Alexandra Vasconcelos é farmacêutica, naturopata e pós-graduada em saúde integrativa.
Mestre em medicina integrativa e humanista e em nutrição ortomolecular pelo CENAC, em Barcelona, conta ainda com uma pós-graduação em nutrição oncológica e outra em adequação nutricional e manutenção da homeostase – prevenção e tratamento de doenças relacionadas à idade, pela da Academia Lair Ribeiro.
Foi uma das oradoras do 3º Congresso Internacional de Nutrição Integrativa Funcional (CINIF), com uma palestra sobre “Parasitas ocultos: a presença comum e subestimada nas alterações imunológicas e doenças crónicas”.
Em conversa com o Integrall, Alexandra Vasconcelos afirma que é preciso ir às causas das doenças e que estas podem ser apenas a ponta do iceberg.
Após estudar os parasitas, descobriu o mundo que, por vezes, se esconde por debaixo de patologias, que vão desde alergias a cancros. Para isso, conta com a ajuda da bioressonância, que usa na sua prática clínica.
Integrall: Em que momento da sua carreira que se apaixonou pelo tema parasitas?
Alexandra Vasconcelos: Ao longo destes 20 anos venho progressivamente a apaixonar-me, primeiro, pela causa das doenças e dos sintomas -temos de ir à causa – esta história de tratar o sintoma não me faz sentido.
Assim, comecei com o vírus – e o vírus realmente é uma causa imensa -, depois dos vírus, bactérias sabe-se, também, que há os, fungos e por aí fora. Nos últimos cinco anos, talvez um pouco mais pós-Covid – porque a questão da Covid e das vacinas e de tudo aquilo que nós vivemos -, alterou incrivelmente, de forma negativa, a nossa resposta imunológica e então, é tudo muito mais expressado. Nos últimos cinco anos, tenho trabalhado mais nisto, quando os intestinos e a microbiota estão piores. Estes micro-organismos, que vivem silenciosos dentro de nós, acabam por tomar uma força maior, porque isto é uma força que existe entre o hospedeiro e o micro-organismo – e como o hospedeiro está mais fraco imunologicamente-, os micro-organismos tomam uma força maior.
Como eu trabalho com biorresonância, desde o início, comecei a conduzir a minha consulta para os parasitas, porque, realmente, comecei a perceber muitas reativações de parasitas.
“Tratar o sintoma não me faz sentido, temos de ir às causas”
Integrall: Na sua palestra, referiu que a doença é a ponta do iceberg.
Alexandra Vasconcelos: Às vezes, por exemplo, pode aparecer (em consulta) uma pessoa com um cancro de bexiga, ou com uma situação menos complicada, como alergias, uma alteração comportamental de repente, ou uma depressão repentiva e sem causa aparente e tudo isso é a ponta do iceberg, aquilo que é visível. Onde nós vamos atuar é naquilo que está por baixo e o que está por baixo podem ser – há várias questões-, mas podem ser as causas de patógenos.
Integrall: Os parasitas são de difícil deteção?
Alexandra Vasconcelos: No caso dos parasitas, sim. Os outros micro-organismos conseguimos detetar, apesar de haver ainda alguns erros, mas já se detetam melhor. Os parasitas são, quanto a mim, os mais difíceis de detetar, porque, como revela um estudo de 2025, é preciso fazer 18 recolhas de fezes para se conseguir ter um resultado positivo. Então, é difícil e muitas vezes, as pessoas veem parasitas nas fezes, e depois, vão fazer os testes e eles não estão, algo que acontece muito frequentemente. E por ser difícil de detetar, é que, muitas vezes, a questão dos parasitas é descartada. As pessoas até podem dizer aos médicos: “tenho dor de barriga, tenho diarreia, acho que comi qualquer coisa e vi um parasita”, vai fazer o teste, e está negativo – é um falso negativo-, e é descartado, mas se nós formos investigar com a bioresonância, vemos parasitas, e muitas vezes, invariavelmente, esses parasitas estão fora do intestino e estão a afetar órgãos.
Integrall: A porta de entrada dos parasitas é o aparelho digestivo, alojam-se no intestino, mas depois podem-se alojar em muitos outros órgãos?
Alexandra Vasconcelos: Exatamente, é isso mesmo.
“A melhor forma de detetar parasitas é com bioressonância”

Integrall: Na palestra, falou de várias formas de detetar os parasitas. Qual é aquela que defende em primeiro lugar?
Alexandra Vasconcelos: É a bioresonância, não há margem para dúvida, porque as outras dão-nos muitos falsos negativos, como releva o estudo e eu tenho detetado muitos, muitos, muitos pela bioresonância. Nós enviamos a frequência- cada vírus, cada bactéria, cada coisa, no fundo, tem uma frequência de vibração específica e nós temos essas frequências todas dentro dos equipamentos -, enviamos essa frequência para o doente, e se houver uma ressonância, ou seja, se o doente tiver esse micro-organismo, vai ressoar. É a mesma história do diapasão, quando um toca, o outro toca também pela frequência. É como quando nós pomos um som num copo, se for a mesma vibração, o copo vai vibrar. É um bocadinho a mesma lógica. Nós enviamos essa frequência, se vibrar, ou seja, se ressoar a frequência que enviámos, vai ficar retida no corpo da pessoa. Então, percebemos que a pessoa tem essa frequência que corresponde a um micro-organismo qualquer.
Integrall: A biorresonância é uma máquina?
Alexandra Vasconcelos: Há vários equipamentos, a biorresonância é um método.
Integrall: Onde é que as pessoas podem fazer uma biorresonância?
Alexandra Vasconcelos: Há vários colegas que têm, eu trabalho com a minha equipa – nós só trabalhamos com biorresonância -e também dou cursos de biorresonância. Em fevereiro e março temos, todos os anos, um curso de biorresonância.
