A ministra da Cultura, Juventude e Desporto esteve, este sábado, na 22ª edição do Ageas CoolJazz, em Cascais para ver e experimentar as novidades do festival ao nível da inclusão. A visita guiada foi feita pela organizadora do evento, Karla Campos, que sempre se pautou por uma preocupação em dar acesso a todas as comunidades. No final, Margarida Balseiro Lopes gostou do que viu.
“É transformadora”. Foi assim que a ministra da Cultura, Juventude e Desporto, Margarida Balseiro Lopes, se referiu à experiência de ter dado uma entrevista ao mesmo tempo que usou um dos coletes com comandos sensoriais que, este ano, estão disponíveis em alguns concertos para a comunidade surda. “São mudanças que permitem que, de facto, a cultura chegue a toda a gente. Nós dizemos, muitas vezes, que é essencial garantir o acesso, mas garantir o acesso passa, também, por permitir que a experiência seja de qualidade para todas as pessoas”, sublinhou.
Esta tem sido, de resto, uma preocupação do Ageas CoolJazz, que na edição deste ano, deu a possibilidade às pessoas com mais de 60% de incapacidade de levarem acompanhante sem pagar, criou balcões de comida e bebida mais baixos para o público em cadeira de rodas e alargou o recinto, que passou de dois para três portões de acesso.

Para a responsável do governo, “este é um excelente exemplo que mostra que a iniciativa privada – neste caso, este festival – tem esta responsabilidade social, trabalhando com quem sabe e com quem pode, efetivamente, ajudar a desenhar boas decisões de acessibilidade e transformar, em realidade, essas preocupações”. Margarida Balseiro Lopes reconheceu ainda:“ sabemos que este caminho não se iniciou agora e que este festival já tinha, de facto, algumas boas políticas, mas melhorou, este ano, ao reforçar as acessibilidades, das quais eu destacaria a gratuitidade do bilhete acompanhante para pessoas com deficiência, que foi uma iniciativa que nós implementámos, este ano, nos equipamentos públicos e que este festival, não tendo essa obrigação legal, procurou também implementar”.
Ministra defende: “é preciso gerar confiança nas pessoas, para quem desenhamos estas políticas, de modo a que se sintam seguras e bem-vindas nestes espaços“

Com esta medida, o Ageas CoolJazz está em sintonia com o executivo que, a par da atribuição de bilhetes gratuitos para acompanhantes de pessoas com deficiência, em vigor desde o início deste ano, criou, também, um selo de Espaços Culturais Acessíveis e Inclusivos, com três categorias – ouro, prata e bronze – para certificar locais públicos e privados. “Fico, naturalmente, feliz de ver que começámos por fazê-lo em espaços públicos, porque achamos que o Estado tem de dar o exemplo, mas fico feliz e de alguma forma até orgulhosa de ver iniciativas promovidas por privados, que se associam a este compromisso. Nós, também, estamos a procurar reforçar os equipamentos públicos. O Museu Nacional da Música, por exemplo, tem já este tipo de equipamentos, mas é um trabalho que passa por, além de fomentar as medidas, comunicá-las e por conseguir gerar confiança nas pessoas, para quem desenhamos estas políticas, de modo a que se sintam seguras e bem-vindas nestes espaços”, salientou.
Na calha, a ministra adiantou que o governo tem previsto um projeto de acessibilidades para Conimbriga, “porque, efetivamente, é um espaço que, pela sua própria natureza, traz um conjunto de dificuldades de natureza física.
Voltando ao festival, Margarida Balseiro Lopes considera que “fazem falta mais iniciativas como esta e a minha presença aqui, hoje, também, tem esse papel de valorizar os que já o fazem e de incentivar aqueles que podem, eventualmente, estar a pensar em implementar algumas destas medidas e seguir estas boas pisadas”.
“Balanço é positivo, porque torna-se um festival mais inclusivo e isso faz com que consigamos, cada vez mais, atrair mais público (…) no final do dia somos todos iguais”

Para Karla Campos, CEO da promotora Live Experiences, que organiza o Ageas Cool Jazz, a presença da ministra “é um reconhecimento do trabalho que o festival tem feito, em parceria com a Fundação Ageas”. Uma iniciativa cujo “balanço é positivo, porque torna-se num festival mais inclusivo e isso faz com que consigamos, cada vez mais, atrair mais público, de várias áreas, de várias comunidades, de vários nichos – no final do dia somos todos iguais”, recorda.
Quanto ao feedback dos utilizadores, “é bom, as pessoas estão a gostar de ter estes equipamentos que lhes permitem, de certa forma, sentir algo que é muito sensorial. A parte do colete e da intérprete de linguagem gestual permite-lhes perceber o que é que se está a transmitir, através das músicas e ao mesmo tempo, sentir a vibração no corpo: as pessoas conseguem sentir, conseguem ter uma experiência que, se calhar, nunca tiveram na vida e que nem sabiam que existia”.
Este ano, são quatro os concertos que a comunidade surda pode assistir, usando os coletes sensoriais. No próximo, a organização espera poder” alargar o leque, em parceira com os nossos parceiros”.
A 22ª edição do Ageas CoolJazz termina esta sexta feira. ”Prevê-se que, até ao final do festival, tenham entrado 70 pessoas acompanhadas por outra com bilhete gratuito, do total das 55 mil esperadas ao longo de todo o evento. Esta quarta feira, dia 29, atuam os Scissor Sisters e no último dia do festival, a 31 de julho, sobe ao palco Chet Faker, que se encontra esgotado.
O Ageas Cooljazz foi distinguido com o selo “Festival Acessível”, atribuído pelo Turismo de Portugal e pelo Instituto para os Direitos das Pessoas com Deficiência, no âmbito do Programa Festivais Acessíveis 2026.
Esta distinção reconhece o compromisso contínuo do Ageas Cooljazz com a promoção da inclusão e da acessibilidade, distinguindo o trabalho desenvolvido para proporcionar uma experiência cultural de qualidade a todos os públicos.

















