento pessoal e espiritual.
Integrall: Há quantos anos existe o Festival de Bem-Estar?
Jorge Coelho: A ideia começou em 2004. É um evento que temos o orgulho de organizar, há 22 anos e é muito provável que seja o único, em Portugal, com mais de 20 anos, 100 por cento privado e sem patrocínios.
O Festival de Bem-Estar “é o único, em Portugal, com mais de 20 anos, 100 por cento privado e sem patrocínios”

Integrall: Esta ideia foi inovadora quando surgiu?
Jorge Coelho: Sim. Na altura, havia pequenos núcleos de reiki, de meditação e várias escolas de ioga, em Portugal, mas não havia, nem de perto nem de longe, este dinamismo que a nossa sociedade hoje apresenta e por isso, chamámos-lhe Feira Alternativa porque, à época, chamava-se alternativo a tudo, mas, depois, deixou de fazer sentido. O que era alternativo de antigamente, hoje, faz parte do nosso faz parte do nosso dia-a-dia e por isso, é que alterámos o nome para Festival de Bem-Estar.
Sobre o evento propriamente dito, naqueles dez/oito anos iniciais, era a exposição que tinha muita força, mas, ao longo destas duas décadas, eu diria que, atualmente, passou a ser o programa a ter a força e que “manda” no evento, embora, obviamente, a exposição ainda continue a ser muito forte e pertinente – é onde as empresas, os terapeutas, os projetos encontram a oportunidade de divulgarem os seus serviços, de venderem os seus produtos e de implementarem as suas atividades, em Portugal.
São cerca de 150 atividades que têm lugar, ao longo de dois dias e meio, a que se somam a palestras, workshops, aulas de dança, meditação, Chi Kung, Tai Chi, entre outros
Integrall: São muitas atividades ao longo do fim de semana?
Jorge Coelho: Sim, temos cerca de 150 atividades, ao longo de dois dias e meio, a que se somam palestras, workshops, aulas de dança, meditação, Chi Kung, Tai Chi, entre outros.
Integrall: Este é o maior evento nacional de terapias complementares de desenvolvimento pessoal e espiritual?
Jorge Coelho: Se considerarmos critérios como o número de visitantes, de expositores e de participantes, sim, eu diria que é, de longe, o maior evento que se faz em Portugal.
Integrall: Como conseguem organizar um evento desta dimensão, há 22 anos, sem qualquer apoio?
Jorge Coelho: Quando se desenvolve um bom conceito e o mercado absorve esse conceito, ele vende por si só e durante estes 22 anos, o mérito do crescimento deve-se, essencialmente, a duas coisas: em primeiro lugar, à confiança que os expositores e os palestrantes depositam no evento e na organização e em segundo lugar, aos visitantes, porque sem eles não havia evento – os visitantes são a peça fundamental porque encontram a qualidade e a consciência, encontram soluções para os seus desafios e obviamente, não posso deixar de incluir, também, o mérito do trabalho da organização; somos poucos mas bons e conseguimos, todos os anos, ter este evento sempre com novidades, inovações, com palestrantes novos e novos dinamismos.
Integrall: Quantas pessoas fazem parte da organização?
Jorge Coelho: Somos quatro, mas, evidentemente, temos cerca de 15 parceiros externos ligados à logística, segurança, equipamentos, audiovisuais, entre outros.
“As novidades residem sempre em tentar acompanhar o mercado e este mercado do desenvolvimento pessoal e da espiritualidade”
Integrall: Que novidades vai haver este ano em relação à edição do ano passado?
Jorge Coelho: As novidades residem sempre em tentar acompanhar o mercado do desenvolvimento pessoal e da espiritualidade, que é muito abrangente.
No caso do Festival de Bem-Estar, nós conseguimos segmentar três áreas: uma mais mental, com processos terapêuticos ou dinâmicas mais mentais, uma vertente mais espiritual, com meditações, hipnoterapias regressivas, sessões de ayahuasca, ritual que envolve o consumo de uma bebida psicoativa feita a partir de plantas e uma franja, que eu considero no meio destas duas, que é a neurociência e nos permite abranger um leque mais avançado.
A nível de nomes, por exemplo, este ano, vamos ter novamente o médico Fernando Freitas, especialista em Psicossomática e está tudo alinhado para termos o Harmonic Sounds, um projeto já com mais de 30 anos de terapia através do som e também, Sophie Hellinger, viúva de Bert Hellinger, o criador das Constelações Familiares, com uma palestra online.
Astrologia, meditação, hipnoterapias regressivas, sessões de ayahuasca, ioga, reiki, massagens, palestras, workshops e diversos expositores fazem parte do 22º Festival de Bem-Estar
Integrall: O Festival de Bem-Estar tem presenças de renome internacional e nacional?