Integrall: Que especialistas é que uma paciente deve procurar para fazer uma bioressonância?
Alexandra Vasconcelos: Um especialista de medicina integrativa e dentro da medicina integrativa, quem trabalha com biorresonância, porque há pessoas que estão em medicina integrativa e não trabalham com biorresonância, fazem só trabalham com a parte da correção do estilo de vida.
Integrall: A bioressonância tem precisão?
Alexandra Vasconcelos: Um médico da clínica geral, pede um teste de fezes, dá negativo, o que não é difícil, mas o parasita está no fígado. Por exemplo, quando se abrem as apendicites, são micro-organismos, que inflamam o apêndice e depois tem de se tirar. Agora, essa é a questão: quando se tem um ninho de bichos mortos no apêndice, como é que apanha nas fezes? Não se apanha nas fezes, porque eles estão em outro sítio, não têm forçosamente de produzir ovos ou o próprio do parasita.
“Há várias formas de curar os parasitas, mas é importante corrigir o terreno”
Integrall: Depois de detetar os parasitas, via bioresonância, é possível curá-los definitivamente?
Alexandra Vasconcelos: Claro, nós vamos, exatamente, curar o parasita. Há produtos químicos, há produtos naturais, há a própria bioresonância, também, que é uma forma de conseguirmos tratar parasitas, mas, essencialmente, aquilo que chama a atenção é corrigir o terreno, porque os parasitas são como uma nódoa que cai num pano, ela pode ficar lá ou desaparecer, depende da característica do pano. Os parasitas no nosso corpo são a mesma coisa, eu posso ser contaminada com parasita e no meu corpo não ficar nada ou vice-versa, depende do terreno biológico, então, o que nós temos de corrigir é o terreno biológico para que o nosso sistema imunológico consiga fazer face aos parasitas.
Integrall: Quando se refere a terreno biológico, refere-se ao intestino, em particular?
Alexandra Vasconcelos: Não só. A tudo: ao intestino, ao pH do estômago, ao pH da boca.
Integrall: A prevenção é o melhor remédio?
Alexandra Vasconcelos: Exato, a prevenção é o melhor remédio.
Integrall: Que conselhos é que daria a quem estiver a ler esta entrevista?
Alexandra Vasconcelos: Primeiro, ter muito cuidado, perceber o que está mal e fazer uma abordagem, um check-up, neste sentido energético das ressonâncias, ter cuidado com a alimentação, o estilo de vida, a parte dos conflitos e das emoções, é fundamental – a maior parte das pessoas que têm mais micro-organismos são as pessoas que, emocionalmente, têm um conflito porque este gera uma grande alteração em determinados nichos do corpo e no intestino, como é óbvio. Mas ter atenção ao estilo de vida, de uma forma geral e ao intestino, sempre, em particular. Como se sabe, sou fã do intestino.
Integrall: Que casos em particular ajudou a tratar e que a tenham marcado mais?
Alexandra Vasconcelos: Recentemente, atendi uma amiga minha, saudável, seguida por mim há anos, e que se estava a sentir péssima, com uma depressão, dizendo que estava triste, só chorava, que já não gostava das coisas boas da vida e que não tinha razão para sentir-se assim. Fui medir e ela tinha o parasita do cão. Tirámo-lo e em 15 dias, ela ligou-me a dizer que estava ótima. Isto é emocional, mas, por exemplo, a nível físico, tenho um caso no Algarve, que é um caso que eu gosto bastante, de uma pessoa que tinha um eczema da cabeça aos pés há anos e que se curou.
Outro caso é o de uma miúda que, na segunda consulta, se agarrou a mim e me disse: “deixe-me agradecer-lhe que, desde que me conheço, há 20 anos, que tinha enxaquecas e agora já não tenho”.
Integrall: Apesar da sua formação académica ser em farmácia, defende pouco uso de químicos e só em casos necessários e também, que existem substâncias naturais que permitem ajudar na cura dos parasitas.
Alexandra Vasconcelos: Existe uma série de substâncias naturais que nos ajudam a diminuir esta taxa, esta concentração e esta carga de parasitas.
Intergall: Por exemplo?
Alexandra Vasconcelos: A noz negra, o óleo de orégãos, o óleo de toranja, a artemísia, o cravo da índia.
Integrall: Há pouco falou do toxoplasma, que ao contrário do que as pessoas pensam, não tem sempre origem no gato. A contaminação pode ser através das carnes.
Alexandra Vasconcelos: Segundo o estudo que eu apresentei, o porco, as vacas, os bezerros, animais que comem gafanhotos e insetos, podem, a partir daí, se esses insetos têm toxoplasma, contaminar-nos.
“Tenham um olhar crítico de interrogação e não aceitem aquilo que lhes dizem, no sentido de que não há cura, que vai ser assim para o resto da vida”
Integrall: Quer deixar algum conselho para quem nos estiver a ler?
Alexandra Vasconcelos: Deixo um grande conselho às pessoas que estão doentes, que estão com sintomas: tenham um olhar crítico de interrogação e não aceitem aquilo que lhes dizem, no sentido de que não há cura, que vai ser assim para o resto da vida, que têm de tomar o antidepressivo, ansiolíticos, o anti-histamínico para o resto da vida. Esqueçam, isso é falso, é completamente falso. O que eu queria era que as pessoas fossem muito mais felizes e seriam, se não acreditarem nessas histórias de isso vai ser para o resto da vida, porque não é, daí também a importância -e estamos aqui num congresso sobre nutrição integrativa funcional – de um olhar integrativo e de uma abordagem integrativa da saúde. Quando eu falo em estilo de vida é: alimentação, exercício físico, que é um pilar fundamental, e cuidar das emoções.
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