Jorge Coelho: Sim, os nacionais são sempre aqueles ícones pioneiros e inovadores, em Portugal, como por exemplo, o Luís Resina, o António Paiva, o Luís Martins Simões, o Nuno Michael, o Alexandre da Gama, entre outros. São palestrantes inevitáveis porque são pessoas com muitos créditos nas suas áreas, são autores, têm um trabalho de muita consideração e muito respeito e por isso, temos sempre muito gosto em tê-los presentes.
“É, essencialmente, a partir dos 20/25 anos que começamos a ser confrontados com os desconfortos, com os desafios na vida”
Integrall: O que é as pessoas mais procuram neste evento?
Jorge Coelho: Nós temos um um público muito heterogéneo. São cerca de oito a 10 mil visitantes, entre os 20 e os 70 anos – é, essencialmente, a partir dos 20/25 anos que começamos a ser confrontados com os desconfortos, com os desafios na vida e nesse sentido, é um público que procura soluções para esses seus desafios.
Constelações familiares, reiki e ioga entre as mais procuradas no Festival
Integrall: Quais são as terapias mais procuradas?
Jorge Coelho: Eu diria que há quem esteja mais preocupado com a vertente terapêutica da saúde física, há quem procure mais as tendências, como as constelações familiares e há quem procure uma dinâmica mais espiritual, que lhe permite uma ligação com o transcendente. Para além disso, temos a Associação Portuguesa de Reiki, o Instituto de Reflexologia de Lisboa e a Federação Portuguesa de Ioga, que são sempre presenças muito fortes.
Integrall: O esperam da edição deste ano?
Jorge Coelho: Em primeiro lugar, esperamos sempre estar à altura e ser capazes de organizar um bom evento – que dá trabalho -, e depois, esperamos ter um programa muito atrativo, que chame mais visitantes, não só os que já conhecem o festival, mas também atrair novos.
Organização espera dez mil visitantes ao longo do fim de semana
Integrall: Quantas pessoas são esperadas este ano?
Jorge Coelho: Claro que vai depender de vários fatores, como as condições climatéricas, mas temos vontade de chegar, outra vez, aos 10 mil visitantes.

Integrall: Há bilhetes para um dia e para os três dias?
Jorge Coelho: Sim, há bilhetes diários e um passe para dois ou três dias.
Integrall: Quais são os preços dos bilhetes?
Jorge Coelho: O bilhete de sexta feira custa 8€, o de sábado e de domingo custa 12€, o passe para os dois dias, custa 20€ e o dos três dias, 25€. Os ingressos estão disponíveis no nosso site ou na ticketline, que é nossa parceira.
Integrall: O festival deixou de ter “alternativa” no nome porque essa palavra já não faz sentido hoje em dia?
Jorge Coelho: Eu tinha um amigo médico que dizia, muitas vezes, que não podia ser alternativo, mas, sim, complementar. A ideia surgiu-nos porque é, realmente, um festival de bem-estar, ou seja, todas as suas atividades são para o bem-estar humano: a saúde física, mental, espiritual e emocional integram esse conceito.
Integrall: Fazem falta mais eventos como este?
Jorge Coelho: Eu julgo que há vários eventos muito importantes organizados quer portugueses, quer por estrangeiros, que se vêm repetindo ao longo do tempo, mas, com este dinamismo, esta dimensão e esta estrutura, o Festival de Bem-Estar é o único. Se fazem falta mais eventos deste género? Só o mercado poderá responder a isso.
Festival de Bem-Estar quer voltar ao Porto
Integrall: Faço-te a pergunta de outra maneira: as pessoas estão sedentas de eventos como este?
Jorge Coelho: Sim, aliás, as pessoas perguntam-nos quando é que regressamos ao Porto, aonde não vamos desde a pandemia e depois, há também, o facto de haver muita oferta de palestras e workshops, mas são online e nós queremos sempre garantir o evento presencial para as pessoas se conhecerem, ligarem e partilharem toda a energia in loco.
Integrall: Este é um evento da empresa “Mundo Melhor Portugal Lda”, que já tem quase 20 anos no mercado. Que outros eventos do género organizam?
Jorge Coelho: A empresa foi formada em 2011, numa altura em que eu estava num processo introspectivo e de mudança, e numa reflexão, perguntei-me: “o é que eu quero fazer?” Naquele momento, percebi que queria contribuir para um mundo melhor, registei a empresa, criei uma página no Facebook, em três meses ultrapassei os cinco mil amigos e cá estamos.
Para além do Festival de Bem-Estar, organizamos retiros de xamanismo e encontros e formações de constelações familiares com professores estrangeiros. Estamos a prever iniciar, também, em setembro/outubro, fazer dinâmicas com enteógenos, substâncias capazes de expandir a consciência e induzir a estados alterados, cujos efeitos estão, hoje, muito comprovados, a nível científico e académico.
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